Colóquio Internacional – “A Industrialização em Portugal no Século XX - O Caso do Barreiro”Importância do “legado do território” da C.U.F na construção do “Barreiro novo”
Teve hoje início, no Auditório Municipal Augusto Cabrita, o Colóquio Internacional: “A Industrialização em Portugal no Século XX - O Caso do Barreiro". Trata-se de uma iniciativa, no âmbito do Centenário da C.U.F no Barreiro, que até ao dia 10 de Outubro promove o debate entre especialistas nacionais e internacionais sobre temas como a arte, a arquitectura ou os recursos humanos, na sua relação com a indústria.
Na sessão de abertura, em que se focou a importância de se ter em conta as lições do passado na construção do futuro, o presidente da Câmara Municipal do Barreiro sublinhou a importância do território da Quimiparque, antiga C.U.F, no desenvolvimento e construção do “Barreiro novo”, defendendo que a “Quimiparque se transforme num pólo de novas tecnologias, da ciência, da inovação e desenvolvimento e que ajude o Barreiro a assumir o papel que é seu, enquanto centralidade da Área Metropolitana de Lisboa.”

Por Jornal Rostos
O “crescimento da C.U.F marcou o Barreiro”
“Há cem anos atrás cem operários imprimiam o ritmo da primeira unidade produtiva no Barreiro”, naquele que foi o primeiro passo na construção da C.U.F, recordou o presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Carlos Humberto, na sessão de abertura do Colóquio Internacional: “A Industrialização em Portugal no Século XX - O Caso do Barreiro". Lembrou que, na altura foi a posição privilegiada do território do Barreiro que fez com que se tornasse o local escolhido para a construção da C.U.F. e sublinhou: o “crescimento da C.U.F marcou o Barreiro”, ao que acrescentou: “fez da nossa cidade um centro de trabalho, progresso, inovação, resistência e luta.”
Importância do “legado do território” da C.U.F na construção do “Barreiro novo”
Considerando que a “C.U.F informou e formou grande parte da população” e que a “fábrica” era um elemento constante na vida das pessoas, é, nesse sentido, que refere: “O Barreiro existiu antes da C.U.F mas não seria como é sem ela”. Chama a importância para o “legado do território” da C.U.F na construção do “Barreiro novo”, defendendo que a “Quimiparque se transforme num pólo de novas tecnologias, da ciência, da inovação e desenvolvimento e que ajude o Barreiro a assumir o papel que é seu, enquanto centralidade da Área Metropolitana de Lisboa”, o que considera ser essencial para o desenvolvimento da cidade, ao que expressa: “reflectir sobre o passado é interpretar o presente e construir o futuro”, considerando que no presente se “desenham as mesmas linhas de fundo que durante séculos marcaram o Barreiro”. A concluir, o edil barreirense chamou ainda a atenção para a inauguração da exposição “100 anos da C.U.F no Barreiro”, no Museu Industrial, no próximo dia 10 de Outubro, sexta-feira.
“Se queremos construir um futuro melhor, não podemos desprezar o passado”
José Neto, presidente do Conselho de Administração da Quimiparque, referiu que o Colóquio propõe debruçar-se sobre “o que foi a industrialização em Portugal e no Barreiro, o grupo C.U.F”, numa perspectiva científica e académica. E enquanto representante da Quimiparque expressou: “Temos consciência de que estamos perante desafios tremendos” no Barreiro e sublinha a importância do território da Quimiparque, antiga C.U.F, na construção do futuro da cidade, ao que salienta que a Quimiparque e a Câmara do Barreiro têm “trabalhado de mãos dadas”, no sentido de perspectivar esse futuro. E é nesse sentido que defende: “se queremos construir um futuro melhor, não podemos desprezar o passado” e acrescenta: “temos de extrair dele as lições que transporta para o presente e reforçar a lógica de construção do futuro”.
“Temos de tentar tornar chegar à frente”
José Neto entende que a Indústria constitui uma “lição para o país” e para o futuro, e falou da internacionalização de conhecimentos e saberes que vieram dessa época e que diz que ainda se encontram enraizados no Barreiro, “perpetuados em alguns nomes de algumas ruas”. A terminar, lembrou que há cem anos atrás “com a visão de Alfredo da Silva” o Barreiro colocou-se na linha da frente e hoje considera “temos de tentar tornar chegar à frente”, o que diz servir a cidade do Barreiro, mas também a região e o país e expressa: “A Quimiparque está empenhada em fazer esse esforço.”
Importância da preservação do património industrial
Amado Mendes, em representação da Universidade Autónoma de Lisboa (UAL), começou por expressar agradecimentos pelo facto de a universidade ter sido escolhida para organizar o evento, “havendo dezenas de instituições que o poderiam ter feito”, sublinhou. Reconhecendo que a industrialização não tem “despertado a curiosidade” que deveria na investigação, entende que as cerca de trinta comunicações e discussões e a publicação das actas “em meados do próximo ano” do Colóquio irá constituir um “marco constitutivo acerca do Portugal do século XX, com destaque para o papel da C.U.F no Barreiro”. Referiu que se trata de um colóquio “preparado ao milímetro” já há cerca de um ano e sublinhou o facto de a revolução industrial ter atravessado vários aspectos da sociedade e que é nesse sentido que os temas a debate surgem. Quis ainda chamar a atenção para a importância da preservação do património industrial, ao que comentou: “os vestígios industriais são tão importantes para o século XIX e XX, como os castelos na Idade Média” e lembrou que no último dia do seminário, sexta-feira, pelas 11 horas, será promovida uma visita ao Património Industrial e Artístico do Barreiro.
Andreia Catarina Lopes
Programa do Seminário:
8 de Outubro
09.00 - 09.30 Recepção aos participantes
09.30 - 09.45 Abertura
PAINEL 1 | INDÚSTRIA: FACTOR HUMANO, TECNOLOGIAS E PRODUTOS
Coord. Jaime Reis
09.45 - 10.05 Jaime Reis, Mário Centeno, e Francisco Lima: Recrutamento, carr eira e remuneração da força laboral da CUF do Barreiro, 1907-1974
10.05 - 10.25 Pedro Neves: Gerir o crescimento empresarial - a evolução da estrutura organizativa da CUF, 1865-1974
10.25 - 10.45 Manuel Ferr eira Rodrigues: Estratégia corporativa nas origens do Amoníaco Português
10.45 - 11.00 Coffe Break
11.00 - 11.20 José Amado Mendes: Industrialização ou Revolução Industrial em Portugal? Uma interpretação
11.20 - 11.35 Gilberto Gomes: A Companhia União Fabril nos anos 70 - a procura de novas estrat égias
11.35 - 11.50 David Leite das Neves: A CUF e o Barreiro: responsabilidade social, empresarial e sustentabilidade
11.50 - 12.30 Debate
12.30 - 14.30 Intervalo para almoço (livre)
PAINEL 2 | A CUF E O BARREIRO: O LEGADO DE ALFREDO DA SILVA
Coord. Miguel Figueira de Faria
14.30 - 14.50 Miguel Figueira de Faria: Alfr edo da Silva e Salazar
14.50 - 15.10 Irene Vaquinhas: Alfr edo da Silva e o ´Grande Casino Peninsular da Figueira da Foz´ (1930-1937)
15.10 - 15.25 José Leal da
Silva e Jean
Yoll ant: Procurando Auguste Lucien Stinville (1868-1949) - uma presença francesa no início das fábricas da CUF
no Barreiro
15.25 - 15.40 Isabel Cruz: Entre a CUF e o Barreiro: que lugar para Alfr edo da Silva na química?
15.40 - 15.55 Coffe Break
15.55 - 16.10 Vanessa de Almeida: A CUF no Barreiro - o eterno baluarte do PCP
16.10 - 16.25 Rosalina Carmona: A condição operária no Barreiro: primeira metade do séc. XX. Um retrato social
16.25 - 16.40 Isabel Cruz e Maria do Carmo Alves: Adopção de tecnologias em Portugal: o exemplo das fábricas da CUF no Barreiro
16.40 - 17.20 Debate
17.20 - 18.30 Mostra de filmes de época
9 DE OUTUBRO
9 de Outubro
PAINEL 3 | ARQUITECTURA E URBANISMO NA INDÚSTRIA: VILAS OPERÁRIAS, MOVIMENTOS SOCIAIS, PLANOS E PATRIMÓNIO
Coord. José Manuel Fernandes
9.30 - 9.50
Pierr e-Yves Caillault : La cité ouvrière en Lorraine, une expérience française significative
9.50 - 10.10 Ferran Sagarra i Trias : Barcelona capital del industrialismo del sigl o XIX
10.10 - 10.30 Pere Vall i Casas: Las colonias industrial es en Cataluña
10.30 - 10.45 Coffe Break
10.45 - 11.05 João Vieira Caldas: Urbanismo, planos urbanos e arquitectura da CUF
11.05 - 11.25 Mário Varandas Monteir o: Museu da Indústria - Quimiparque - acervo de um património relevante da indústria portuguesa do século XX
11.25 - 11.45 Deolinda Folgado: Novas
indústrias, novas
formas
11.45 - 12.00 Carlos Faria: Industrialização - Urbanização: que relações? O c aso do (ante)plano de urbanização da vila do Barreiro (1957)
12.00 - 12.15 Eugénia Santos: Abandono e reutilização de edifícios industriais no Barr eiro
12.15 - 13.00 Debate
13.00 - 15.00 Intervalo para almoço (livre)
PAINEL 4 | DO REALISMO AO NEO-REALISMO: IMAGENS DO TRABALHO E DO OPERÁRIO NA ARTE PORTUGUESA
Coord. Raquel Henriques da Silva
15.00 - 15.20 Raquel Henriques da Silva: O Modernismo segundo a indústria
15.20 - 15.40 Carlos Couto Sequeira Costa: Real, Realismo e Neo-Realismo. Estatuto estético-fil osófico do Real
15.40 - 16.00 Alexandre Pomar: Imagens operárias entre o regime e a oposição - propaganda, documentação, arte
16.00 - 16.20 David Santos: A temátic a do trabalho no universo estético-r ealista
16.20 - 16.35 Coffe Break
16.35 - 16.50 Inês Leal da Silva: Manifestações de arte relacionadas com a implantação industrial da primeira unidade pr odutora de amoníaco no
Lavradio
16.50 - 17.05 António Camarão: CUF - Quimiparque: Musealização de um património
17.05 - 17.20 Fernando Mota: A ermida de Santa Bárbara do Barreiro
17.20 - 18.00 Debate
10 de Outubro
10 de Outubro
10.00 - 11.00 Apresentação de conclusões do Colóquio. Encerramento
11.00 - 13.00 Memórias do Barreiro - Visita ao Património Industrial e Artístico













