Comemorações do 25 de Abril no Barreiro“Todos juntos vamos conseguir o Barreiro do presente e do futuro”
Ontem os barreirenses afluíram ao Parque da Cidade para participar nas comemorações do 34º aniversário da Revolução dos Cravos. A música, as palavras, a alegria e os emblemáticos cravos vermelhos fizeram parte de um espectáculo que celebrou a liberdade. E numa data em que se evocam as memórias do passado, o presidente da Câmara do Barreiro lembrou os portugueses “que nos 50 anos de fascismo resistiram, combateram e aprumaram a sua vontade de mudança”.
Mas foi a partir do passado do Barreiro que “durante quase um século foi um pólo de desenvolvimento, de emprego e de tecnologia” que falou do caminho para o Barreiro do futuro. A estratégia de requalificação para a Quimiparque e, mais recentemente, o anúncio da Ponte Barreiro-Chelas são mudanças que o levam a considerar: “Temos as condições para que o Barreiro volte a ser o pólo de emprego, de desenvolvimento e de futuro”.

Por Jornal Rostos
Numa noite em que se evocaram as memórias de um momento marcante na história portuguesa, o presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Carlos Humberto, lembrou: “a dedicação e abnegação de milhares de portugueses que durante 50 anos dedicaram as suas vidas à luta pela liberdade e por uma sociedade mais justa”. Considerando que “o povo português, com o Movimento das Forças Armadas e com os capitães de Abril, deu um passo determinante no sentido do futuro, do desenvolvimento e do progresso”. E passados 34 anos diz ser uma conquista que oferece a lição: “do que é possível fazer e do quão longe é possível chegar, quando determinados, sem receio, tomamos o futuro nas nossas mãos”.
“Lutar pela liberdade, pela igualdade e pela melhoria das condições de vida é uma tarefa de todos os dias”
Nesse saudar dos homens e mulheres que traçaram o caminho para a liberdade, fez menção aos “barreirenses que já em democracia se empenharam em aprofundar as conquistas de Abril, construído uma sociedade mais justa”. E sublinhou a importância de valores que considera serem intemporais: “Lutar pela liberdade, pela igualdade e pela melhoria das condições de vida é uma tarefa de todos os dias”. Entendendo que o saudar e celebrar a Revolução dos Cravos constitui: “um sinal emotivo de força e do poder do 25 de Abril”.
“Lançar mão da nossa experiência, do nosso passado e da nossa vocação e lançarmo-nos à construção do amanhã”
E na data em que se evoca o passado, não deixou de falar no presente, um momento que diz “exigir de nós especial atenção, clareza e ponderação”. Um momento em que entende que “as oportunidades avançam a par e passo com ameaças de sérios retrocessos”. E para falar do futuro do Barreiro, lembrou que: “O Barreiro se afirmou durante quase um século como um pólo de desenvolvimento, de emprego e de tecnologia”. E fazendo menção à indústria metalomecânica, à química, ao caminho-de-ferro, à cortiça e à indústria do bacalhau, comentou: “em todas estas áreas empenhámos o nossos território, o nosso conhecimento, o nosso trabalho e todo o nosso quotidiano”. E desse tempo diz ter ficado “uma imensa e desaproveitada frente de rio, estendendo-se de Barra-a-Barra a Coina, e um imenso manancial de aptidões, conhecimentos e experiências de trabalho e luta”. E no caminho para o futuro diz que é preciso: “Lançar mão da nossa experiência, do nosso passado e da nossa vocação e lançarmo-nos à construção do amanhã”.
Criar “uma cidade integrada numa estratégia regional e nacional de desenvolvimento”
E para o amanhã do Barreiro fala de passos que têm de ser dados, no sentido de se criar “uma cidade integrada numa estratégia regional e nacional de desenvolvimento”. Uma estratégia em que considera que: “o Arco Ribeirinho Sul do Tejo, a Área Metropolitana de Lisboa e o Barreiro serão necessariamente elementos imprescindíveis.” E para ser levada a cabo essa estratégia de desenvolvimento, sublinha o papel da Quimiparque, um território que entende ser “um potencial de desenvolvimento, experiência e de conhecimento” e cuja tradição e vocação diz fundirem-se com a história e com o futuro do Barreiro. Nesse sentido, fez menção ao plano de requalificação da Quimiparque que diz “conseguir eliminar os muros que durante um século a afastaram de uma solução global para a cidade, de uma estratégia de alargamento e de enriquecimento do Barreiro”. Nessa solução, que diz integrar a indústria pesada a novas tecnologias, os serviços à habitação, expressa: “Queremos criar as condições que permitam que várias empresas, hoje criadas em Lisboa e em outros pontos do país, se desloquem para o Barreiro”. Mas entende que essa visão de desenvolvimento não se deve ficar pela Quimiparque: “queremos que estas propostas se alarguem a todo o concelho” e, nesse sentido, diz contemplar a solução de revitalização e de valorização do espaço público.
“Porque a cidade pertence aos que nela vivem, trabalham, aprendem e crescem”
Das obras que ocorrem no presente, expressou: “Acreditamos que as alterações presentemente em curso no centro do Barreiro, e que as alterações que as mesmas acarretarão em termos de qualidade de vida, são já indicadores do objectivo pretendido”. Fez menção também ao Polis, na freguesia de Santo André, o que diz ser representativo “das potencialidades, da importância e do papel estratégico, simbólico e afectivo que as zonas ribeirinhas têm para todos nós”. E na construção do Barreiro do futuro apelou à participação dos barreirenses: “porque a cidade pertence aos que nela vivem, trabalham, aprendem e crescem”. E entendendo que “hoje temos uma oferta cultural mais vasta, um pólo universitário e melhores equipamentos sociais e desportivos”, sublinhou nessa mudança o papel dos mais jovens, do Movimento Associativo, das Comissões de Utentes, das IPSS e das Organizações dos Trabalhadores.
“Que todos redobremos a vontade com que lutámos até aqui, como há 34 anos”
Não deixou ainda de fazer menção ao anúncio da construção da Ponte Barreiro-Chelas, o que entendo ter sido: “uma vitória do Barreiro”, ao que comentou: “Coroou-se assim de êxito uma luta de 20 anos do nosso poder local e dos barreirenses”. A construção dessa infra-estrutura, no seu entender: “ potenciará os nossos esforços na concepção de uma sociedade melhor”. E fez menção a outras infra-estruturas que ajudarão nesse caminho, a nova Circular Regional Interna da Península de Setúbal (CRIPS) e a ponte rodoviária Barreiro-Seixal. Elementos que diz que irão ajudar a trazer ao Barreiro o papel que teve noutros tempos: “ Uma cidade que voltará a ser um ponto central na rede ferroviária nacional”. E acrescenta: “Temos as condições para que o Barreiro volte a ser o pólo de emprego, de desenvolvimento e de futuro, construído pelo esforço de muitos anos e pelo empenho de milhares de cidadãos do Barreiro” e, nesse caminho, diz ser imprescindível: “Que todos redobremos a vontade com que lutámos até aqui, como há 34 anos”, por considerar: “Todos juntos vamos conseguir o Barreiro do presente e do futuro”.
Numa noite que foi de festa e que encheu o Parque da Cidade de gente de todas as idades, a música esteve a cargo do cantor Sérgio Godinho, do Grupo Coral TAB e da Banda Municipal do Barreiro. Uma noite que terminou à luz do já célebre fogo de artifício e das palavras que se repercutiam: “Viva a liberdade. 25 de Abril, sempre!”.
Andreia Catarina Lopes













