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Perspectivas

Barreiro – Quinta do Porto da RamagemUm mundo onde se respira a “paz interior”

Árvores. Acalmia. Chilrear. Abrem-se os portões e revela-se um sem fim de vegetação, são dez hectares de caminhos encadeados que conduzem à quietude e aos sons da natureza. Á entrada do concelho do Barreiro, na antiga “Equabona”, hoje Coina, localiza-se a Quinta do Porto da Ramagem. Um espaço que Borges Pinto adquiriu há mais de vinte anos e onde diz ter toda a sua vida. Graça Pinto, a filha, ainda se lembra do momento em que entrou, pela primeira vez, no espaço onde diz ir “buscar a paz interior”.

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Barreiro – Quinta do Porto da Ramagem Um mundo onde se respira a “paz interior”

Por Jornal Rostos

Os dois cavalos e um pónei, os três burros, as duas avestruzes, as ovelhas, os bezerros, os patos bravos que emigram mas sempre voltam, os coelhos que fazem visitas, vindos da Mata da Machada, e o chilrear novo em cada canto são elementos presentes da Quinta, a par das árvores de fruto e dos lagos e de cada caminho envolvido pela vegetação. Um mundo onde se respira o sossego e a magia dos contos de fada.
Foi com 18 anos que Graça Pinto entrou pela primeira vez na Quinta do Porto da Ramagem, dessa altura recorda-se de um longo caminho de areia, de ossadas de animais, de um poço antigo e da casa de habitação. Hoje olha para o espaço e diz estar tudo muito diferente, mas ainda assim sublinha a presença da vegetação que sempre fez parte do local, “nós limitamo-nos a dar continuidade àquilo que já existia”, salienta. Um espaço onde diz ir “buscar a paz interior”aos fins-de-semana.

Respeito pela Mãe Natureza

O respeito pela Mãe Natureza é a grande preocupação de Borges Pinto, no arranjo de um espaço que há muito era um desejo seu, ou não tivesse crescido numa quinta. Da história da propriedade, diz não conhecer muito: “Sei que era dos Duques de Palmela”, comenta, mas da história de cada uma das árvores e recantos parece saber tudo. Depois de ter adquirido o espaço, a vontade levou-o a querer vê-lo com outra “cara”. Semear e plantar foram actividades que desde logo abraçou e depois também diz que a vontade dos filhos em casar naquele espaço foi uma espécie de “provocação” para embelezar ainda mais o recinto. Mas adverte que nesse caminho foi a própria natureza que o comandou: “temos lá muita decoração, mas foi a própria árvore que me disse e eu entendi” e é por isso que explica o porquê de alguns muros não estarem direitos: “Porque estava lá uma árvore, se já morreu, não sabemos, mas se estiver lá, o muro deu uma volta para se chegar à árvore”.

Para “dar vida à vida”

Amante das árvores e da jardinagem, defende o respeito pelo espaço e pelas árvores que lá existem: “as árvores que lá estão são as árvores que lá se reproduzem” e diz que todo o trabalho que lá faz é no sentido de: “dar vida à vida”, dando continuidade ao que já existia, aos pinheiros e aos sobreiros, até porque defende: “não se obriga a criar da Natureza o que não é natural”. Para Borges Pinto, a Quinta, que já foi chamada de “Oitava Maravilha do Mundo” é o local onde diz ter toda a sua vida. Quando fala dela fala no prazer que sente em olhá-la e em criar, semeando e plantando. Um espaço que conhece como as linhas da sua mão e no qual nada passa despercebido.

Portões abertos a grupos organizados

Quanto à abrir as portas da Quinta à população, sublinha: “Sempre esteve aberto à população”. Contando que de início o portão começou por estar aberto todos os dias, mas acrescenta: “a partir de determinada altura começou a haver aquilo que não deveria de acontecer”, pois diz que começaram a desaparecer coisas da Quinta “e começamos a fechar o portão”. Ainda assim, diz estar aberto “quando se organizam grupos de pessoas”, dando o exemplo das escolas, dos lares de terceira idade, dos escuteiros, ou de grupos políticos. Quanto à abertura da Quinta a tempo inteiro é que sublinha: “Mas estar aberto a três ou quatro pessoas é que é muito complexo, porque devíamos de acreditar em todas as pessoas, mas nem todas as pessoas são de boas intenções”.

“Faço a minha época de vida e faço aquilo que gosto e como gosto, libertando os outros, que vierem, para fazerem aquilo que acharem melhor”

Quanto ao futuro do espaço, comenta “eu estou preocupado, enquanto cá estiver, em fazer aquilo que gosto de fazer, não estou nada preocupado com o futuro, quem vier atrás que faça o que achar que é melhor”. Diz ainda não querer traçar um desígnio para o espaço: “Faço a minha época de vida e faço aquilo que gosto e como gosto, libertando os outros, que vierem, para fazerem aquilo que acharem melhor”. Ainda sobre o futuro diz que a sua preocupação é sobre a vida da própria Quinta: “se a árvore que eu plantei hoje amanhã ainda está viva”.

Andreia Catarina Lopes

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