Centro de Reformados e Idosos do Vale da Amoreira – Moita“Chegamos a ter aqui os bisavós ou tetravós”
A partir de Outubro passa a prestar apoio domiciliar 24 horas consecutivas
Ana Sofia Faria é directora técnica do Centro de Reformados e Idosos do Vale da Amoreira (CRIVA), uma IPSS que desenvolve um sem número de valências não apenas para os idosos e para as crianças, mas para toda a comunidade e onde diz chegarem a ter quatro gerações “chegamos a ter aqui os bisavós ou tetravós”.
Numa altura em que se aproxima o seu 23º aniversário, a 18 de Julho, enquanto associação reconhecida oficialmente, alerta para o facto de existirem listas de espera em todas as valências, falando, por isso, na falta de espaço para poder dar resposta a essas situações.

Por Jornal Rostos
Ana Sofia Faria fala do centro como um local que diz ser “de desenvolvimento das pessoas e para as pessoas” e onde diz que se resolvem “muitos problemas do dia-a-dia” que passam pela saúde e pelo isolamento que atinge sobretudo a população mais envelhecida.
Necessidade de um fiador para levar a cabo o projecto da valência de creche
Da freguesia que diz que “mais crianças tem”, conta que se candidataram ao Programa Pares para a construção de um creche para 33 crianças entre os três meses e os três anos que foi aprovado e para o qual já existe financiamento da Administração Pública, no entanto, adianta que esse projecto ainda está pendente pela falta de um fiador, uma vez que diz que o centro não dispõe de espaços seus e por isso “não há garantia real” para o empréstimo que seria necessário para levar a cabo o projecto. Uma situação para a qual alerta: “se perdermos esta infra-estrutura é o concelho que perde”. Adiantando que o objectivo para este espaço seria: “rentabilizar equipamentos, quer durante a noite, quer ao fim-de-semana com respostas que sabemos que são necessidades da freguesia”.
A partir de Outubro passa a prestar apoio domiciliar 24 horas consecutivas
Conta ainda que a partir de Outubro, resultado de acordos com a Segurança Social para o Apoio Domiciliar, vão passar a prestar apoio domiciliar nocturno e sublinha a importância desses acordos que para além de permitirem “abrir a mais pessoas esse serviço, vai permitir-nos reestruturar o serviço da Empresa de Inserção SERVIVALE, que vai permitir fazer o apoio domiciliário nocturno” e acrescenta: “vamos ter um grupo de pessoas que vão poder ficar em suas casas e vamos poder fazer o apoio domiciliário durante as 24 horas consecutivas”.
Valências para proporcionar o “bem-estar à população mais idosa”
Com o objectivo de proporcionar o “bem-estar à população mais idosa, para que possa desenvolver projectos de vida”, o CRIVA dispõe de um Centro de Convívio, uma valência para 60 utentes e que presta apoio médico e cuidados de enfermagem; o Centro de Dia para 40 utentes, destinada a situações de risco ou de perda de independência e de um Gabinete de Apoio ao Utente, disponível a toda a população com mais de 65 anos das freguesias do Vale da Amoreira, Baixa da Banheira e Alhos Vedros, que para além de ser um local que esclarece os direitos dos cidadãos, presta apoio através do Complemento Solidário para Idosos (CSI).
CRIVA aberto à comunidade
O CRIVA dispõe ainda de um espaço para os mais pequenos, o Centro de Actividades de Tempos Livres VI.V.A (CATL) que desenvolve actividades para as 60 crianças dos 5 aos 12 anos que frequentam o espaço. E para além desta valência, o centro está aberto a toda a comunidade, através da Empresa de Inserção SERVIVALE, que para além de promover o desenvolvimento local e a empregabilidade, presta serviço de apoio domiciliário e do Espaço VI.V.A INFOINCLUIR, um serviço gratuito que promove o acesso às novas Tecnologias da Informação e à Internet, desenvolvido no âmbito do Programa “Clique Solidário” que permitiu a aquisição de um Diploma de Competências básicas em Tecnologias da Informação (DCB) a mais de mil pessoas, conta a directora técnica do centro. Hoje, refere que esse espaço está a ser reformulado, uma vez que o Programa “Clique Solidário” já terminou, mas conta que pretendem continuar com o atelier de informática que diz tratar-se de uma área muito solicitada: “desde os 8 aos 80 anos, todos têm interesse na informática”. Nesse espaço, fala também de outros três ateliers, o de culinária, o de artes e o de música e acrescenta que dispõem de um espaço de acesso gratuito à informática a toda a população.
Mais perto da comunidade, maior conhecimento das suas necessidades
A directora técnica do CRIVA fala ainda de um outro projecto que é uma competência da Segurança Social e que foi “abraçado” pelo centro e que resulta do apoio através do Rendimento Social de Inserção (RSI) a 220 famílias, que diz “obrigar “ a um plano de inserção para autonomizar as famílias. O facto de ser o CRIVA agora a prestar esse serviço constitui, no entender da técnica, uma mais-valia, por estarem mais perto da população e terem o conhecimento das suas necessidades.
“Se não fosse o CRIVA aqui, acho que a freguesia teria problemas muito mais graves”
Numa freguesia onde fala da existência de uma percentagem da população bastante idosa e de jovens e também de uma população mais carenciada, acrescenta o facto de haver uma grande mobilidade de pessoas: “não se consegue ter bem a ideia de quantas pessoas estão na freguesia efectivamente”, comenta. Por esses factores sublinha a importância desempenhada pelo CRIVA não apenas no apoio aos mais idosos, mas também a toda a comunidade: “Se não fosse o CRIVA aqui, acho que a freguesia teria problemas muito mais graves”.
Necessidade da criação de residências assistidas e de um lar para idosos - “motor de desenvolvimento local, aberto à comunidade”
Da história do CRIVA, Ana Sofia Faria conta que surgiu em 1978 como um centro de convívio e de serviço médico e de enfermagem, dando resposta aos problemas de saúde existentes, pela falta de um Centro de Saúde na freguesia. Com o envelhecimento da população conta que houve a necessidade de ser criada outro tipo de respostas e por isso em 1999 surge o Centro de Dia. Para projectos futuros, fala da necessidade da criação de residências assistidas e de um lar para idosos que constituísse um local “motor de desenvolvimento local, aberto à comunidade”.
Andreia Catarina Lopes













