Semana Entreculturas na Escola Secundário de Santo António – Barreiro“Quanto mais conhecemos a cultura dos outros, mais tolerantes ficamos”
Ontem teve início a 2ª edição da Semana Entreculturas, da Escola Básica 2,3 com Secundário de Santo António, que decorre de 7 a 9 de Maio. Uma iniciativa que surgiu no âmbito do Projecto Cidade Jovem (Programa Escolhas), localizado na Cidade Sol, e que conta com a participação de toda a comunidade educativa.
Com o apoio da Câmara Municipal do Barreiro e da Junta de Freguesia de Santo António da Charneca, este evento pretende promover o conhecimento entre as diferentes culturas existentes no contexto escolar e que conta com um sem número de actividades. Uma iniciativa que Sónia Garrucho, coordenadora do Projecto Cidade Jovem, considera que fomenta o desenvolvimento de “competências pessoais e sociais dos próprios alunos”.

Por Jornal Rostos
No Ano Europeu para o Diálogo Intercultural, a Escola Básica 2,3 com Secundário de Santo António recebe a iniciativa Semana Entreculturas, no âmbito do Projecto Cidade Jovem, que está relacionado com o Programa Escolhas e com o Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural (ACIDI). A psicóloga Sónia Garrucho, coordenadora do Projecto Cidade Jovem, sublinha que toda a comunidade escolar está envolvida no evento e até as famílias são chamadas a participar. Com o intuito de dar a conhecer as diferentes culturas nas suas diversas vertentes, até a gastronomia marca presença: “com bolos e comida feita pelas famílias”, conta. Numa escola onde diz existirem “cerca de 14 a 15 nacionalidades diferentes” sublinha a importância da iniciativa: “Achamos que quanto mais conhecemos a cultura dos outros, mais tolerantes ficamos”.
Projecto Cidade Jovem – para combater o insucesso escolar e fazer a ligação entre a família e a escola
Do Projecto Cidade Jovem, promovido pela Escola Secundária de Santo António, em parceria com a Câmara Municipal do Barreiro, a Junta de Freguesia de Santo António, a CPCJ, o CATICA e a Persona, diz desenvolver diferentes actividades ao longo do ano. Para além destas iniciativas, conta que o trabalho do projecto passa por diminuir o absentismo escolar, o abandono e o insucesso, um trabalho feito junto dos alunos e que diz passar também pelas famílias: “fazemos a ligação entre a escola e a família”.
Para “pôr as pessoas aqui da escola a fazer actividades uns com os outros”
Quanto à Semana Entreculturas fala de uma grande interacção que se estabelece entre alunos e professores: “as actividades foram pensadas conjuntamente entre os professores e os alunos e foram organizadas e dinamizadas também por eles”. Nesse sentido, fala dos Workshops de Dança, em que os formadores são os professores de educação física da escola e também os alunos: “é uma aluna que vai ensinar o Hip-Hop”. Uma iniciativa que conta com diversas iniciativas, desde música, desporto, exposições e onde a ideia é “pôr as pessoas aqui da escola a fazer actividades uns com os outros, quer os alunos com os professores, quer os professores com os alunos.”
Desenvolvimento de “competências pessoais e sociais dos próprios alunos”
Quanto à importância da iniciativa, sublinha o facto de ter uma componente lúdica mas também de aprendizagem: “incentivamos muito a autonomia dos alunos, para trabalharem algumas competências que, às vezes, pensam que não têm mas têm”, realça. Nesse sentido, diz que os alunos intervêm inclusivamente na preparação das actividades e sublinha que, para além da questão cultural, existe outro objectivo: “que daqui os alunos aprendam que, por detrás destas coisas, existe também um trabalho importante e uma aprendizagem de como construir uma semana”, o que diz estar relacionado com o desenvolvimento de “competências pessoais e sociais dos próprios alunos”.
Evento encerra na sexta-feira com uma Noite Multicultural
O evento encerra na sexta-feira, dia 9 de Maio, com uma Noite Multicultural, no Pavilhão Gimnodesportivo, onde se poderá ouvir os sons e ver as danças de diversos países. Um momento em que Sónia Garrucho diz que as famílias são também chamadas a estarem presentes e onde surge a oportunidade para mostrar os trabalhos feitos pelos alunos durante o ano, através de uma exposição que inclui trabalhos feitos especificamente para esta semana.
“Não se deve dar valor à cor da pele mas à amizade e à relação que une as pessoas”
Ana Papa, professora do 5º ano, estava entretida na preparação da exposição que se vai revelar no último dia da Semana Entreculturas, onde constam projectos de formação cívica que exploram a temática da multiculturalidade. Os trabalhos das crianças da sua turma assentam em questões sociais e vivências que “por vezes não são mesmo as melhores”, comenta. A reflexão sobre a violência, sobre os Direitos do Homem e os Direitos da Criança, a amizade e a paz são algumas das temáticas exploradas pelos alunos, a par dos trabalhos relacionado com as diferentes culturas. A professora conta ainda que numa iniciativa que teve como inspiração o texto “Meninos de Todas as Cores”, de Ducla Soares, as crianças partiram à escrita de poesia e o que permaneceu, segundo a professora, foi a ideia de que “não se deve dar valor à cor da pele mas à amizade e à relação que une as pessoas”.
“Toda a diversidade é positiva, o cinzento individual é que é muito aborrecido”
Jaime Lebre, professor de Educação Visual e Tecnológica, estava também a ultimar os preparativos para a apresentação dos trabalhos do Departamento de Artes e Expressões, onde os alunos do 6º ano foram chamados a trabalharem a estrutura e a energia, através da concepção de um candeeiro, muitos deles utilizando a reciclagem como aproveitamento de materiais. Um trabalho que ainda que não tendo como tema básico a multiculturalidade, não deixa, na opinião do professor, de a reflectir, ao que comenta: “Toda a diversidade é positiva, o cinzento individual é que é muito aborrecido”.
“O jogo é uma linguagem universal”
E para além de um Workshop de Danças e de outro de Artesanato que preencheu a tarde de ontem, a sala B2 recebia a iniciativa: “Jogos do Mundo”. Uma sala multicultural onde o Ouri e Otelo eram alguns dos jogos que ali se podiam encontrar. Sobre este assunto, a professora de Matemática Stela Batina alerta para o facto de nessa sala se tentar mostrar que “enquanto jogam não existem diferenças, não existe distinção”. O que também se reflecte nas frases que ali se encontram: “O jogo é uma linguagem universal”.
Andreia Catarina Lopes
Programa:
Quinta-feira – 8 de Maio
9h30 – Pavilhão Gimnodesportivo
Torneio do basquetebol
10h – Palco Exterior
Teatro “Meninos de todas as Cores”
Desfile de moda
Hip-Hop
Beat Box e Rap
Kuduro
Eleição Miss e Mister EBESSA
15h – Sala de Vídeo
Colóquio Intercâmbio de Escolas: “A condição e o papel da Mulher nas Sociedades Actuais” 12ºB
15h15/16h00 – Miniginásio
Teatro “Sou do Mundo”
17h30 – Pavilhão Gimnodesportivo
Workshop Capoeira
Sexta-feira – 9 de Maio
15h – Palco Exterior
Bandas de Garagem
Si-Marize
eXcers
Guerra&Miguel
Tripline
15h00 – Pátio
Sala Aberta – Jogos do Mundo
Xadrez
15h30 – Sala B2A
Workshop Culinária
18h30 – Miniginásio
Colóquio: “Comemorações do Dia da Europa”
21h00 – Pavilhão Gimnodesportivo
Noite Multicultural –Aberta à comunidade
Jogo do Pau
Fado
Sevilhanas
Hip-Hop
Dança do Ventre
Batucadeiras
Danças de Salão
SMS – Shorty-C, Marios-J e Saturnino
JRD – Junkies RunningDry













