Saltar para o conteúdo
Perspectivas

Debate o “Mês da Música” nas Festas do Barreiro“No Barreiro sempre houve uma tradição na ligação à música”

Previsto um protocolo com a Irmandade Nossa Senhora do Rosário para que o órgão da Igreja possa vir a ter uma programação anual

No terceiro dia das Festas do Barreiro realizou-se o primeiro dos três debates que este ano acontecem no espaço da MEI. Sob o mote o “Mês da Música”, falou-se da iniciativa chamada: “A Cidade e a Música”, que se desenvolve no concelho do Barreiro, no mês de Outubro, desde 1987. Num debate onde se trocaram ideias sobre a iniciativa, sublinhou-se a importância do evento, assim como a necessidade de ser mais divulgado e de se relacionar mais com as colectividades locais.

O presidente da Câmara do Barreiro entendeu que existe “um conjunto de iniciativas regulares que precisam de ser valorizadas e mais divulgadas” e de “infra-estruturas que é preciso potenciar e aproveitar”.

8 min de leitura
Debate o “Mês da Música” nas Festas do Barreiro “No Barreiro sempre houve uma tradição na ligação à música”

Por Jornal Rostos

No recinto das festas, o primeiro debate levado a cabo pela Câmara Municipal do Barreiro (CMB) incidiu sobre um dos “ingredientes” das Festas do Barreiro, a música, mais concretamente a iniciativa “A Cidade e a Música”, que a vereadora Regina Janeiro, responsável pelo Departamento de Acção Sócio-Cultural (DASC), disse ser “uma iniciativa muito importante”. Tendo surgido em 1987, realiza-se no mês de Outubro, uma vez que é a 1 de Outubro que se assinala o Dia Internacional da Música e segundo a vereadora desenvolve-se “por toda a cidade, em diferentes espaços, com diferentes tipos de música”. As colectividades do concelho, o Auditório Municipal Augusto Cabrita (A.M.A.C.), o Convento da Madre de Deus da Verderena e a Biblioteca Municipal são alguns dos palcos por onde passa a iniciativa.

Facultar de forma democrática o acesso a diferentes expressões musicais

A vereadora Regina Janeiro refere que o grande objectivo de “A Cidade e a Música” passa por “facultar de forma democrática o acesso e execução a diferentes expressões musicais de diferentes épocas”.
E sobre a adesão da população, entende ser “grande”, ao que sublinha: “desde muito cedo que o Barreiro tem uma ligação muito forte à música”, dando os exemplo de que a existência do órgão da Igreja de Nossa Senhora do Rosário data do século XVIII e da longevidade da Sociedade Filarmónica Barreirense, fundada em 1848. Para falar da história da música no Barreiro não quis deixar de fazer menção à existência de grupos corais e de “casas de música”, como a Banda Municipal do Barreiro, a Camarata Musical Barreiro, a União Recreativa Cultural e Desportiva de Coina e mais recentemente a Escola de Jazz do Barreiro e dos “próprios actores musicais” barreirenses, cujos nomes chegam a ultrapassar fronteiras, o que a faz considerar que “no Barreiro sempre houve uma tradição na ligação à música”.

“Já há muitos anos que a iniciação na área da música acontece nas escolas do 1º ciclo no Barreiro”

Das iniciativas relacionadas com a música, a autarca chamou ainda a atenção para a atribuição das bolsas de estudo Fernando Lopes-Graça, para os protocolos com escolas e instituições, no incentivo à formação, ainda que considere: “podemos ir um pouco mais longe” e não deixou ainda de referir a presença do ensino musical nos mais pequenos, ao que expressou: “já há muitos anos que a iniciação na área da música acontece nas escolas do 1º ciclo no Barreiro”. Revelou ainda que está previsto a celebração de um protocolo com a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário, para que o órgão da Igreja possa vir a ter uma programação anual, com o intuito de “passarmos todos a usufruir desse equipamento”, que este ano fez a abertura das Festas do Barreiro.

Música nas Festas do Barreiro também para “dar a conhecer novas tendências musicais”

Concertos de Natal, o Out Fest, o Barreiro Rocks, o Encontro de Talentos Criativos, a programação do A.M.A.C, o 25 de Abril e o Dia da Cidade foram outras iniciativas de que falou, nas quais a música marca presença na cidade, para além das Festas do Barreiro que contam com três palcos musicais e de “apontamentos musicais na MEI”, sublinha, com o intuito de “dar a conhecer o que é feito no Barreiro”. Sobre a programação das Festas diz surgir também para “dar a conhecer novas tendências musicais”. Sublinhou ainda que há uma grande preocupação com a programação musical do A.M.A.C Júnior que decorre aos Domingos, de 15 em 15 dias, importante para proporcionar “uma ligação à música com as crianças, para que cresçam com mais capacidade para optar por gostos musicais”.

“Iniciativa inédita, não apenas no concelho do Barreiro”

José António Batata, técnico responsável pela área da Música da CMB, fundamentou o surgimento da iniciativa “A Cidade e a Música”, referindo que surgiu integrada no projecto: “Dinamização da Actividade Musical para o Concelho do Barreiro” e disse assentar em três pilares: a divulgação e difusão da música, o apoio ao ensino artístico musical e o apoio à pedagogia musical. Do ciclo de concertos de “A Cidade e a Música”, diz que a intenção seria de “divulgar a música que é menos divulgada”. Refere também que, tratando-se de uma “iniciativa inédita, não apenas no concelho do Barreiro”, a partir do terceiro ano é que começou a ter maior adesão por parte da população e acrescentou que a Biblioteca Municipal, que era, na altura, o espaço privilegiado para concertos, “rapidamente começou a ser pequeno”.

Falta de uma identidade mais clara

No período da participação do público, António Sousa Pereira, começando por considerar “A Cidade e a Música” como um “projecto que vale a pena apostar”, chamou a atenção para o facto de lhe faltar “uma identidade mais clara” e de haver maior ligação com as colectividades locais, entendendo que “faltou valorizar as próprias figuras musicais da música” e criticou o que entende ter sido a presença de uma “visão elitista”. Em resposta, José António Batata refutou qualquer presença elitista na iniciativa, ao que expressou: “todos os concertos foram feitos em espaços públicos”. Sobre a falta de identidade de que se falava, refere que “com o tempo o projecto foi fazendo concessões a outras formas musicais”, mas entende que isso se verificou “para seduzirmos mais pessoas a assistir aos concertos” e acrescentou: “o resultado, em termos de divulgação, teria sido pior, se fossemos rígidos na escolha da música nos concertos”.

“No Barreiro, esse elitismo tem-se concentrado na pouca divulgação dos acontecimentos”

Jorge Fagundes, que também passou pelo debate, chamou a atenção para a necessidade de haver maior divulgação das figuras musicais barreirenses, algumas delas “que ultrapassaram fronteiras” e fez menção à primeira maestrina portuguesa, Natércia Couto, nascida na freguesia do Lavradio. Quanto à crítica da presença de um certo elitismo na iniciativa “A Cidade e a Música”, considerou: “no Barreiro, esse elitismo tem-se concentrado na pouca divulgação dos acontecimentos”. Não deixou ainda de criticar o que entende ser o “não aproveitamento” de alguns espaços de colectividades no concelho para a realização dos eventos musicais.

“A Cidade e a Música” trouxe ao concelho “agrupamentos e artistas individuais que até então não tinham vindo ao Barreiro”

Raul Malacão considerou que “algumas salas têm condições para alguns tipos de espectáculos e para outros não têm” e entendeu que o A.M.A.C é “uma casa que reúne todas as condições para se fazer espectáculos” e acrescentou: “quer os produtores, quer o público têm exigências própria e temos de as corresponder”. Sobre “A Cidade e a Música” referiu ainda que trouxe até ao concelho “agrupamentos e artistas individuais que até então não tinham vindo ao Barreiro” e não deixou de elogiar as estruturas musicais do concelho: “que têm um funcionamento regular que noutros concelhos não há”.

Junta de Freguesia do Barreiro deve “ organizar a música da sua própria freguesia”

O padre José Manuel, por sua vez, entendeu que a Junta de Freguesia do Barreiro “deve deixar-se sobressair-se a ela mesmo”, defendendo que deve ser a junta “a organizar a música da sua própria freguesia” e acrescentou: “temos muitos jovens e pessoas que gostam de música”. Sobre a questão, a vereadora Regina Janeiro chamou a atenção para o facto de as juntas “passarem muitas vezes de uma forma discreta” e sublinhou que a Escola de Jazz resultou de um protocolo com a Junta de Freguesia do Barreiro.

“Iniciativas regulares que precisam de ser valorizadas e mais divulgadas”

O presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Carlos Humberto, começou por sublinhar que “na concepção de desenvolvimento integrado e sustentado para o concelho do Barreiro, a cultura e a música são indispensáveis”. E referiu que o Barreiro desenvolve, já por tradição, “um trabalho musical muito interessante e diversificado”, o que diz passar “para além dos serviços da câmara”, por iniciativas individuais e de identidades. Entende, por isso, que existe “um conjunto de iniciativas regulares que precisam de ser valorizadas e mais divulgadas” e de “infra-estruturas que é preciso potenciar e aproveitar”, ainda que considere: “não estou de acordo que o A.M.A.C é longe e descentralizado”.

Valor “muito próximo” de um milhão de euros como apoios dados ao longo do ano à música

O edil barreirense não deixou também de referir que existe “um esforço grande para acarinhar o que se faz no concelho”, e que diz tratar-se de um “investimento quantitativamente muito importante”, falando de valores de mais de 200 mil euros para a programação do Palco das Marés e de um valor “muito próximo” de um milhão de euros como apoios dados ao longo do ano à música. A terminar, defendeu ainda “o levar a música onde as pessoas estão”, o que encontra expressão na iniciativa “Parques Vivos”.

Andreia Catarina Lopes

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção