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Perspectivas

Assembleia Municipal do Barreiro“Estou convicto de que a questão de ser uma ponte sem rodovia esteja quase afastada”

PSD adverte para que as oficinas de alta velocidade não sejam construídas no centro da cidade

Aprovada por unanimidade a constituição de uma Comissão de Acompanhamento na revisão do PDM do Barreiro

Na reunião da Assembleia Municipal do Barreiro de ontem, a grande questão foi a respeito da terceira travessia do Tejo no corredor Barreiro-Chelas. CDU, PS e PSD entregaram moções que deram conta da satisfação em ver concretizada uma vontade já com duas décadas. Maior desenvolvimento para a região e para o país e a construção de uma Área Metropolitana de Lisboa polinucleada são objectivos esperados com a vinda dessa infra-estrutura.

Ainda sobre a Ponte Barreiro-Chelas e com o surgimento na comunicação social de algumas interrogações quanto à opção rodoviária, o presidente da Câmara sublinha: “Estou convicto de que a questão de ser uma ponte sem rodovia esteja quase afastada”, ao que acrescenta: “Tendo em conta a estrutura da ponte que está prevista não é possível construir a ferrovia sem a rodovia”.

Da bancada socialista, o deputado João Pintassilgo não quis deixar de saudar a abertura oficial da primeira fase do Programa Polis na Freguesia de Santo André e quanto às obras que surgem no concelho expressou: “Se o PS se pode congratular por ter estado na génese de muitas delas, também todos ganham quando concretizam”.

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Assembleia Municipal do Barreiro “Estou convicto de que a questão de ser uma ponte sem rodovia esteja quase afastada”

Por Jornal Rostos

CDU, PS e PSD apresentaram ontem, na Assembleia Municipal do Barreiro, moções que congratularam a construção da terceira travessia do Tejo no corredor Barreiro-Chelas. Todas foram aprovadas, a da CDU por maioria e a do PSD e PS por unanimidade, sendo que a moção apresentada pelo PS foi alvo de uma alteração, onde no título “Barreiro acolhe reconhecido a TTT como grande projecto nacional”, foi solicitado que se suprimisse a palavra “reconhecido”.

“(…) Uma decisão do Governo, que é positiva para o Barreiro, distrito e país, mas é preciso fazer isso sem veneração”

Sobre as moções apresentadas a respeito da terceira travessia, o deputado Humberto Candeias, do Bloco de Esquerda, sublinhou que a decisão da construção da ponte: “Foi uma decisão do Governo, que é positiva para o Barreiro, distrito e país, mas é preciso fazer isso sem veneração”, ao que acrescentou: “E também é preciso dizer que o Presidente da Câmara do Barreiro esteve muito bem neste processo”.

PSD adverte para que as oficinas de alta velocidade não sejam construídas no centro da cidade

Na moção apresentada pelo Partido Social Democrata sobre a terceira travessia do Tejo, que foi aprovada por maioria e que contou com a abstenção do Partido Socialista, a bancada “laranja” saudou a localização no concelho do Barreiro das Oficinas de Manutenção do Comboio de Alta Velocidade, “fazendo aproveitamento da história e experiência ferroviária da Cidade”, mas alertou para o facto de essa infra-estrutura dever ser construída “sempre fora do centro da cidade”. A moção acrescenta ainda: “a localização no concelho dessa infra-estrutura é de saudar mas nunca na área do centro, onde a brecha da linha ferroviária até hoje nos dificultou a mobilidade e a coerência espacial da cidade”. A respeito desta moção do PSD, o deputado bloquista Humberto Candeias disse tratar-se de uma “questão pertinente” e acrescentou: “é preciso discutir isto e aprofundar se será possível manter o corredor verde e manter as oficinas e é pertinente unir as duas coisas”.

Eduardo Cabrita distinguiu “a posição construtiva e extremamente responsável tomada pela CMB”

Ainda sobre a decisão da construção da Ponte Barreiro-Chelas, o deputado socialista Eduardo Cabrita, secretário de Estado Adjunto e da Administração Local, considerou estar inserida “num conjunto de decisões que têm vindo a ser tomadas que consubstanciam uma estratégia de desenvolvimento para o país, com reflexo na Península de Setúbal”. E de uma infra-estrutura que sublinha que será uma oportunidade para o concelho do Barreiro, não deixou de “distinguir a posição construtiva e extremamente responsável tomada pela Câmara Municipal do Barreiro, designadamente pelo seu presidente”.

“Uma decisão que não foi pacífica no seu processo de decisão e diria que continua a não o ser”

O deputado socialista fez ainda menção ao facto de ser “uma decisão que não foi pacífica no seu processo de decisão e diria que continua a não o ser”, uma oportunidade que diz “ter riscos que não estão inteiramente afastados”. Nesse âmbito, falou das questões que têm surgido na imprensa a respeito do que diz ser “um estudo que se insere numa campanha que visa desacreditar a decisão na sua globalidade mas sobretudo por em causa a sua componente rodoviária”. E fazendo menção ao prazo do concurso para construção da ponte, que será lançado em Novembro, advertiu: “temos consciência de que existirão alguns que pretenderão jogar com o tempo para que eventualmente, por absurdo, a decisão pudesse ser ainda total ou parcialmente alterada”.

“Que este bom espírito barreirense tenha oportunidade de se prosseguir e de ser consolidado”

Da Ponte Barreiro-Chelas disse ainda ser “uma decisão que vale por si mas também porque é uma janela de oportunidades”. E essencialmente falou no papel que poderá ter na requalificação do território da Quimiparque, que no seu entender “retoma o papel de dimensão estratégica que sempre existiu”. Considera assim que a decisão da construção da ponte “vem retomar e reforçar o papel central do Barreiro neste modelo de reforço do papel estratégico da Península de Setúbal, dentro da Área Metropolitana de Lisboa, e enquanto motor de desenvolvimento estratégico do país”. E é nesse sentido que considerou que durante o processo de desenvolvimento do projecto que ocupará os próximos mandatos “deveremos ter aqui o perfil de exigência, responsabilidade, de valorização do papel estratégico da cidade e da região”, ao que advertiu: “sem bairrismos que só fragilizariam as nossas posições” e rematou: “que este bom espírito barreirense tenha oportunidade de se prosseguir e de ser consolidado”.

“Uma vitória do Barreiro”

Sobre a terceira travessia do Tejo, o presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Carlos Humberto, começou por sublinhar se trata de “uma vitória do Barreiro e dos que lutaram por este objectivo ao longo de duas décadas e dos que lutaram para que se concretizasse”. Com a finalidade de “ajudar a resolver problemas de mobilidade regional e nacional”, o presidente da Câmara do Barreiro sublinha: “desde que esta vereação exerce estas funções, fomos acompanhando e procurando não contrapor os interesses do concelho aos nacionais, por contrário, achámos que se complementavam”. E é ciente dessa circunstância que defende que “a questão da mobilidade também deve servir uma estratégia de desenvolvimento”, fazendo menção à construção de uma Área Metropolitana de Lisboa polinucleada, a “cidade de duas margens”. Considera ainda que a infra-estrutura poderá ser articulada com questões estratégicas, através da ligação dos Portos de Lisboa e de Sines à plataforma logística do Poceirão e de todos esses elementos ao novo aeroporto de Lisboa, em Alcochete.

Quimiparque e Ponte Barreiro-Chelas - “São estes dois elementos que podem marcar o desenvolvimento do Barreiro nas próximas décadas”

E ainda que reconheça: “não considero que a terceira travessia do Tejo seja o salvador da pátria, que por si só venha resolver os problemas do Barreiro, porque não são só vantagens”, sublinha: “tudo seria mais difícil sem ela”. Entendendo que é um factor essencial quer para a construção da “cidade de duas margens”, quer para o desenvolvimento do Barreiro, associando-a à estratégia para o território da Quimiparque: “São estes dois elementos que podem marcar o desenvolvimento do Barreiro nas próximas décadas”. E do projecto para a requalificação da Quimiparque, sublinha que a cooperação que se tem desenvolvido com outros parceiros, como com a Administração do Porto de Lisboa (APL), com o sector rodoviário e com a Quimiparque tem sido “positiva” e acrescenta: “temos tido a compreensão da Administração Central”.

“Estou convicto de que a questão de ser uma ponte sem rodovia esteja quase afastada”

Ainda que a decisão da construção da Ponte Barreiro-Chelas, com as vertentes ferroviária tradicional e de alta velocidade e a rodoviária, já tenha sido anunciada publicamente pelo Governo, tem surgido na comunicação social algumas interrogações quanto à opção rodoviária, ao que o presidente da Câmara não deixou de comentar: “estou convicto de que a questão de ser uma ponte sem rodovia esteja quase afastada” e acrescenta: “Tendo em conta a estrutura da ponte que está prevista não é possível construir a ferrovia sem a rodovia”, “a não ser que se venha a decidir que já não é aquela ponte e é outra”. E perante a eventualidade de “a alta velocidade estar a funcionar e haver alguns acessos rodoviários que ainda estejam a ser construídos”, defende: “todos nós devíamos de tentar intervir para que isso não aconteça”.

Necessidade de a rede viária do Barreiro funcionar em rede

Com a chegada da nova ponte, fala na necessidade de o Metro Sul do Tejo chegar ao Barreiro e da construção da Travessia Barreiro-Seixal se concretizar, ao que acrescenta um conjunto de acessibilidades rodoviárias necessárias ao concelho. Ainda que sobre esta última questão advirta: “não temos condições de fazer novas auto-estradas ou grandes pontes e viadutos”, fala na necessidade de a rede viária do Barreiro funcionar em rede, pelo facto de o Barreiro ser um concelho pequeno e afirma: “temos é que o que está construído, com pequenas obras, possa passar a funcionar em rede, com novos acessos à nova travessia e à futura estação multimodal, que se localizará no Lavradio”.

Reunião prevista entre RAVE e os eleitos autárquicos do concelho

Relativamente à vertente ferroviária e à localização da estação comenta: “é um problema que é preciso com seriedade mas com passos firmes resolver” e acrescenta: “não devemos perder as oportunidades ao nível da requalificação urbana, da criação de emprego e do desenvolvimento”. Informou ainda que decorrente do contacto com a RAVE, foi solicitada pela autarquia uma reunião com os eleitos autárquicos do concelho, eleitos da Câmara e representantes da Assembleia Municipal para que “a RAVE pudesse explicar com algum pormenor o que está pensado relativamente à terceira travessia do Tejo”. E para além desta reunião referiu que “outro tipo de iniciativas poderemos vir a promover”.

Aprovada por unanimidade a constituição de uma Comissão de Acompanhamento na revisão do PDM do Barreiro

Na reunião da Assembleia foi ainda apresentada pelo Bloco de Esquerda uma proposta para a constituição de uma Comissão de Acompanhamento na revisão do Plano Director Municipal (PDM) do Barreiro, que foi aprovada por unanimidade, com a alteração de que essa comissão em vez de se composta pela “Mesa mais um elemento a indicar por cada uma das forças políticas representadas nesta Assembleia Municipal”, como foi sugerido inicialmente pelo Bloco de Esquerda, passasse a ser composta com base na proporcionalidade da forças políticas representadas na Assembleia.

“Se o PS se pode congratular por ter estado na génese de muitas delas, também todos ganham quando concretizam”

Da bancada socialista, o deputado João Pintassilgo não quis deixar de saudar a abertura oficial da primeira fase do Programa Polis na Freguesia de Santo André, ao que expressou: “mais um passo que para muitos foi considerado um sonho possível, para outros apenas promessas e aqui está, o Polis começa a ver-se e os barreirenses começam a poder usufrui-lo”. Numa altura em diz que o Barreiro vive um período ímpar: “quando se prevêem obras a curto prazo que irão tornar o Barreiro, de alguma forma, irreconhecível, no bom sentido”, acrescentou: “se o Partido Socialista se pode congratular por ter estado na génese de muitas delas, também todos ganham quando concretizam e os barreirenses podem usufruir, independentemente de quem conclui essas mesmas obras para o bem do Barreiro e dos barreirenses”. E da postura socialista disse “apenas estaremos atentos e solidários quando os acordos com parceiros privados ou públicos sejam transparentes e equilibrados”.

Andreia Catarina Lopes

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