Seminário no Barreiro – “Mobilidade Sustentável – Enfrentar o Desafio”TTT “trará um novo Barreiro”, “mas sabemos que não é o único projecto”
TTT vai “revolucionar a posição do Barreiro na AML”
Pedonalização e utilização de veículos não motorizados passa pela redução do número e da velocidade dos automóveis
No passado dia 22 de Setembro, Dia Europeu sem Carros, realizou-se, no auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro, o Seminário “Mobilidade Sustentável – Enfrentar o Desafio”.
Na sessão, promovida pela S.energia, foram apresentadas perspectivas complementares relacionadas com a mobilidade e foi falado sobre os impactos da Terceira Travessia do Tejo (TTT), projecto que o presidente da Câmara do Barreiro câmara sublinha que “mudará a face do Barreiro”, mas adverte para o facto de não ser o único determinante para o desenvolvimento do concelho. Sobre os impactos negativos da TTT, expressa preocupação, mas defende: “a postura de os querer resolver”.

Por Jornal Rostos
Na abertura, o presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Carlos Humberto, começou por sublinhar que tendo consciência de que a Terceira Travessia do Tejo (TTT) “mudará a face do Barreiro e trará um novo Barreiro”, defendeu a “necessidade de um acompanhamento próximo e eficaz do projecto”, ao que comentou: “queremos ter um papel activo e interventivo nas várias fases deste projecto, que terá os seu impactos positivos e negativos”. E, ainda sobre a questão, sublinhou: “temos consciência da importância e relevância para o Barreiro deste projecto, mas sabemos que não é o único”, ao que acrescentou: “não podemos desligá-lo de outros que terão tanta ou mais importância”, aludindo fundamentalmente para o projecto para a Quimiparque. Sobre os impactos negativos da TTT, expressa preocupação, mas defende: “a postura de os querer resolver”. A concluir a intervenção, o edil barreirense sugeriu que fosse ponderada a hipótese da criação de “uma função ciclável” na TTT.
Origem da TTT passa pelo transporte ferroviário tradicional
Para falar da TTT e dos seus impactos ambientais, Duarte Silva, da RAVE, começou por referir que a ponte é “um projecto estruturante para toda a Área Metropolitana de Lisboa (AML)”, mas também “em termos nacionais, regionais e locais” e que tem como função a promoção do transporte público, até porque sublinha que a origem da travessia passa pelo transporte ferroviário tradicional, apesar de ser o de alta velocidade que diz que “lhe dá o calendário”. Refere que a TTT vem responder à necessidade de ligar a Linha de cintura em Chelas, com a linha do Alentejo, no Barreiro, o que diz permitir o fecho do anel ferroviário Lisboa – Barreiro – Pinhal Novo – Pragal – Lisboa, o que contribuiu para o reforço e melhoria do desempenho do sistema de mobilidade da AML e que permite estabelecer novos serviços de qualidade de transporte público, benefícios que diz estenderem-se “para além do seu espaço físico”, ainda que sublinhe que vai “revolucionar a posição do Barreiro na AML”.
“Os ganhos em termos de percurso e tempo vão encurtar e dar maior coesão a toda esta AML”
O acesso ferroviário ao novo aeroporto de Lisboa, em Alcochete, é também outro benefício que aponta e sublinha: “os ganhos em termos de percurso e tempo vão encurtar e dar maior coesão a toda esta AML”, que diz que irá passar a “funcionar como uma única cidade”.
Sobre o transporte de mercadorias, sublinhou ainda que existem restrições no comboio da Ponte 25 de Abril e que a TTT vem também responder a essa necessidade, potenciando a articulação entre o sistema portuário, particularmente dos portos de Lisboa, Setúbal e Sines e da ligação com a plataforma logística portuária de Lisboa (pólos da Bobadela e Castanheira do Ribatejo) e a sul com a plataforma urbana nacional do Poceirão. Do serviço de longo curso diz que permitirá uma “melhoria de competitividade e flexibilidade do sistema”.
Impactos da TTT: “não vale a pena escondê-los, mas também não passa por tratá-los com alarmismo”
Da componente rodoviária da travessia, Duarte Silva disse ser importante também para facilitar a acessibilidade ao novo aeroporto e que vai permitir que “o território se desenvolva de forma mais organizada”, fundamentalmente o Eixo Ribeirinho e que contempla a reconversão dos territórios da Quimiparque e da Siderurgia. Sobre os impactos da TTT, referiu: “não vale a pena escondê-los, mas também não passa por tratá-los com alarmismo”. Não deixa de referir que a TTT irá promover o aumento de tráfego nos seus acessos mas sublinha que dos cerca de 60 mil veículos por dia, que deverão atravessar a nova ponte, 80 por cento serão transferidos das duas outras travessias e que 13 por cento poderão resultar de tráfico gerado por actividades que deixam de estar localizadas em Lisboa e vêm para o Barreiro.
“Vão também haver impactos positivos porque vamos tirar tráfego de outras pontes”
Dos impactos na qualidade de ar, sublinha que ao nível local se vão sentir mais nos acessos da ponte, mas acrescenta: “vão também haver impactos positivos porque vamos tirar tráfego de outras pontes”. A nível regional diz que o balanço é “pouco expressivo, mas é negativo” e a nível nacional refere que os “impactos são positivos, muito significativos”. E não deixa de sublinhar que “as questões da qualidade de ar têm de se resolver o mais depressa.”
Poluição do ar - “é importante intervir na secção industrial do Barreiro”
Hugo Tente, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, falou sobre o estudo feito sobre a qualidade do ar na AML, sublinhando que a zona tem “uma série de problemas críticos”. E sobre o Barreiro, considerou: “é um concelho peculiar em termos de qualidade de ar”, ao que chamou a atenção para os níveis de S02 (poluente industrial) no Lavradio e é por isso que defende: “é importante intervir na secção industrial do Barreiro” e acrescentou: “que tem vindo a ser feito por entidades nacionais e locais mas não é suficiente”. Quanto às conclusões apuradas de 2000 a 2006, uma vez que a avaliação de 2007 ainda não está terminada, apontam para a necessidade de políticas e medidas de curto prazo. Nesse sentido, falou de medidas mais e menos populares. A promoção dos transportes colectivos, a redução da utilização do automóvel nas deslocações pendulares, o estacionamento em zonas de emissões reduzidas e o uso do utilizador/pagador, foram algumas delas.
Eco-condução - “promover a adopção de hábitos de condução mais eficientes e seguros”
Na sessão, promovida pela S.energia, foram apresentadas perspectivas complementares relacionadas com a mobilidade. Sofia Taborda, da OCCAM, fez uma apresentação da Eco-condução que diz ser “um projecto pioneiro, de âmbito nacional, que tem como objectivo promover a adopção de hábitos de condução mais eficientes e seguros”. Um projecto cuja primeira fase decorreu no Salão Internacional Automóvel, entre 24 de Abril e 4 de Maio e cuja segunda fase passará pela monitorização de 20 condutores. Conduzir por antecipação e conduzir a baixas rotações foram alguns dos exemplos que deixou.
Promoção da pedonalização e utilização de veículos não motorizados passa pela redução do número e da velocidade dos automóveis
Mário Alves, especialista em Transportes e Mobilidade, apresentou uma palestra, sob o tema: “Mobilidade suave – a explicação dos pássaros” que se baseava na forma como a sociedade deveria tratar os ciclistas e os peões. Falou na bio-diversidade dos eco-sistemas, através da inclusão de árvores nas ruas, a duplicação dos passeios, o investimento nos transportes públicos. E considerou ainda que a promoção da pedonalização e utilização de veículos não motorizados não passa, numa primeira fase, pela inclusão de vias cicláveis, mas sim pela redução do número e da velocidade dos automóveis, pela inclusão das chamadas Zonas 30. A redução dos raios de viragem, as ruas mistas, onde não há passeios, e a transformação de corredores em salas de espera, foram outras soluções que apontou.
Articulação da mobilidade com o ordenamento do território e com o desenho do espaço público urbano
O arquitecto João Paulo da CMB e Margarida Neta, da Transitec Portugal, Engenheiros – Consultores, fizeram a apresentação do “Manual de Metodologias e Boas
Práticas para a Elaboração de um Plano de Mobilidade Sustentável”, desenvolvido pelos Municípios do Barreiro, Loures e Moita, conjuntamente, no âmbito do Sub-Projecto TRAMO - Operação Quadro Regional MARE. Um documento sobre a temática da Mobilidade, para a definição de estratégias municipais, e da articulação da mobilidade com o ordenamento do território e com o desenho do espaço público urbano. Redução do transporte individual e a diminuição do volume de tráfego e velocidade foram princípios enunciados como importantes para a promoção do sistema pedonal.
Uma iniciativa com contributos para “construirmos um melhor Barreiro”
A encerrar o seminário, o Presidente do Conselho de Administração da S.energia, Bruno Vitorino, agradeceu a “experiência e informação” que foi transmitida na sessão pelos oradores, ao que chamou de contributos “para nos deixar a pensar”. Uma iniciativa que diz contribuir para “construirmos um melhor Barreiro”.
Andreia Catarina Lopes













