“Á conversa com o Presidente” da Câmara do BarreiroMédicos defendem a definição de uma estratégia de saúde para o Barreiro
Quimiparque - “maior projecto do Barreiro que vai permitir saber se o Barreiro vai ou não ser uma nova centralidade”
Possibilidade de o Porto de Lisboa trazer actividades para a Quimiparque
Intervenção na passagem desnivelada na Avenida Miguel Bombarda “pensamos faze-la ainda neste mandato”
Ontem decorreu, na Galeria Municipal de Arte, a primeira de uma série de conversas promovidas pela Câmara Municipal do Barreiro para a “auscultação da população”. Desta feita, a iniciativa “Á conversa com o Presidente” foi dirigida à classe médica que sublinhou a importância da área da saúde para o desenvolvimento da região, assim como se mostraram preocupados com a falta do que dizem ser uma “estratégia de saúde” para o Barreiro.
O médico Eduardo Xavier considerando que “a autarquia deve ter uma quota-parte activa na gestão ao nível da saúde”, chamou ainda a atenção para o facto de existirem no Barreiro muito profissionais de saúde que estão disponíveis para ajudar na definição dessa estratégia.

Por Jornal Rostos
A começar a conversa, o presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Carlos Humberto, disse tratar-se de uma iniciativa que visa a “auscultação da população” sobre o desenvolvimento do Barreiro, para falar com vários sectores da sociedade sobre: “O que queremos para o Barreiro”.
“Queremos que o Barreiro volte a ser uma centralidade”
E num encontro que juntou médicos do concelho, o edil barreirense, defendendo: “Queremos que o Barreiro volte a ser uma centralidade”, considerou ser esse um contributo para a construção da cidade de duas margens polinucleada, “a cidade região que o país precisa”, sublinha, fundamentando que é preciso que “Lisboa se assuma como uma grande capital europeia” o que só pode ser consolidado “se se alargar para sul”, reiterando que o “Barreiro está em condições de assumir essa centralidade”. Uma “centralidade natural” que diz que o concelho tinha “há 20 anos atrás” e que se perdeu “com o desaparecimento das fábricas, com a construção da ferrovia na Ponte 25 de Abril e com a construção da Vasco da Gama” e agora “tem de ser invertida” e sublinha: “não se pode pensar que se constrói o desenvolvimento do território com uma medida.”
Centro do Barreiro – no primeiro andar do Mercado irá funcionar o Espaço J
Para o desenvolvimento do Barreiro falou de um conjunto de prioridades, destacando a “Participação, Democracia e Cidadania”, a aposta na educação, formação e emprego e na saúde e protecção civil. Áreas que diz serem essenciais ao desenvolvimento. Quanto ao que chama de “questões mais físicas”, fez menção a um conjunto de intervenções. Falou da renovação do centro do Barreiro: “consolidar, alargar e reforçar o centro e começar a intervir no Barreiro Velho”, expressou, sublinhando que as intervenções visam alargar o centro e não deslocá-lo. Nesse âmbito, falou no novo Mercado Municipal que diz que possivelmente vai ter um horário alargado e uma praça que funciona como ponto de encontro e no primeiro andar irá funcionar o Espaço J, “para ajudar a dar vida a este lugar”, sublinha, que chama de “a principal praça do Barreiro”. Falou ainda numa intervenção que vai ser feita na passagem desnivelada na Avenida Miguel Bombarda, onde vai ser colocada iluminação e painéis de azulejos “pensamos ainda neste mandato”, sublinha. E estima que todas as intervenções no centro do Barreiro estejam prontas em 2009.
Recuperação das frentes ribeirinhas – IMPAR, ETAR, Polis
A recuperação das frentes ribeirinhas é outro elemento que destaca para o desenvolvimento do Barreiro, fazendo menção à reabilitação e reforço da muralha da Avenida Bento Gonçalves; ao Polis, onde levantou o véu: “quando vierem notícias da 3ª travessia do Tejo, teremos novas notícias em relação ao Polis”; à ETAR Barreiro/Moita e à IMPAR, sobre a qual comentou: “antes das férias esperamos concluir a visão global de toda a zona ribeirinha do Barreiro, de Barra a Barra até Coina.”
Gare do Sul - “uma estação com dimensão”
A respeito da mobilidade, falou na ponte rodo-ferroviária Barreiro/Chelas, salientando: “em princípio não tem praça de portagens”, o que diz ser uma questão “muito importante, do ponto de vista do território”, uma vez que sublinha que o Barreiro é um concelho de pequena dimensão. Defendendo a localização no Barreiro de “uma estação com dimensão”, fez menção à Gare do Sul, uma designação que diz surgir “em contraponto à Gare do Oriente” e para a qual existem duas alternativas quanto à sua localização, na Escola Álvaro Velho ou na Estação dos Transportes Colectivos do Barreiro (TCB), a opção que o presidente da Câmara diz defender, até porque sublinha que o espaço é maior, não causa tanto impacto no território e acrescenta: “assim estamos a entrar no território da Quimiparque”.
Vias rodoviárias que têm de ser construídas
Garantida a Ponte Barreiro/Seixal, a Oficina de Alta Velocidade que deverá localizar-se na zona da Cidade Sol ou Cabeço Verde e, ainda que não com tantas certezas, a chegada do Metro Sul do Tejo ao Barreiro, o edil barreirense chama a tenção para a necessidade de um conjunto de vias rodoviárias: uma via paralela ao IC21, o prolongamento da Rua de Maputo, dois atravessamentos no território da Quimiparque, o prolongamento da Avenida Calouste Gulbenkian para os Fidalguinhos e acrescentou: “tem de se transformar a via-férrea que vem do Lavradio até às Oficinas na única alameda do Barreiro, o que quer dizer que o comboio fica no Lavradio”. E fala ainda na construção de rotundas, uma que ligará a Avenida da Liberdade ao prolongamento da Rua de Maputo e outra na ligação entre a Avenida Fuzileiros Navais com a Calouste Gulbenkian e outra na freguesia de Santo André, perto do Centro de Saúde. Sobre estas necessidades sublinha que pretende estabelecer contacto com o ministro das Obras Públicas, uma vez que sublinha que é necessário também ter em conta a questão da segurança: “com estas infra-estruturas todas a serem feitas ao mesmo tempo é preciso ver em termos de segurança como estamos preparados para isso”.
Quimiparque - “maior projecto do Barreiro que vai permitir saber se o Barreiro vai ou não ser uma nova centralidade”
Do plano de urbanização para a Quimiparque diz que “inclui também o Bairro das Palmeiras e zonas adjacentes” e considera-o o “maior projecto do Barreiro que vai permitir saber se o Barreiro vai ou não ser uma nova centralidade”. Fala de um “território para viver e trabalhar”, defendendo que se torne “num suporte de desenvolvimento económico que crie emprego”. Ainda sem certezas, referiu que existe a possibilidade de a Administração do Porto de Lisboa poder vir a trazer actividades para este espaço e da passagem do actual Terminal Rodo-Ferro-Fluival para a Quimiparque e acrescentou: “consideramos que o Tejo é a melhor via que existe” e, nesse sentido, realça a importância de “valorizar os transportes fluviais e o Tejo e Coina”.
Necessidade de uma “estratégia de saúde” para o Barreiro
Na plateia, a classe médica sublinhou a importância da saúde para o desenvolvimento de qualquer território e defendeu a definição de uma “estratégia de saúde” para o Barreiro, considerando que o Hospital do Barreiro deve fazer uso da proximidade que vai resultar da construção da Ponte Barreiro/Seixal e, nesse âmbito, chamaram a atenção também para a necessidade de ser reformulada a sua área de influência.
“A autarquia deve ter uma quota-parte activa na gestão ao nível da saúde”
O médico Eduardo Xavier considerou ainda que: “a autarquia deve ter uma quota-parte activa na gestão ao nível da saúde”, defendendo: “deve ter uma postura activa em exigir ao Conselho de Administração do hospital uma definição na estratégia do Hospital do Barreiro a curto, médio e longo prazo”, chamando a atenção para a importância de o hospital ter uma definição em termos de diferenciação relativamente aos outros hospitais do distrito de Setúbal, até porque sublinha: “O Hospital do Barreiro, em termos estratégicos e assistências para a Península de Setúbal, tem perdido em relação ao Garcia da Horta e São Bernardo e é necessário que isso se reverta”, sublinhando que no Barreiro existem muito profissionais de saúde que estão disponíveis para ajudar na definição dessa estratégia. Questionou ainda em que situação estava o Observatório Local da Saúde, questão que o presidente da Câmara disse esperar “fazer a primeira reunião antes das férias”.
Importância de se “discutir a política dos cuidados primários de saúde”
Por sua vez, Janeiro Neves chamou a atenção para a importância de se “discutir a política dos cuidados primários de saúde”, considerando: “não podemos ter hoje a megalomania de ter hoje grandes hospitais como havia”. Teresa Xavier questionou se o Barreiro já começava a ser “apetecível a estruturas privadas de saúde”, ao que o presidente da Câmara respondeu: “já tivemos dois ou três contactos mas não foram muito sustentáveis”.
Defendendo a importância da saúde para o desenvolvimento do concelho, o presidente da Câmara do Barreiro reconheceu a necessidade de “construir uma estratégia da câmara para a saúde que neste momento não temos” e acrescentou: “é necessário que o Hospital se prepare para as situações que aí vêm”.
Andreia Catarina Lopes













