Saltar para o conteúdo
Perspectivas

Apresentação do: “Barreiro, Roteiro das Memórias da Resistência, do Trabalho e da Luta”“Uma excursão no tempo” nos anos de 1926 a 1974

Ontem foi apresentado no Cooperativa Cultural Popular Barreirense (CCPB) o livro: “Barreiro, Roteiro das Memórias da Resistência, do Trabalho e da Luta”, de Armando Sousa Teixeira. Uma iniciativa inserida num ciclo de três Conferências, sob o mote: “O Barreiro e a C.U.F (não) nasceram há 100 anos: E agora que futuro?", promovido pela CCPB e o Movimento Barreiro, Património, Memória e Futuro.

Uma obra que revisita um período da vida do Barreiro que vai de 1926 a 1974 e que é o quinto livro de um trabalho de 12 anos que reúne “mais de mil páginas” e que, segundo o seu autor, mostra que “houve mais vida para além, da C.U.F”.

5 min de leitura
Apresentação do: “Barreiro, Roteiro das Memórias da Resistência, do Trabalho e da Luta” “Uma excursão no tempo” nos anos de 1926 a 1974

Por Jornal Rostos

Ontem, no Cooperativa Cultural Popular Barreirense (CCPB), um “espaço de vontades e de entrega, ao serviço da comunidade”, como sublinhou João Ferreira, presidente da Direcção da CCPB, teve início a primeira de um ciclo de três conferências sob o mote: “O Barreiro e a C.U.F (não) nasceram há 100 anos: E agora que futuro?". Com o intuito de constituir um espaço de reflexão acerca do paradigma industrial do século XX e de “perspectivar o futuro”, referiu João Ferreira.

“Houve mais vida para além, da C.U.F”

Na apresentação do livro: “Barreiro, Roteiro das Memórias da Resistência, do Trabalho e da Luta”, o seu autor, Armando Sousa Teixeira, referiu-se tratar de um quinto livro de um trabalho de 12 anos que reúne “mais de mil páginas”, que diz contribuírem “para o edificado da história desta terra”, “sem mitos ou mistificações”, sublinhou. O livro que diz falar do ponto de vista dos “não vencedores”, os que “fundamentalmente constroem a história”, revisita um período da vida do Barreiro que vai de 1926 a 1974, onde o autor diz ressurgir “uma dialéctica de resistência e luta épicas” e simultaneamente “de trabalho e acção construtivos, em busca de um sonho de melhor futuro”. Com a obra diz pretender “homenagear os milhares de barreirenses de nascimento ou opção”, os de “génese camarra” ou “imigrantes anónimos” que vieram para o Barreiro. Sublinha que o “Barreiro não nasceu com a Companhia União Fabril de Alfredo da Silva” e que a obra contando com mais de cem fotografias assim o mostra, que “houve mais vida para além, da C.U.F”.

Um livro que é uma “excursão no tempo”

Nazaré Almeida imbuída da ideia de que “não é possível dissociar o autor da sua obra”, começou por falar de Armando Sousa Teixeira. “Honesto”, “intrínseco” e “solidário” foram algumas qualidades que apontou de um homem de “tom de voz conciliador” que diz conseguir “manter os seus valores, sem fazer juízos de valor”. Da obra diz ser uma “excursão no tempo”, onde refere que nada foi esquecido. O Golpe Militar de 1926, a Guerra Civil de Espanha, as lutas operárias de 1943, as lutas ferroviárias do sul e as mulheres na luta democrática foram alguns temas que referenciou e que considera que fazem o convite para que “passeemos no seu livro”.

“Um importante contributo para se compreender melhor o papel das gentes do Barreiro”

O livro conta com o prefácio de Hélder Madeira, lido na sessão pelo seu filho, Rui Madeira, introdução que refere que a obra “apresenta de forma sistematizada o que de mais importante se passou no Barreiro”, nesse período de 50 anos, que antecedeu a Revolução dos Cravos. Considerando ainda que se trata de “um importante contributo para se compreender melhor o papel das gentes do Barreiro desde o início do século XX”.

Testemunho de um antigo trabalhador da C.U.F

A sessão de apresentação contou com o testemunho de Palma Cadeireiro, um antigo trabalhador da C.U.F, que veio em 1955 do Alentejo para trabalhar nas fábricas do Barreiro e que recordou esses tempos, quando ganhava 27 escudos a trabalhar nos Adubos. O trabalho, as lutas dos trabalhadores e o contacto com outras vidas e experiências foram memórias que foi desflorando.

Centenário da C.U.F - “comemora a memória colectiva” do Barreiro

Sobre o livro, a vereadora Regina Janeiro, responsável pelo Departamento de Acção Sócio-Cultural (DASC) da Câmara Municipal do Barreiro (CMB), disse falar de um tema “bastante actual e pertinente”, de uma terra “de resistência e de luta mas também de solidariedade”. Referiu que desde 2006 que a Câmara do Barreiro tem escolhido um tema transversal às actividades camarárias, com o intuito da “transmissão de saber aos mais novos, olhando para o passado e perspectivando o futuro”. Se em 2006 lembra que recaiu sobre o Poder Local e em 2007 sobre a água, enquanto património mundial, 2008 foi o ano de assinalar o Centenário da C.U.F e para 2009 prevê que seja alusivo aos 150 anos dos caminhos-de-ferro no Barreiro. Sobre o Centenário da C.U.F que diz que “comemora a memória colectiva” do Barreiro, fez menção às iniciativas realizadas pela CMB, também enquanto elemento da Comissão Organizadora das Comemorações do Centenário da CUF no Barreiro. E ao evocar as memórias do passado, falou do Barreiro do futuro, sublinhando que uma vez mais o território da Quimiparque, antiga C.U.F, volta a desempenhar um papel importante no seu desenvolvimento, que defende que seja “sustentado e integrado”.

Na conferência houve ainda espaço para a poesia e para a música. Com a arte das letras a comporem-se na voz e expressão de Carlos Domingos e com a música e as palavras a revisitarem melodias de canções de intervenção, pelas vozes de Clara Soares, Ernesto Nogueira, acompanhadas pelos acordes de António Bagorro.

Andreia Catarina Lopes

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção