Dia Europeu sem Carros - Workshop “Mobilidade Sustentável no Barreiro”Desenho público urbano deve ter em conta “o papel do peão na cidade”
PDM do Barreiro contempla algumas intervenções que visam beneficiar a rede local
Barreiro Antigo – onde “peão e automóvel possam conviver”
Ontem, no âmbito do Dia Europeu Sem Carros, realizou-se, no Auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro, um Workshop sob o tema: “Mobilidade Sustentável no Barreiro”, uma iniciativa organizado pela CMB e SMTCB, que visava desenvolver a reflexão e o debate sobre as questões relacionadas com a mobilidade no Barreiro, numa altura em que o concelho vive transformações.
A dificuldade de acesso a transportes de emergência no Barreiro Antigo, uma maior aposta na fiscalização e na alteração da mentalidade das pessoas, nomeadamente em termos de estacionamento, foram algumas das questões mais focadas, num debate em que se sublinhou que o desenho público urbano deve ter em conta “o papel do peão na cidade”.

Por Jornal Rostos
“A cidade que estamos a tentar construir tem de se impor como um pólo importante da Área Metropolitana de Lisboa”, expressou, na sessão de abertura, o vice-presidente da Câmara do Barreiro (CMB), Joaquim Matias, responsável pelo Planeamento e Gestão Urbana. E sublinhou que, nesse modelo de cidade, “a mobilidade das pessoas é uma questão essencial para a sua qualidade de vida”. Nesse sentido, considerou que o Barreiro tem de “dar um salto qualitativo”, embora entenda que a cidade “viva uma situação privilegiada graça aos TCB” e expressou que na Área Metropolitana de Lisboa “só aqui e em Lisboa é que o número de deslocações em transporte colectivo é superior ao de automóveis particulares”. Joaquim Matias chamou ainda a atenção para a necessidade da participação de diferentes entidades nesta questão da mobilidade e referiu que é nesse intuito que será criado o Conselho Municipal para a Mobilidade.
Seguiu-se a apresentação de três temas para o Workshop, que foram: os Transportes Colectivos do Barreiro (TCB), a Rede Viária e a Gestão da Mobilidade.
“Cuidado com os estacionamentos para não prejudicar as circulações e os transportes públicos”
Nuno Ferreira, dos TCB, chamou a atenção para o impacto na mobilidade no concelho, com a vinda quer da Terceira Travessia do Tejo, quer da abertura do Forum Barreiro e de outros projectos e disse ser essa uma “preocupação dos TCB”. Diz ser necessário “uma boa organização de trânsito e boa gestão” e alertou: “cuidado com os estacionamentos para não prejudicar as circulações e os transportes públicos”. Referindo que há um aumento das deslocações da Moita para o Barreiro, entende que poderá constituir uma oportunidade para os TCB, ainda que advirta: “os estatutos não permitem transporte fora do concelho”.
“O Barreiro não serve apenas para transporte de pessoas para Lisboa”
Nuno Ferreira referiu ainda que todo o concelho está abrangido pela rede de transportes públicos, referindo que todas as paragens estão cobertas com uma área urbana não superior a 500 metros e sublinhou: “o Barreiro não serve apenas para transporte de pessoas para Lisboa”. Para o futuro, entendeu que será necessário que “a rede se mantenha eficaz e com qualidade”, que assegure a sustentabilidade ambiental, ao que fez menção que já existem viaturas com monitorização Euro IV e que estão previstas serem adquiridas viaturas Euro V e do planeamento urbano, sublinhou: “as autoridades têm de actuar para haver uma boa funcionalidade da rede de transportes.”
“Consolidar a estrutura territorial e aproveitar a interacção entre várias áreas do território”
Sobre a Rede Viária, Milton Gomes, da Divisão de Planeamento e Ordenamento do Território da CMB, disse que o que se pretende é: “consolidar a estrutura territorial e aproveitar a interacção entre as várias áreas do território”, permitindo melhorar as “condições de mobilidade e visando a preservação do meio ambiente e a sustentabilidade económica”.
PDM do Barreiro contempla algumas intervenções que visam beneficiar a rede local
Milton Gomes sublinhou que no Plano Director Municipal (PDM) do Barreiro estão contempladas algumas intervenções que visam beneficiar a rede local, entre as quais: novas ligações com os concelhos vizinhos, como a ligação do Barreiro ao Seixal; o reforço da capacidade da Estrada Nacional 10-3; a construção da variante Estrada Nacional 11-2, para solucionar alguns pontos de congestionamento, sobretudo em Santo António e a construção à variante Estrada Municipal 510. A Construção da CRIPS, para promover um acréscimo de acessibilidade sub-regional, a Terceira Travessia do Tejo e os projectos urbanos para o território da Quimiparque, que contempla uma avenida urbana no actual canal ferroviário e a ligação ao centro do Barreiro, pelo Lavradio, foram outras questões abordadas pelo engenheiro.
Barreiro Antigo – onde “peão e automóvel possam conviver”
Sobre a Gestão da Mobilidade, João Lopes, chefe da Divisão de Planeamento e Ordenamento do Território da CMB, começou por falar do estudo de mobilidade do Barreiro Antigo, chamando a atenção para a necessidade da reorganização da circulação viária e de estacionamento e para a melhoria das condições de circulação, acessibilidade e mobilidade pedonal. A redução de tráfego dentro do Barreiro antigo é uma das questões de que falou, a par da construção de alguns parques de estacionamento na periferia, de modo a tornar o Barreiro antigo mais acessível aos peões e também a veículos de emergência. Um dos locais de estacionamento propostos, de que falou, seria um parque subterrâneo em frente da Igreja Nossa Senhora do Rosário. Para a zona mais antiga da cidade sublinha que a prioridade deverá ser dada ao peão, incluindo zonas de tráfego misto, onde “peão e automóvel possam conviver”.
Centro da cidade - alargamento dos passeios, arborização e maior permeabilidade ao peão
Sobre a renovação urbana no centro do Barreiro, falou da Avenida Alfredo da Silva, a que chamou “coluna vertebral desta terra” e em que será aplicada a redução da velocidade, com a implementação de Zona 30. Quanto ao estacionamento, refere que deverá ser “mais equilibrado”, fundamentalmente em caves e com a introdução de locais de cargas e descargas. E a respeito ao desenho público urbano, considera que deve ter em conta “o papel do peão na cidade”, através do alargamento dos passeios, arborização e maior permeabilidade ao peão.
Quimiparque - deverá “dar continuidade à rede viária da cidade”
João Lopes falou ainda na estratégia para a Quimiparque, entendendo que deverá “dar continuidade à rede viária da cidade”, contribuindo para a melhoria das acessibilidades. E a terminar, expressou, que gostaria de ver no Barreiro: “o tabuleiro da Terceira travessia e o Metro sul do Tejo a conviver com a cidade”.
Parques de estacionamento dissuasores
No período de Workshop, ainda que não contasse com muitos participantes, falou-se das zonas do Barreiro com maior congestionamento de trânsito no Concelho, da dificuldade de acesso a transportes de emergência, fundamentalmente em algumas ruas do Barreiro Antigo e defendeu-se uma maior aposta na fiscalização e na alteração da mentalidade das pessoas, nomeadamente em termos de estacionamento. Ainda sobre o estacionamento chamou-se a atenção para os chamados parques de estacionamento dissuasores, que se localizam fora dos centros das cidades.
Andreia Catarina Lopes













