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Perspectivas

Eco-bairro no Barreiro – Urbanização Casas de Santo AntónioA porta de entrada para a Mata da Machada

Passado um ano da apresentação da Urbanização Casas de Santo António, o “Rostos” foi falar com os arquitectos responsáveis pelo projecto, Miguel Amado e Rosário Ribeiro, que contam que nesta altura estão em construção nove moradias em banda e quatro moradias unifamiliares.

Quanto a vendas dizem que logo após a apresentação do empreendimento “os blocos foram praticamente todos vendidos”. Uma urbanização chamada de Eco-bairro, na qual a preocupação ambiental é marca presente desde a concepção do projecto, até à fase de utilização e com o intuito de fazer uso das energias renováveis.

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Eco-bairro no Barreiro – Urbanização Casas de Santo António A porta de entrada para a Mata da Machada

Por Jornal Rostos

Em relação às vantagens ambientais do empreendimento, Miguel Amado refere que o projecto teve em conta elementos relativos aos recursos naturais e às variáveis climáticas e específicas do local. Assim, diz terem conjugado a “qualidade de ar interior, a qualidade energética, ao nível de eficiência energética”, ao que comenta: “porque estes edifícios são os primeiros a serem feitos aqui, por nós, que têm um ‘casaco’ que é todo um isolamento térmico” e que resulta da própria orientação dos edifícios: “Quando projectamos, projectamos nas orientações solares dos edifícios”.
O isolamento térmico diz ser complementado por “vidros que absorvem a radiação directa mas filtram também os raios infra-vermelhos”, o que evita o aquecimento intenso e simultaneamente faz o aproveitamento da luminosidade, de modo a evitar o uso inadequado da energia eléctrica: “Trabalhamos com um nível de eficiência A+, os nossos consumos andam sempre abaixo dos 50 por cento do que é esperado”.

“Uma porta de entrada para a Mata da Machada”

Outra característica marcante é a vegetação, Miguel Amado fala na colocação de barreiras vegetais, em vez de muros: “pela primeira vez aqui no concelho vai haver moradias, que no perímetro do seu lote, não têm muros, têm só vegetação”. Sobre este assunto, a arquitecta Rosário Ribeiro, responsável pelo desenho urbano, chama a atenção para o facto de a urbanização “funcionar como uma porta de entrada para a Mata da Machada” e sublinha a preocupação de a própria urbanização reflectir essa proximidade, onde cerca de 70 por cento dos terrenos são naturais e onde os pavimentos são porosos “o que permite a infiltração”.

“Têm a vantagem de ter a vista, da boa insolação e têm também a vantagem da ventilação transversal”

Miguel Amado fala ainda no facto de as árvores colocadas não necessitarem de sistema de rega automática: “estão agora a ser regados no início e depois é igual à Mata da Machada, quando chover, rega-se”. E ainda sobre a proximidade com o chamado “pulmão do Barreiro”, sublinha que os edifícios foram todos desenhados de forma a terem vista para o verde: “É como se estivéssemos voltados para a Mata da Machada”. E sobre esta orientação a sul, Rosário Ribeiro sublinha que “que do ponto de vista energético é o essencial” e acrescenta: “Têm a vantagem de ter a vista, da boa insolação e também da ventilação transversal”.

Projecto de qualidade do ar interior

O empreendimento conta também com a aposta na renovação do ar: “todos os espaços têm entrada de ar e saídas centralizadas nas casas de banho e na cozinha, de modo a que não haja acumulação de poeiras”. E apesar de em Portugal já existir a certificação energética, mas que só vai entrar em vigor no dia 1 de Julho de 2008, o arquitecto sublinha que a Urbanização Casas de Santo António, um projecto já com dois anos, foi feito segundo essas premissas, que decorrem da directiva comunitária: “andamos um pouco mais à frente para ter alguma inovação, porque hoje em dia quase tudo já existe, é preciso é saber utilizá-lo da maneira mais eficiente”, comenta.

A escolha dos materiais

O próprio material utilizado nos edifícios é outra particularidade apontada por Miguel Amado, ao que explica: “quanto mais ‘rijo’ for o edifício, maior isolamento tem aos ruídos aéreos” e acrescenta que na procura dos materiais tiveram em conta o facto de que o seu processo de fabrico tenha o “selo verde”, prática que diz já ter levado a que os apelidassem de “os chatos das marcas”. Já Rosário Ribeiro conta que na escolha dos materiais foi tido em conta a preocupação ecológica, dando o exemplo de as madeiras utilizadas serem de florestas controladas, imbuído na preocupação da preservação do ambiente e também tendo em atenção o facto de os materiais não virem de longe, também pelos custos de transporte. E de modo a que as funcionalidades das habitações possam ser usufruídas da melhor forma pelos seus moradores, cada um dos edifícios dispõe de um manual de utilização e de manutenção, questão que a arquitecta Rosário Ribeiro considera ser importante, ao que adverte: “Até porque essas habitações ao reagirem ao meio ambiente, se forem mal utilizadas, também podem reagir mal, têm de ser bem utilizadas, as pessoas têm de deixar entrar a luz na altura certa e têm de impedir que ela entre na altura certa”.

Eco-bairros – futuro da urbanização em Portugal

Da urbanização, Rosário Ribeiro diz que logo na sua apresentação “os blocos foram praticamente todos vendidos” e o facto de passar a ser conhecido como um Eco-bairro também diz ser um sinal do reconhecimento da importância destas infra-estruturas em termos ambientais. E quando questionada se os Eco-bairros serão o futuro da urbanização em Portugal, a arquitecta é peremptória: “não pode ser de outra maneira”, e comenta: “Têm a ver mesmo com uma questão de necessidade, não podemos continuar a consumir recursos que não são inesgotáveis”, ao que chama a atenção para a necessidade de se “usar de forma inteligente os recursos de que dispomos”.

Preocupação social

Sobre os Eco-bairros, Miguel Amado acrescenta ainda que, se nos anos 70 a grande questão passava pela utilização de energias renováveis, hoje passa também pela componente social e económica e acrescenta: “daí que pusemos diferentes tipos de moradias”, ao que faz menção também à inclusão das praças públicas “onde pusemos circuitos ecológicos para as pessoas andarem a pé e conviverem”. Com o intuito que “diminuam as tensões sociais, para que não haja problemas de exclusão, de violência ou de segregação”. Sublinha ainda o facto de haver a preocupação de que a urbanização se dirija a diferentes públicos, ao que adianta: “Porque o projecto está todo modelado, estruturado e compatibilizado e sai mais barato, é mais eficiente e mais rápido de se fazer, porque se sabe exactamente o que se vai fazer”. Uma infra-estrutura em que salienta: “Reaproveitamos tudo”, o que diz ter acontecido inclusivamente com as terras: “não tivemos de deitar terras fora, reaproveitámo-las para os jardins.”

Andreia Catarina Lopes

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