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Perspectivas

Aniversário do arranque da primeira fábrica da C.U.F no Barreiro“As memórias, as nossas vidas, a nossa história, do passado, presente e futuro”

“O Barreiro é rico em imagens industriais”

Ontem, assinalou-se, no restaurante “Palácio Alfredo da Silva”, o centenário do arranque da primeira fábrica da C.U.F no Barreiro. A ocasião foi comemorada com o lançamento de dois livros sobre a C.U.F, um de fotografias, chamado: “A Fábrica” ”, coordenado por António Camarão, António Sardinha Pereira e José Leal da Silva, e o outro da autoria de Jorge Morais, de nome: “Rua do Ácido Sulfúrico”. Procedeu-se ainda ao lançamento da colecção filatélica no Centenário da C.U.F no Barreiro, perpetuando as memórias de uma história com cem anos.

O presidente da Câmara do Barreiro, disse ser esse um dia de homenagem a Alfredo da Silva mas também aos trabalhadores e à “população do Barreiro, que são os construtores destes cem anos” e lembrou o plano de desenvolvimento para esse espaço que é hoje a Quimiparque, expressando a vontade que seja: ”pólo de desenvolvimento não só do concelho do Barreiro mas do Arco Ribeirinho Sul e Península de Setúbal".

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Aniversário do arranque da primeira fábrica da C.U.F no Barreiro “As memórias, as nossas vidas, a nossa história, do passado, presente e futuro”

Por Jornal Rostos

No dia em que se assinalava a passagem de cem anos sobre o arranque da primeira fábrica da C.U.F no Barreiro, de óleo de bagaço de azeitona, na fábrica de sabão, que empregava cerca de cem trabalhadores, o presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Carlos Humberto, expressou: “é com prazer e sentimento de satisfação, enquanto cidadão e presidente da Câmara, que me encontro a comemorar os cem anos da C.U.F no Barreiro”, lembrando que o facto de o Barreiro ter sido escolhido para a vinda das fábricas fez com que “de uma vila de pescadores, ferroviários, de operários e corticeiros, se transformasse no maior centro industrial do país”, o que diz ter alterado “a vivência do concelho do Barreiro até hoje”.

Homenagem também à “população do Barreiro, que são os construtores destes cem anos”

E no dia em que diz que se assinalam “as memórias, as nossas vidas, a nossa história, do nosso passado, presente e futuro”, entende ser o dia de prestar homenagem não só “ a quem teve a iniciativa de a construir mas também aos operários, trabalhadores e população do Barreiro, que são os construtores destes cem anos”. Recordando esse tempo, em que diz que “todos vivíamos na fábrica e da fábrica”, evocou a “multiplicidade de cores, cheiros e construções” que a caracterizavam. E lembrou que a “concentração operária na nossa terra criou um espírito reivindicativo, de combate e luta de classes ímpar a nível mundial”.

Quimiparque - ”Pólo de desenvolvimento não só do concelho do Barreiro mas do Arco Ribeirinho Sul e Península de Setúbal”

Expressando que o “Barreiro, no seu desenvolvimento foi marcado pela evolução do complexo industrial da C.U.F e ainda hoje é marcado”, fez menção às transformações que se avizinham e considerou: “temos de transformar o presente e construir um futuro que seja tão ou mais próspero do que foi o nosso passado colectivo”. Falando do que é hoje o espaço Quimiparque, lembrou o plano de desenvolvimento para esse território da Quimiparque, “continuará a ser uma referência” e expressou: “desejamos que volte a ser um território de emprego, desenvolvimento económico, novas tecnologias, pólo de desenvolvimento não só do concelho do Barreiro mas do Arco Ribeirinho Sul e Península de Setúbal, a ter um contributo importante para o desenvolvimento do país”.

“O Barreiro é rico em imagens industriais”

Do livro “A Fábrica”, Leal da Silva, da Comissão Organizadora das Comemorações do Centenário da CUF no Barreiro, disse ser uma “homenagem aos verdadeiros autores, que vivem em cada página” e acrescentou: “os que na fábrica deram o seu trabalho”. Sublinhando que no livro a “força da imagem” predomina, não deixa de fazer referência à existência das legendas “como que a contar uma história”. E chamou a atenção: “O Barreiro é rico em imagens industriais”, considerando que muitos mais álbuns podem ser feitos”, com o intuito de “Cuidar da preservação da memória”, ao que expressou: “Tarefa que o Barreiro deve ter em consciência”.

Uma “homenagem à força dos criadores da fábrica, desde o patrão, até aos operários”

“Rua do Ácido Sulfúrico”, da autoria de Jorge Morais, foi outra das obras lançadas. E coube a Carlos Bicas, natural do Barreiro, uma terra que diz estar-lhe “dentro do coração”, falar dessa obra que também tem como palco a C.U.F. Sobre a obra, que diz ser “do ponto de vista literário muito bem construída”, começou por fazer menção ao título, considerando-o “fabuloso”, pela “evocação ao ácido sulfúrico como um lugar público”, o que diz parecer por vezes “arrepiante”. De Jorge Morais diz ser “um grande observador e escritor” e detendo-se sobre o primeiro capítulo da obra, expressou: “é uma descrição fabulosa sobre as ruínas de uma grande construção”. Fez ainda menção aos três testemunhos que se encontram no livro, de Jaime Palma, Cabós Gonçalves e Ferreira da Luz e considerou que o livro é uma “homenagem à força dos criadores da fábrica, desde o patrão, até aos operários” e expressou: “Nós somos aqueles que usufruímos da riqueza de toda uma epopeia industrial de muitos sacrifícios, que permitiu construir uma cidade e bases fundamentais do industrialismo português”.

Obras - “um contributo notável para a história da C.U.F e para a história industrial do país”

Luís Alves, da Editorial Bizâncio, a editora responsável pela edição dos livros apresentados, começou por endereçar os parabéns à C.U.F pela “data notável”, considerando: “houve impérios que duraram muito menos tempo”. Estendeu os agradecimentos aos autores das duas obras, onde diz sentir o “amor” à C.U.F e que constituem “um contributo notável para a história da C.U.F e para a história industrial do país”. Sobre a obra: “A Fábrica”, disse ser “um trabalho de perseverança e conservação de um pólo fotográfico que merecia ver a luz do dia” e sobre o “Rua do Ácido Sulfúrico” disse ser um “livro que se lê como um romance”.

Perpetuar o centenário da C.U.F através de selos distribuídos por todo o mundo

Na cerimónia evocativa do aniversário procedeu-se também ao lançamento da colecção filatélica “Cem Anos da CUF”, uma emissão dos CTT com carimbo do primeiro dia. O vice-presidente dos CTT, Pedro Coelho, disse ser com “emoção especial” que via ser prestada a homenagem à C.U.F, que diz ser “uma grande referência”, ao que considerou: “porque demonstrava uma grande visão de um homem, em perceber a importância da formação a todos os níveis” e é nesse sentido que diz: “A C.U.F foi uma escola” e prosseguiu: “durante muitos anos deu ao país dezenas e dezenas de profissionais”. Da participação dos CTT nas comemorações do centenário, expressou: “é uma grande honra participarmos neste evento. Os CTT estão sempre nas coisas importantes do nosso país”, o que diz fazer parte do sentido patriótico da empresa, “ao perpetuarmos o centenário da C.U.F e do que foi, distribuindo por todo o mundo esta colecção de selos é um contributo que muito nos honra”, finalizou.

Andreia Catarina Lopes

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