Rotary Clube do BarreiroAntónio Camarão fala do “Centenário da C.U.F no Barreiro”
Ontem, na décima primeira reunião do ano do Rotary Clube do Barreiro, realizou-se uma palestra proferida por António Camarão, membro da Comissão Organizadora das Comemorações do Centenário da C.U.F no Barreiro, sob o tema: “Centenário da C.U.F no Barreiro”. Considerando que “falar da C.U.F é falar da indústria portuguesa”, António Camarão chamou a atenção para a importância de assinalar uma data que faz parte da história do Barreiro, com o intuito de “promover este passado que é património” e adianta: “não só o construído mas também a história, que é a mais fácil de se perder”.

Por Jornal Rostos
Natural do Barreiro e licenciado em história, António Camarão, técnico superior da Câmara Municipal do Barreiro, é membro da Comissão Organizadora das Comemorações do Centenário da C.U.F no Barreiro, que se assinala em 2007 e 2008, uma vez que, como sublinha António Camarão: “A C.U.F comprou os terrenos em 1907 mas só em 1908 começou a produzir”. O orador começou por referir que “falar da C.U.F é falar da indústria portuguesa”, entendendo que se tratou do “expoente máximo da indústria em Portugal”. Não deixou ainda de sublinhar que no Barreiro “a indústria chega depois da via-férrea e chega com as corticeiras”. Mas adianta que foi a C.U.F que trouxe o “know-how não usual neste sector da indústria química”. Para além da tecnologia trazida, fez referência à arquitectura das fábricas que diz serem “fotocópias do que já existia em França”.
Fazia falta a produção de adubos ligada à indústria
Da vinda da C.U.F para o Barreiro, lembrou que foram as questões de acessibilidades que a facilitaram, pela presença dos caminhos-de-ferro e pelo transporte por via marítima. E chamou a atenção para o facto de na altura “a indústria química, com o apoio da agricultura, começar a aparecer em força no estrangeiro” e de que, muito resultante dos conhecimentos no exterior do industrial Alfredo da Silva, foi percepcionado de que fazia falta a produção de adubos ligada à indústria. E essa ideia em breve tornou-se num complexo industrial.
A “Fábrica Família”
António Camarão fez referência também ao Bairro Operário, o que diz resultar do modelo socilizante francês: “Fábrica Família”, considerando que “falar da fábrica não é só falar da produção mas de toda a sua envolvente”, que engloba o Hospital, a chamada Despensa e a “primeira escola primária do país com métodos audiovisuais de apoio à instrução”. Elementos que faziam parte da “atitude paternalista que vigorava no princípio do século XX”, sublinhou.
“Promover este passado que é património”
Das comemorações do Centenário da C.U.F, entende que surgem com o intuito de “promover este passado que é património” e adianta: “não só o construído mas também a história, que é a mais fácil de se perder” e, nesse sentido, considera essencial “sensibilizar a população estudante para o passado em comum”.
Próximas comemorações na sexta-feira
Falou das iniciativas que já tiveram lugar, como a do Concurso do Logótipo das Comemorações do Centenário da C.U.F no Barreiro” e a do Salão de Fotografia e Vídeo Industrial e considerou que o que se pode retirar dessas iniciativas é de que: “O Barreiro diz muito aos barreirenses”. Quanto a próximas iniciativas, lembrou que no próximo dia 19 de Setembro, sexta-feira, vai ser lançado, pelas 17 horas, no Restaurante Palácio Alfredo da Silva, o lançamento do livro-álbum: “A Fábrica”, coordenado pelo próprio e por António Sardinha Pereira e José Leal da Silva e que será feita a apresentação do livro: “A Rua do Ácido Sulfúrico”, da autoria de Jorge Morais. Neste mesmo dia, sublinhou que será efectuado o lançamento da colecção filatélica “Cem Anos da CUF”, uma emissão dos CTT com carimbo do primeiro dia.
Colóquio Internacional: “A Industrialização em Portugal no Século XX - O Caso do Barreiro"
Adiantou também que nos dias 8, 9 e 10 de Outubro terá lugar no Auditório Municipal Augusto Cabrita (A.M.A.C) o Colóquio Internacional: “A Industrialização em Portugal no Século XX - O Caso do Barreiro". Sobre as comemorações, referiu que culminam com a e posição: “100 Anos da CUF no Barreiro”, cuja inauguração está marcada para o dia 10 de Outubro, pelas 17 horas, no Museu Industrial, no Parque Empresarial da Quimiparque. Sobre a mostra diz trazer um olhar moderno ao que representou a C.U.F no Barreiro: “podem ser vistas botas, luvas abandonadas no complexo e tudo o que tiver a ver com a C.U.F, mostrado de uma forma mais contemporânea”, adiantou.
Andreia Catarina Lopes













