Debate “Barreiro Antigo” nas Festas do Barreiro“O problema não é fácil, mas não é de solução impossível”
Ontem, realizou-se o segundo debate, no âmbito das Festas do Barreiro, dedicado ao tema: “Barreiro Antigo”, sob o qual o vice-presidente da Câmara do Barreiro sublinhou que existem no local “condições endógenas para dar o salto qualitativo”, nomeadamente pela sua proximidade com o rio e com o centro da cidade, e acrescentou que a requalificação poderá ser impulsionada pela requalificação do território da Quimiparque.
O público presente chamou a atenção para a importância da dinamização de iniciativas culturais e recreativas e da implementação de serviços ou comércio durante o dia, assim como a criação de um centro comunitário do Barreiro Antigo.

Por Jornal Rostos
O vice-presidente Joaquim Matias, responsável pelo Departamento de Planeamento e Gestão Urbana (DPGU), da Câmara Municipal do Barreiro (CMB), começou por sublinhar que a “solução para o Barreiro Antigo está longe de estar completa e construída”, considerando ser “muito necessária”, no sentido de encontrar “metodologias que invertam o sentido em que tem caminhado”. Enunciando como os principais problemas da zona mais antiga da cidade: a desertificação, a desqualificação sócio-económica e do edificado e a degradação do espaço público.
Proximidade com o rio e com o centro da cidade
Para a reabilitação do Barreiro Antigo, considera que há que ter em conta quatro aspectos essenciais que caracterizam o espaço, ao que fez menção em primeiro lugar à forma do edificado que diz reflectir “a maneira antiga de se fazer cidade” e que diz caracterizar-se por uma parte mais medieval que encontra expressão na Praça de Santa Cruz e por uma parte mais pombalina, ligada à actividade piscatória. Outra característica de que falou diz respeito à realidade sócio-económica que diz ser “muito pouco favorável” e por isso fala da necessidade de ser introduzido sobretudo investimento público mas também privado. Na descrição do Barreiro Antigo falou ainda do que diz serem dois aspectos positivos: um deles que se deve à proximidade com um rio, defendendo que se deve assumir como frente ribeirinha do centro do Barreiro e a outra reside no forte associativismo que se vive na zona.
Necessidade de apoios de verbas a nível nacional para a reabilitação do espaço público
Do Programa de Reabilitação do Barreiro Antigo (PROURB) da CMB, aprovado na reunião pública de Câmara de 18 de Junho, sublinhou a importância do Plano de Pormenor que se encontra a ser elaborado, com o intuito de “conferir eficácia às várias orientações urbanísticas que existem para se poder concorrer a programas de reabilitação”, de modo a conseguir-se apoios de verbas a nível nacional, com vista à reabilitação do espaço público no Barreiro Antigo. Referiu que de momento está a ser projectada a reabilitação de algumas praças que aguardam financiamento e referiu que tem de ser definida “anualmente uma verba do orçamento da CMB para a reabilitação do Barreiro Antigo”. Adiantou ainda que se aguarda o resultado da candidatura da ligação do centro do Barreiro à Avenida Bento Gonçalves, pela Rua Eusébio Leão.
Conselho PROURB - “funcionará quase como uma Assembleia”
O vice-presidente da CMB falou ainda do facto de que se encontra em discussão a composição e funcionamento de um Conselho PROURB, que avaliará os projectos da autarquia, ao que acrescenta: “terão de entrar moradores, associações, forças de segurança e comerciantes” e comentou: “funcionará quase como uma Assembleia”. Referindo que os problemas do Barreiro Antigo não passam apenas pelo urbanismo, o vice-presidente da CMB sublinha que se trata de um problema social, económico, cultural e ambiental e entende que é necessário encontrar “uma forma de governação” para a zona que “abranja estes sectores transversalmente, de forma coordenada e atempada”.
Criação de um Centro comunitário e de iniciativas que dinamizem o local
No período de debate, um dos elementos do Grupo de Amigos do Barreiro Velho, presente no debate, considerou que é importante “optimizar o potencial do Barreiro Antigo” e chamou a atenção para a importância de iniciativas culturais e recreativas que se promovam, ajudando a dinamizar o local. Contou que o Mercado de Agricultura Biológica e a Feira da Ladra funcionaram este mês sem a presença do grupo, tendo sido a população a tomar conta das iniciativas e comentou: “parece haver uma apetência da população para ocupar aquele espaço de maneira diferente”. E lançou a ideia de que, à semelhança do que acontece noutras freguesias, fosse criado um centro comunitário “que dará uma dinâmica comunitária”.
Zonas atractivas mas com preservação da natureza e do espaço
Uma moradora do Barreiro Antigo chamou a atenção para a necessidade de a zona ser ocupada com outras actividades que não apenas os bares que funcionam à noite, dando o exemplo de casas de convívio social e também de zonas atractivas mas com preservação da natureza e do espaço. Chamou ainda a atenção para a necessidade de mais mobiliário urbano para a recolha de lixo e reciclagem.
Requalificação do Barreiro Antigo “deve ter em conta a sua especificidade”
O vice-presidente Joaquim Matias salientou que a requalificação do Barreiro Antigo “deve ter em conta a sua especificidade”, ao que referiu que o edificado “não é de grande valor arquitectónico” e realçou a importância da participação da população na reabilitação do espaço. Quanto a iniciativas que se promovam no local considera que são úteis “mesmo que posteriormente venham a sofrer correcções”. Da falta de mobiliário urbano, comentou: “ a própria limpeza e pequenas obras têm de ser vistas de forma integrada”. E sublinhou ainda a importância de serviços a funcionar durante o dia na zona, promovendo outras formas de comércio, que não apenas bares, de forma a dar maior atractividade também durante o dia, ao chamado berço da cidade .
Requalificação poderá ser impulsionada com a requalificação do território da Quimiparque
Referindo que “o problema não é fácil, mas não é de solução impossível”, Joaquim Matias considerou que existem no Barreiro Antigo “condições endógenas para dar o salto qualitativo”, ao que falou, entre outras, da existência de espaços públicos, da sua proximidade com o rio e com o centro da cidade e acrescentou que a requalificação poderá ser impulsionada com a requalificação do território da Quimiparque, a que chamou de “pólo de desenvolvimento”.
De sublinhar que hoje, dia 12 de Agosto, terá lugar a última conversa com os eleitos da Câmara Municipal do Barreiro, no âmbito das festas, sob o tema: “Barreiro Centro”.
Andreia Catarina Lopes













