PCP - 100 anos de luta e resistência na CUF – Barreiro“A luta dos trabalhadores do Barrreiro não é um mito”
Recordou, Domingos Abrantes, que as lutas dos trabalhadores “no fascismo terminavam nos despedimentos e nas prisões”, acrescentando, que - “é preciso valorizar a heroicidade, a consciência, a determinação e o sofrimento que esta luta significou”.
“Alfredo da Silva, nunca foi um humanista, foi sempre um reaccionário, um fascista assumido, foi um germanófilo, conspirou contra a República, apoiou os fascistas em Espanha. Foi uma pessoa que perseguiu os trabalhadores. Alfredo da Silva tinha ódio às organizações dos trabalhadores e utilizou como nunguém o Estado como instrumento de repressão aos trabalhadores” – salientou Domingos Abrantes.

Por Jornal Rostos
No âmbito do programa que a Comissão Concelhia do Barreiro do Partido Comunista Português está a promover, subordinado ao tema : “100 anos de luta e resistência na CUF – Barreiro”, realizou-se no Auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro, um debate tendo como tema : “CUF, do início ao 25 de Abril de 1974”, com a participação de Domingos Abrantes, membro do Comité Central do PCP.
O dirigente do PCP começou a sua intervenção por referir que na actualidade “assistimos a mistificações”, no que diz respeito à CUF, “silenciando as suas responsabilidades no regime fascista”, acrescentando que “o império CUF fundia-se com o próprio estado fascista”.
Recordou que antes de Marx, um filosofo disse que “as fortunas criam-se com o trabalho dos outros” e, na sua opinião “a CUF enquadra-se nesta afirmação” porque a “CUF explorou os trabalhadores”.
Alfredo da Silva, nunca foi um humanista
Domingos Abrantes, salientou que “os trabalhadores da CUF seriam mais espoliados se não tivessem lutado”, referindo que os 100 anos da CUF, são insperáveis dos 87b anos de existência do PCP.
Neste contexto o dirigente do PCP considerou essencial, “relembrar a natureza dos senhores da CUF e de Alfredo da Silva”, sobre os quais se diz que “foram pessoas que dedicaram a sua vida ao bem do país”, sendo dado, para tal, o exemplo das “pretensas benesses que teriam gozado os trabalhaores da CUF”.
Domingos Abrantes referiu que quando se afirma que “Alfredo da Silva era um homem eminentemente humanista, isto é falso”.
“Alfredo da Silva, nunca foi um humanista, foi sempre um reaccionário, um fascista assumido, foi um germanófilo, conspirou contra a República, apoiou os fascistas em Espanha. Foi uma pessoa que perseguiu os trabalhadores. Alfredo da Silva tinha ódio às organizações dos trabalhadores e utilizou como nunguém o Estado como instrumento de repressão aos trabalhadores” – salientou Domingos Abrantes.
Referiu que para Alfredo da Silva, “recorrer às forças repressivas foi sempre prática de Alfredo da Silva”.
Recordou que em 1929, Alfredo da Silva, despediu trabalhadores metalúrgicos porque “eram sindicalistas”,
Segundo Domingos Abrantes, Alfredo da Silva “o Rei do Sebo, como era conhecido” e os seus “sucessores não foram diferentes”, apenas foram “ajustando-se aos tempos”.
Na CUF, sublinhou o dirigente do PCP, “foi criado um sistema fabril verdadeiramente policial”, neste contexto, acrescentou – “é uma falsidade considerar Alfredo da Silva como humanista”.
Os Mellos tinham esta natureza eram “predadores”
Domingos Abrantes, referiu que “a precaridade de trabalho era uma constante na CUF”, e, sublinhou que “as benesses eram uma forma de distribuição de mais valias aos trabalhadorres num circuito fechado”.
Recordou que nos anos 60, apareceu a teoria da “Familia CUF” que “visava o mesmo de sempre intensificar a exploração”.
Referiu que na época, na informação do PCP, falava-se dos “tubarões da CUF” porque essa a sua natureza – “os Mellos tinham esta natureza” eram “predadores”.
A luta dos trabalhadores do Barrreiro não é um mito
Domingos Abrantes, salientou que a luta constante e permanente dos trabalhadores da CUF é anterior à formação do PCP.
Sublinhou a luta dos trabalhadores da CUF teve “grandes momentos de afirmação”, de reivindicação e de luta pela melhoria das condições de vida.
“A luta dos trabalhadores do Barrreiro não é um mito, é um património único do nosso povo e do nosso país” – sublinhou Domingos Abrantes.
Recordou que as lutas dos trabalhadores “no fascismo terminavam nos despedimentos e nas prisões”, acrescentando, que - “é preciso valorizar a heroicidade, a consciência, a determinação e o sofrimento que esta luta significou”.
Na sua intervenção, salientou que “a derrota do fascismo não é separável desta luta durante décadas”.
“Os trabalhadores da CUF deram um grande contributo para a derrota do fascismo” – referiu Domingos Abrantes, sublinhando que – “o Barreiro é um grande símbolo da resistência ao fascismo”.
Luta contra o fascismo era uma luta prolongada
Domingos Abrantes, salientou que a luta da CUF é anterior ao PCP, no entanto, referiu que com o PCP alterou “radicalmente o quadro” das lutas dos trabalhadores.
O PCP tornou-se uma força hegemónica, na sua opinião, porque “criou uma organização calndestina”, sendo “um pouco verdade não é essencial”.
“Se alguma coisa temos a lamentar é que outros não tenham tido a audácia da luta clandestina” – sublinhou.
“O PCP percebeu que a luta contra o fascismo, era uma luta prolongada, requeria sacrificios e era preciso organização” – referiu Domingos Abrantes.
Recordou que na CUF distribuiam-se centenas de jornais “Avante” na clandestinidade.
“O partido ganhou uma autoridade, confundia-se com as populações” – sublinhou, acrescentando – “falava-se do partido, não era do PCP. A autoridade foi ganha com a luta, com intervenção, com uma luta continuada durante décadas”.
Domingos Abrantes referiu que os funcionários do PCP movimentavam-se no Barreiro, “como peixe na água”, apesar do Barreiro ser uma Vila Operária vigiada. Recordou que existiram duas casas clandestinas, nunca descobertas pela PIDE, mesmo no centro do Barreiro.
25 de Abril - contra os beneficiários do fascismo
Domingos Abrantes sublinhou a importância do 25 de Abril como um contributo a conquista das liberdades, sublinhando que esta foi uma revolução que foi feita “contra os beneficiários do fascismo”.
“A Revolução de Abril determinou-se a partir do momento em que os trabalahadores intervieram para ser donos do destino do país” – sublinhou Domingos Abrantes.
Recordou que foi a primeira vez na história don país queb os trabalhadores intervieram, tendo como referência uma classe operária que ganhou consciencia ao longo de décadas de lutas contra o fascismo.
Os derrotados de ontem estão a recuperar
“Os grandes derrotados do 25 de Abril estão aí de novo” – referiu, acrescentando que “foram restabalecidos os Grupos Económicos” e “os Mellos estão a criar um novo império parasitário”.
“Os derrotados de ontem estão a recuperar” –salientou Domingos Abrantes.
Ao finalizar a sua intervenção, o dirigente do PCP, salientou que – “a grande lição das resistência ao fasscismo, é que as liberdades e a melhoria das condições de vida, são incompatíveis com o reforço dos Grupos Económicos”.
“A luta de um século não foi de modo nenhum em vão” – referiu Domingos Abrantes, acrescentando – “os valores de Abril serão recuperados”.
Seguiu-se um período de debate. No Auditório da Bibloteca Municipal foi apresentada a exposição subordinada ao tema "100 ANOS DE LUTA E RESISTÊNCIA NA CUF-BARREIRO”.













