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Perspectivas

Na Moita - Conferência “Economia de Energia” – S.energia“Mais um passo para chamar a atenção para a eficiência energética”

“Já é possível dizer que há um ganho na eficiência energética no distrito”

“Cada um de nós, com a alteração de comportamentos, pode contribuir para a redução do problema do aquecimento global”

Plano Nacional de Acção para a Eficiência Energética – “uma janela de oportunidades”

Acções de formação no âmbito da eficiência energética nos edifícios “seja alargada aos técnicos que interagem nos municípios”

Ontem, no dia Mundial da Energia, realizou-se, na Biblioteca Municipal Bento de Jesus Caraça, na Moita, uma conferência subordinada ao tema “Economia de Energia”, promovida pela S.energia. Um encontro em que se debateu a importância de se apostar na eficiência energética e em que foi apresentado o primeiro edifício Classe A do concelho da Moita, sobre o qual Sérgio Saraiva, um dos arquitectos do projecto, diz ser constituído por habitações de “elevado conforto térmico e qualidade de ar”.

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Na Moita - Conferência “Economia de Energia” – S.energia “Mais um passo para chamar a atenção para a eficiência energética”

Por Jornal Rostos

Na abertura da conferência, Carlos Santos, vice-presidente do Conselho de Administração da S.energia – Agência Local para a Gestão de Energia do Barreiro e Moita, fez menção ao facto de a Agência promover a iniciativa quando assinala os seus seis meses de existência e a respeito da existência de Agências de Energia, expressou: “daqui a alguns anos vamos estar a pensar mais numa Agência de Energia da Península de Setúbal”. Dos seis meses de vida da S.energia, destacou o programa de formação de peritos qualificados para dar cumprimento ao novo Sistema de Certificação Energética de Edifícios e da Qualidade do Ar Interior, em vigor desde o passado dia 1 de Julho de 2007, uma iniciativa levada a cabo em conjunto com o Instituto Politécnico de Setúbal. E falou no processo de identificação de edifícios públicos para se proceder à auditoria energética nos dois municípios, Barreiro e Moita.

“Em todas as fases da vida, primeiro aprendemos, para depois aprendermos a ser”

Na primeira parte da conferência, sob o tema: “A sociedade e a Energia”, o professor Carvalho Rodrigues, conhecido como o “pai” do primeiro satélite português, fez uso da sua oratória, onde o humor se fez presente, e chamou a atenção para a importância de se “aprender a ser”, ao que insistiu que “em todas as fases da vida, primeiro aprendemos, para depois aprendermos a ser”. Uma aprendizagem que diz ser contínua em todas as áreas da vida. E tendo em conta que a “Energia é igual à Energia vezes o Tempo e também o desperdício dele”, chama a atenção para a necessidade de a humanidade aprender “a fazer menos desperdício”. Num discurso em que falou de biocombustíveis, inovações, mas também no uso de meios de transporte mais primordiais, como a canoa, alertou ainda para a necessidade de se “aprender que o nosso Universo é a nossa casa” e considerando que “não há nenhum sistema que dure para sempre”, a colonização de outros planetas foi uma ideia que deixou no ar.

Programa Operacional Regional de Lisboa “um catalizador” associado a “uma lógica de complementaridade com outros investimentos públicos ou privados”

Ainda na primeira parte da conferência, o engenheiro Moura de Campos falou dos apoios financeiros à Eficiência Energética, restringindo-se ao Programa Operacional Regional de Lisboa (POR Lisboa) de 2007-2013, um Planeamento Estratégico que elege como apostas estruturantes, as temáticas da Inovação e Conhecimento, da Sustentabilidade Ambiental (incluindo a eficiência energética) e da Coesão Social para as áreas da Grande Lisboa e da Península de Setúbal. Uma “região diferente do resto do país”, onde sublinha que “o PIB está muito próximo do da média comunitária”. De apoios comunitários sublinha que a região “deixa de receber 5 por cento dos Fundos Comunitários que vêm para o país, para passar a receber 2,3 por cento”. E considerando que o POR Lisboa é “um catalizador”, alerta para o facto de estar associado a “uma lógica de complementaridade com outros investimentos públicos ou privados” para a região.

Eco Bairros – “é um projecto que a CCDRLVT pretende investir a curto prazo”

Com a redução significativa dos fundos estruturais para os próximos sete anos e com uma nova realidade territorial, em que a Região de Lisboa passou a ser constituída apenas por duas NUTSIII (Grande Lisboa e Península de Setúbal), sublinha que a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região de Lisboa e Vale do Tejo (CCDRLVT) elaborou uma nova Estratégia Regional para o horizonte de 2020, que assenta em quatro eixos, sendo eles: a Competitividade, a Dinâmica Territorial, a Dinâmica Social e a Governabilidade. No segundo eixo, a Dinâmica Territorial que tem por objectivo: “articular e conectar Lisboa, interna e externamente, através de um desenvolvimento territorial sustentado e qualificado”, adianta que uma das medidas passa pelo apoio aos Eco Bairros, comentando: “é um projecto que a CCDRLVT pretende investir a curto prazo”.

EcoCasa – Quercus ajuda as pessoas a poupar energia nas suas habitações

Da Quercus, Ana Rita Antunes falou do projecto EcoCasa, uma iniciativa que diz ter surgido em 2004 pela consciência da ligação existente entre a área da energia e do ambiente. O projecto teve em conta a medição da eficiência energética no sector doméstico, com o objectivo de ajudar as pessoas a poupar energia nas suas habitações, ao que a engenheira alertou para a importância do “papel de todos, no poupar energia”. O projecto, numa primeira fase, incluía um portal na Internet onde consta a informação “de tudo o que consome energia dentro de casa” e que diz ter sido “bastante procurado”, contando com 3,500 mil visitas por mês, desde o seu lançamento. Na segunda fase procedeu-se à visita a casas de família para ajudar a reduzir os consumos energéticos, através da mudança de comportamentos. A anulação de consumos em stand-by e off-power, através do desligar de electrodomésticos como a televisão ou leitor de vídeo e DVD; a substituição de lâmpadas incandescentes por lâmpadas de alta eficiência e a troca por equipamentos mais eficientes e de baixo consumo foram algumas das medidas aconselhadas.

“Cada um de nós, com a alteração de comportamentos, pode contribuir para a redução do problema do aquecimento global”

Do projecto, Ana Rita Antunes fala de melhorias acentuadas que se reflectem numa média de 10 por cento de redução de potencial no consumo de energia eléctrica em relação ao consumo de electricidade anual das famílias. E do impacto das recomendações disse ainda que se todas as famílias em Portugal conseguissem reduzir esses 10 por cento, verificava-se uma redução de 1,2 TWH/ano, e nesse sentido acrescenta que “as emissões produzidas corresponderiam a cerca de 1 por cento das emissões do ano de 1990, ano base para o cumprimento do Protocolo de Quioto”, o que a leva a comentar: “cada um de nós, com a alteração de comportamentos, pode contribuir para a redução do problema do aquecimento global”. Ana Rita Antunes falou ainda de outro projecto, desta vez em parceria com a TNT para acompanhar 100 famílias por ano, durante três anos, e que vai também analisar a vertente da mobilidade, “de forma a tentar reduzir a utilização do transporte individual”, sublinha. E fez menção ainda a um site que divulga os equipamentos mais eficientes do mercado e que se encontra na morada: www.topten.pt.

Arquitectura bioclimática – adapta-se ao ambiente físico, social e cultural envolvente

Na segunda parte da conferência, dedicada ao tema: “A importância da Energia na Cidade”, o arquitecto João Marques, da S.energia, falou da Energia nos Edifícios e no Sistema de Certificação Energética e da Qualidade do Ar Interior dos Edifícios (SCE), que entrou em vigor no dia 1 de Julho de 2007, como transposição para Portugal da Directiva Europeia 2002/91/CE e que funciona em articulação com dois regulamentos aplicados na construção civil: o Regulamento das Características de Comportamento Térmico dos Edifícios (RCCTE) e o Regulamento dos Sistemas Energéticos de Climatização em Edifícios (RSECE). João Marques chamou a atenção para a importância da “optimização do desempenho energético” nos edifícios, através da utilização da arquitectura bioclimática que se adapta ao ambiente físico, social e cultural envolvente. A importância do aproveitamento da energia solar foi sublinhada pelo arquitecto que comentou: “Portugal é um dos países bastante banhados pelo sol”.

Ter edifícios com “um desempenho energético mais eficiente que se reflicta nos índices de sustentabilidade e de conforto dos cidadãos”

Nuno Banza, administrador-delegado da Agência S.energia, sublinhou que num período “tão curto de existência da agência” foi possível eleger a energia dos edifícios como uma das questões que merecia “uma atenção especial”, tendo em conta a preocupação de ter edifícios com “um desempenho energético mais eficiente que se reflicta nos índices de sustentabilidade e de conforto dos cidadãos”. Referindo que, tendo em conta que em Portugal os “edifícios certificados têm, na sua generalidade, o compromisso dos requisitos mínimos exigidos”, não deixa de manifestar a sua satisfação por ver no Barreiro e na Moita o surgimento de dois projectos com classificação energética Classe A, o que diz estar no “no topo daquilo que é o resultado prático energético europeu”.

1ºedifício“Classe A” na Moita – “elevado conforto térmico e qualidade de ar”

Sérgio Saraiva e Luís Murteira, da FESTO – Arquitectura, os autores do projecto do primeiro edifício que obteve no concelho da Moita a certificação energética “Classe A”, falaram do projecto que se localiza na zona do Cabeço Verde, entre a Estrada da Moita e a de Santo António e que dizem contemplar 18 lotes e 36 fogos. Sérgio Saraiva chamou a atenção para o facto de serem habitações de “elevado conforto térmico e qualidade de ar” e alertou para a importância de haver cada vez mais “uma coordenação da parte dos engenheiros e arquitectos” na implementação dos projectos urbanísticos. Em relação à SCE, Luís Murteira sublinhou que o “projecto térmico” foi uma das bases do empreendimento e chamou a atenção para a existência de um conjunto de requisitos para essa finalidade, falando da importância da envolvência do exterior e interior da habitação; das águas quentes sanitárias, através da introdução de painéis solares, apoiados com a caldeira de gás natural e da renovação do ar interior pelo uso de ventiladores auto-reguladores.

Preço das habitações – “o resultado final vai ser mais 10 por cento”

Questionados com o custo que acarreta a construção de edifícios com este tipo de características, José Rodrigues, da Macle SA (grupo Macle SA, JAR SA e Rodrigues e Filipe SA), os promotores do projecto, não negou que o preço final será inflacionado: “dentro dos preços que normalmente se pratica, o resultado final vai ser mais 10 por cento”, um valor que considera “não ser muito alto” e que se justifica face ao maior atractivo comercial: “a classificação Classe A”, sublinha.

Plano Nacional de Acção para a Eficiência Energética - “uma janela de oportunidades”

Na sessão de encerramento, Bruno Vitorino, presidente do Conselho de Administração da S.Energia, lembrou que Portugal importa cerca de 90 por cento da energia que consome, o que o torna “extremamente dependente da especulação”, situação que aliada à conjuntura económica internacional desfavorável, pelo aumento do preço do petróleo, diz “obrigar a um grande esforço”. Nesse contexto, falou do Plano Nacional de Acção para a Eficiência Energética, aprovado no passado dia 17 de Abril, e que entende ser “uma janela de oportunidades” que permite apoiar medidas de melhoria de eficiência energética. Considera que o Plano poderá ter visibilidade também na alteração de comportamentos nos cidadãos e nas actividades consumidoras de energia, tanto nos transportes, através de programas de mobilidade sustentável, como na indústria, através de programas de sustentabilidade energética e a estas medidas, acrescenta a CSE. “Linhas de acção” que considera serem “ muito necessárias”. Não deixou ainda de advertir que pela sua importância não “podem cair nos vícios da burocratização”, ao que fez menção à necessidade de uma “agilização dos processos”.

“Já é possível dizer que há um ganho na eficiência energética no distrito”

Dos dois projectos de Classe A, que surgiram nos concelhos do Barreiro e da Moita, o presidente do Conselho de Administração da S.Energia diz ser “uma resposta ao pensar globalmente e agir localmente”. E diz ser com “natural orgulho” que vê surgir estes empreendimentos, não deixando também de fazer referência à parceria com o Instituto Politécnico de Setúbal, no programa de formação para dar cumprimento ao SCE, o que o leva a expressar: “já é possível dizer que há um ganho na eficiência energética no distrito” e que considera ser “um salto importante para o desenvolvimento sustentável” de um futuro que seja “mais sustentável e energeticamente mais eficiente”. Não deixou de agradecer o “esforço e dedicação” dos técnicos da S.energia e expressou: “para continuar a marcar com este trabalho a mudança de comportamentos nestes dois concelhos”.

“Mais um passo para chamar a atenção para a eficiência energética”

O presidente da Câmara Municipal da Moita, João Lobo, entendeu a palestra como “mais um passo para chamar a atenção para a eficiência energética”. Considerando que nesse caminho “cada um tem um papel estratégico”. Da parte da Câmara da Moita sublinha que procura “dar o exemplo”, através das políticas de ordenamento territorial e de actividades de sensibilização junto da população. Fez menção à programação das auditoria energética nos edifícios municipais, à renovação da frota municipal, o que diz ter resultado na aquisição em 2008 de veículos mais eficientes, à construção de uma rede de ciclovia que diz abranger 60 por cento dos 20 quilómetros de frente ribeirinha do concelho da Moita, da participação no Projecto TRAMO e da candidatura ao QREN para a valorização da zona ribeirinha, desde a Caldeira da Moita à praia do Rosário.

Acções de formação no âmbito da eficiência energética nos edifícios “seja alargada aos técnicos que interagem nos municípios”

O presidente da Câmara Municipal da Moita lembrou ainda a comemoração do Dia Mundial do Ambiente, a 5 de Junho, que diz ser este ano dedicado às energias renováveis, o que entende ser “demonstrativo do empenho da Câmara Municipal da Moita na divulgação e sensibilização para a poupança de energia”. Defendendo que “são os pequenos gestos” que fazem a diferença, entende que “só com a adesão e participação de todos é possível falar de eficiência energética”. Em resposta a uma questão que já tinha sido levantada durante a conferência, defendeu que as acções de formação no âmbito da eficiência energética nos edifícios “seja alargada aos técnicos que interagem nos municípios”.

Andreia Catarina Lopes

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