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Perspectivas

Encerramento do Colóquio – “A Industrialização em Portugal no Século XX - O Caso do Barreiro”Um “acréscimo de valor na historicidade barreirense”

Depois de dois dias de debate entre especialistas nacionais e internacionais sobre a indústria e a sua relação com a arte, a arquitectura ou os recursos humanos, procedeu-se hoje ao encerramento do Colóquio Internacional: “A Industrialização em Portugal no Século XX - O Caso do Barreiro”. Uma iniciativa que a vereadora Regina Janeiro considerou ter “superado as expectativas” e que Leal da Silva entende ter sido um “acréscimo de valor na historicidade barreirense”.

Foram 27 comunicações feitas por especialistas e investigadores de diversas áreas que trouxeram a “lume” várias perspectivas, o que gerou inclusivamente “debates acalorados e emotivos”.

E tendo sido sublinhada a importância do património industrial, este último dia incluiu uma visita ao património industrial e artístico do Barreiro, a passar pelo Bairro Operário ou o Mausoléu e a Casa-Museu Alfredo da Silva.

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Encerramento do Colóquio – “A Industrialização em Portugal no Século XX - O Caso do Barreiro” Um “acréscimo de valor na historicidade barreirense”

Por Jornal Rostos

O colóquio “superou as expectativas, já de si elevadas”

A vereadora da Cultura da Câmara Municipal do Barreiro, Regina Janeiro, entendeu que o colóquio “superou as expectativas, já de si elevadas”, onde diz ter-se assinalado um “número imenso de realidades e memórias, que consubstanciam os 100 anos de convivência ente a C.U.F e o Barreiro”. E do Barreiro e do maior complexo industrial da península ibérica, considerou: “um e o outro estão irremediavelmente ligados”. Desse tempo, realçou a importância do papel dos operários e da “resistência e luta” que se respirava e “da ligação simbólica que se cimentou entre o industrial Alfredo da Silva e a cidade”.

Quimiparque – papel central na construção da cidade das duas margens

E de um território que “há 100 anos atrás representava o futuro”, sublinha que “volta a assumir esse papel”, através da Quimiparque, ao que considera que se deve a “centralidade privilegiada da Quimiparque no estuário do Tejo e de frente para Lisboa”, para “reafirmar o Barreiro enquanto pólo do progresso, do desenvolvimento, da cultura e do emprego”, assumindo os cerca de 300 hectares da antiga C.U.F um papel central na construção da “cidade de duas margens”.

Dois dias de “trabalho muito intenso” “com um resultado final positivo”

Para proceder às conclusões do colóquio, Amado Mendes, em representação da Universidade Autónoma de Lisboa (UAL), traçou um pequeno balanço da iniciativa “com um resultado final positivo” de dois dias de “trabalho muito intenso”, em que tiveram lugar 27 comunicações feitas por especialistas e investigadores de diversas áreas, o que entende ter sido enriquecedor para o colóquio. Engenheiros, arquitectos, filósofos, investigadores e museólogos trouxeram a “lume” várias perspectivas, o que diz ter gerado inclusivamente “debates acalorados e emotivos”. Chamou ainda a atenção para a publicação das actas do colóquio durante o próximo ano e forneceu algumas sugestões para próximas investigações, nomeadamente da realização de biografias de operários, sublinhando a importância do homem no centro da história e realçando a importância da história oral.

Relembrar as histórias de vida da C.U.F

Sobre os assuntos em debate, fez uma pequena “viagem” pelos quatro painéis em discussão. Fez menção à evolução da gestão da C.U.F, “como evoluiu a gestão de mão invisível para mão visível”; da estratégia da empresa nos anos 70; das histórias de vida; do movimento operário e das difíceis condições do operariado, ao que chamou a atenção para a relevância de essa situação ser comparada com a “situação prévia que viviam no trabalho do campo”; falou da necessidade de se desfazer “o chamado mito do empresário que parte do zero”, sublinhando que no caso de Alfredo da Silva, já dispunha de recursos materiais aquando a construção da C.U.F no Barreiro e de que enquanto químico, tinha conhecimentos nessa área.

Património deve ser “salvaguardado, reutilizado e mostrado”

Amado Mendes chamou a atenção para a necessidade de se prestar mais atenção aos projectos arquitectónicos industriais e, tendo em conta a abrangência do conceito património, sublinhou: “O Barreiro, e não só, é rico em património”, advertindo que o património deve ser “salvaguardado, reutilizado e mostrado” e que deve ter-se em conta a sua importância no turismo, tendo em conta também a ideia de que “o património pode ter um valor económico, não tem apenas que dar despesas, pode pagar-se a ele próprio”, devendo estar “posto ao serviço da comunidade e associado ao desenvolvimento”, defendeu.

Museu Industrial - “um dos símbolos da preservação do património”

Luís Tavares, administrador Executivo da Quimiparque, congratulou o “êxito” do seminário, realçando a “excelente organização e interessantíssimas apresentações”, sublinhando que “muitas delas trouxeram matérias novas” e, no seu entender, considera que a iniciativa dignifica as comemorações do Centenário da C.U.F no Barreiro. Sobre o papel da Quimiparque na preservação do património industrial, disse ter ficado “muito satisfeito por esse esforço ter sido reconhecido no seminário” e sublinhou ser essa uma tarefa difícil na prossecução do objectivo de “revitalizar e recuperar um espaço já muito antigo”. Uma tarefa com o intuito de “suster a degradação progressiva” e de captar empresas, e em que sublinhou a importância de “não se deixar esquecer que somos herdeiros de um vasto património”. E no dia em que será inaugurada a exposição “100 Anos da CUF no Barreiro”, chamou a atenção para o papel do Museu Industrial enquanto “um dos símbolos da preservação do património”.

Um “acréscimo de valor na historicidade barreirense”

Leal da Silva, representante da C.U.F SGPS, considerou o colóquio “uma tarefa ambiciosa, mas há muito merecida pelo Barreiro”, referindo ter sido composto por um painel “alargado e ambicioso”, que representa um “acréscimo de valor na historicidade barreirense”. Uma iniciativa em que se levantaram factos, conhecimentos e reflexões e “pontos de vista diferentes” de uma terra que entende ser um “caso singular” e expressou: “Encontrámo-nos e debatemos a nossa identidade”, que defende que seja preservada e transmitida. Considerando que “muito ficou por dizer”, sublinhou a importância de se ter falado no valor das pessoas e fez menção a uma pergunta que surgiu na plateia e que diz já não ser nova: “Para quando teremos uma estátua a dignificar o trabalhador barreirense?”.

Andreia Catarina Lopes

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