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Perspectivas

Barreiro - Escola Secundária de Santo AntónioProjecto Cidade Jovem de “portas abertas” à comunidade

“Quanto mais se conhece as culturas mais se aceitam a eles próprios e aos colegas”

“É bom ver os jovens a crescer, alguns que já estão na universidade e é bom ver até que ponto a nossa intervenção possa ter contribuído para isso”

Já há sete anos que a actual Escola 2,3 com Secundário de Santo António dispõe de um Projecto que promove o sucesso escolar, a interculturalidade e a igualdade de oportunidades. Hoje tem por nome “Projecto Cidade Jovem” e para além de promover as actividades junto dos alunos, está de “portas abertas” à comunidade, disponibilizando cursos de informática e apoio através do Atendimento Psico-Social.

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Barreiro - Escola Secundária de Santo António Projecto Cidade Jovem de “portas abertas” à comunidade

Por Jornal Rostos

O “Projecto Cidade Jovem” é um projecto financiado pelo Programa Escolhas para a Cidade Sol e se inicialmente estava essencialmente vocacionado para a prevenção da delinquência juvenil, hoje passou a trabalhar com a população desfavorável. Resultado de uma parceria da Escola com a Câmara Municipal do Barreiro, a Junta de Freguesia de Santo António, a CPCJ, o CATICA e a Persona, O “Projecto Cidade Jovem” desenvolve actividades ao longo do ano para os alunos das oito escolas do Agrupamento de Escolas Santo António da Charneca, mas também está de “portas abertas” à comunidade, disponibilizando cursos de informática e apoio através do Atendimento Psico-Social.

“Quanto mais se conhece as culturas mais se aceitam a eles próprios e aos colegas”

Sónia Garrucho, a coordenadora, é psicóloga e está no projecto desde o seu início e aponta três como os grandes objectivos do “Projecto Cidade Jovem”. Dentro da escola fala essencialmente na aposta na diminuição do insucesso e abandono escolar, o que diz ser feito com os jovens, de uma forma individual ou até com as famílias. E tendo em conta o facto de a escola ser uma escola multicultural, onde diz que coabitam “14 nacionalidades diferentes”, outra vertente a dar realce diz ser a questão da interculturalidade, e sublinha “para além do nosso Projecto estar dentro do Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural, considerámos que era importante que os jovens tivessem uma apropriação mais fiel das suas culturas e das culturas dos outros”, até porque entende que: “quanto mais se conhece as culturas, mais se aceitam a eles próprios e aos colegas”. Já o terceiro objectivo, que passa por dotar as pessoas de igualdade de oportunidades, envolve também a comunidade e é feito essencialmente através dos cursos de informática: “Consideramos que a partir do desenvolvimento de competências em TIC (Tecnologia da Informação e Comunicação) estamos a contribuir e a promover a igualdade de oportunidades quer nos jovens, que nos adultos”.

Escola aberta à comunidade

Fátima Correia tem 45 anos, é doméstica e veio por iniciativa própria frequentar o curso de Iniciação à Informática do Centro de Inclusão Digital (CID) Escola 2,3 com Secundário de Santo António, uma ferramenta do projecto que abre as portas da escola à população. Quanto à razão que a trouxe a frequentar as aulas, diz: “sentia-me a certo ponto “analfabeta”, porque hoje em dia todas as pessoas percebem de computadores e quem não percebe, faz por isso”. Desse modo, não se fez rogada e já está disponível para frequentar outros cursos e quanto ao que gosta mais de fazer no computador é peremptória: “Internet”.

“As TIC têm sido uma aposta nossa e acho que uma aposta ganha”

Sobre o CID, Sónia Garrucho diz que dispõe de 12 actividades diferentes ao nível das novas tecnologias, “um espaço aberto para os jovens na escola mas também para a comunidade”, sublinha e onde os cursos são certificados pela Microsoft. Na escola, considerando que “muitas vezes estes jovens até não têm dificuldades de aprendizagem, mas não estão motivados para a escola”, entende que essa motivação pode passar pelo computador: “as TIC têm sido uma aposta nossa e acho que uma aposta ganha, porque eles aderem muito bem a tudo o que sejam novas tecnologias”. Quanto aos cursos abertos à comunidade comenta: “temos sempre em simultâneo dois cursos para adultos porque tem havido uma grande procura”.

Atendimento Psico-Social - “um gabinete onde as pessoas (…) são ouvidas”

O projecto abre-se à comunidade também através do Atendimento Psico-Social “um gabinete onde as pessoas se podem dirigir livremente e gratuitamente e onde são ouvidas” e que presta apoio actualmente a cerca de 120 pessoas, imigrantes e portugueses. Do tipo de apoio prestado, diz ser o mais variado, referindo que a simples leitura de uma carta pode ser uma forma de ajudar alguém, “coisas comuns que para muitas dessas pessoas não são assim tão simples”. Mas refere que as razões mais frequentes que levam as pessoas a procurar ajuda neste gabinete estão relacionadas com a imigração, procura de emprego, problemas económicos ou jovens que deixaram de estudar e procuram novas oportunidades de formação. Depois fala também de um trabalho de encaminhamento para outras entidades quando percebem que as necessidades não podem ser ali satisfeitas.

Actividades para diminuir o insucesso escolar

No trabalho com a comunidade escolar realça as várias actividades disponíveis, com o intuito de diminuir o insucesso escolar, desde o apoio psico-pedagógico individual; a “Hora do estudo”, através da promoção de hábitos e métodos de estudo que ensina “como aprender a estudar”; a “Hora virtual”, uma aula no computador com conteúdos escolares e as Actividade de Enriquecimento que pretendem motivar os alunos para a prática da escola. Fala também na importância da mediação familiar: “como alguns dos nossos jovens não têm um grande acompanhamento familiar, o que fizemos foi o colmatar desse problema”, constituindo os intermediários na relação aluno, família e escola.

“Não fazemos actividades de tempos livres sem estarem enquadradas com outro tipo de trabalho”

E quando se aproximam as férias lectivas, fala da aposta do projecto nas Actividades de Férias de Verão que decorrem de 30 de Junho até 29 de Agosto. Percursos de orientação, gincanas desportivas, aula de windsurf e canoagem na Praia do Meco, ateliers de gastronomia são algumas das actividades que os jovens podem participar mas para isso têm de se inscrever nas aulas de informática, ao que adverte: “não fazemos actividades de tempos livres sem estarem enquadradas com outro tipo de trabalho” e acrescenta: “consideramos que essas actividades são importantes e motivadores mas têm de fazer por as merece”, ou como sublinha “têm de as conquistar”.

“ (…) Já conhecemos gerações de irmãos e as pessoas cada vez mais aderem às actividades”

“O Projecto Cidade Jovem” é composto por um equipa de três elementos, para além de Sónia Garrucho, Margarida Silva é a responsável pelo Atendimento Psico-Social e Tânia Talete, a monitora do CID. Um projecto em que Sónia Garrucho realça a importância do “trabalho em rede” com outras instituições, ou com “outros técnicos”, como prefere dizer, pelo envolvimento e proximidade que se estabelece entre as entidades envolvidas. E dos sete anos que passaram, traça um “balanço muito positivo”: “as pessoas já nos conhecem e nós já conhecemos gerações de irmãos e as pessoas cada vez mais aderem às actividades” e acrescenta: “É bom ver os jovens a crescer, alguns que já estão na universidade e é bom ver até que ponto a nossa intervenção possa ter contribuído para isso.”

Andreia Catarina Lopes

Blog do Projecto “Cidade Jovem”: http://www.cidadejovempe.blogspot.com

Inscrição nos Cursos de Informática para jovens e adultos através dos contactos:
Telefone – 922 047 137
Mail – cidadejovempe@gmail.com
Escola Básica 2/3 com Secundário de Santo António: 212 150 072






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