Inauguração da Exposição “100 Anos da CUF no Barreiro”Exposição sensorial com cenários que retratam o passado à luz de uma estética contemporânea
Secretário de Estado da Administração Local defende que a exposição “deve ser olhada como uma marca de confiança para as potencialidades da Quimiparque e do Barreiro”
José Neto: “É preciso abrir o espaço da Quimiparque, para que a Quimiparque seja mais o Barreiro e o Barreiro mais a Quimiparque”
Ontem, a exposição: “100 Anos da CUF no Barreiro”, no Museu Industrial, abriu as suas portas e revelou um espaço que apela a uma vivência mais sensorial que racional e que anuncia o ambiente da fábrica “à luz de uma estética contemporânea”. Uma exposição que procura marcar o centenário de uma forma inovadora, onde se revive o passado e se respira o simbolismo de um tempo que marcou a história do Barreiro, onde nem o fumo das fábricas falta para criar ambiência.

Por Jornal Rostos
“100 Anos da CUF no Barreiro” é uma exposição organizada pela Comissão Organizadora das Comemorações do Centenário da CUF no Barreiro, constituída pelo grupo CUF, pela Quimiparque e pela Câmara Municipal do Barreiro. O Comissário da Exposição, Rui Trindade, conta que a ideia da mostra passa por trazer o passado da fábrica para o presente “e possibilitar a leitura à luz de uma estética contemporânea desse passado”, ao que sublinha: “ o passado não tem de ser imutável e estático”.
Uma exposição sensorial com cenários que retratam o passado numa estética contemporânea
Joana Astolfi, arquitecta e designer da exposição, sublinha que a exposição viveu muito de visitas às fábricas antigas, para ir buscar objectos “que ainda estavam lá perdidos”, salienta, como botas, casacos, luvas, válvulas e depois “reciclá-los e tornar esse sujo industrial numa estética contemporânea”. Outros aspectos que realça são: a criação de cenários que retratam o passado, dando o exemplo da “entrada com o contínuo” e das experiências sensoriais, como a passagem pelo túnel do fumo.
Exposição feita em “tempo recorde”, em seis meses “muito intensos”
E de uma exposição que diz ter sido feita em “tempo recorde”, em seis meses “muito intensos”, Rui Trindade não esconde que as dificuldades foram várias, “primeiro porque viemos intervir num espaço que já existia e que já tinha o seu património e em segundo lugar porque o espólio não era suficiente para se criar uma narrativa como queríamos”, sublinha, ao que acrescenta o facto de “os organizadores serem uma comissão tripartida e que nem todas as nossas opções eram pacíficas para todas as entidades”. Mas não deixa de sublinhar que se tratou de um “desafio aliciante” e depois de a comissão organizadora ter mostrado o seu agrado pelo resultado da exposição, espera ver agora a reacção do público.
A exposição “deve ser olhada como uma marca de confiança para as potencialidades da Quimiparque e do Barreiro”
Presente na inauguração, o Secretário de Estado da Administração Local, Eduardo Cabrita, natural do Barreiro, disse ser com emoção que encontrou na exposição algumas das suas memórias: “os meus pais trabalharam na C.U.F, frequentei a escola para filhos de trabalhadores da empresa e fui monitor da Colónia de Férias na Praia Grande”. Entendendo que o “Barreiro tem futuro e um potencial radioso, que passará por muito trabalho”, defendeu que a exposição “deve ser olhada como uma marca de confiança para as potencialidades da Quimiparque e do Barreiro”, ao que fez menção às estratégias para o Arco Ribeirinho Sul, no qual entende que “o Barreiro tem uma posição estratégica”. Fala, nesse sentido, no papel importante que a zona da Quimiparque, da antiga Siderurgia e da Margueira devem assumir enquanto “âncoras de desenvolvimento de toda a Margem Sul do Tejo” e nos projectos estimados, como a Terceira Travessia do Tejo ou o novo aeroporto de Lisboa.
Quimiparque “é a chave do desenvolvimento do concelho do Barreiro”
Dos projectos estimados para a Margem Sul, o presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Carlos Humberto, considera que é preciso associar “à visão da ferrovia, do Metro Sul do Tejo, da ligação ao Seixal por rodovia e de um conjunto de medidas ao nível da mobilidade”. E sublinhando que a “C.U.F marca o desenvolvimento do Barreiro até hoje e marcará sem dúvida o desenvolvimento do concelho do Barreiro para o futuro”, entende que a Quimiparque “é a chave do desenvolvimento do concelho do Barreiro”, ao que acrescenta: “Estamos muito entusiasmados e empenhados e acho que é o maior desafio que se coloca para a próxima década ao Barreiro e acho que temos condições para o vencer”. Sobre a Comissão Organizadora das Comemorações do Centenário da CUF no Barreiro sublinha: “ em boa hora estas três entidades se decidiram juntar para comemorar os 100 anos da C.U.F, porque a C.U.F teve uma importância determinante na vida do Barreiro, marcou para tudo o que de bom e de mau o Barreiro tem.”
“É preciso abrir o espaço da Quimiparque, para que a Quimiparque seja mais o Barreiro e o Barreiro mais a Quimiparque”
Já José Neto, presidente do Conselho Administração da Quimiparque, lembra que a exposição é um culminar de um conjunto de iniciativas que começaram em Setembro de 2007 para assinalar o centenário “de um grande complexo industrial, quer em termos ibéricos, quer europeus”. E chama a atenção para a importância de se “continuar a aprender com a história, indo ao passado à procura das lições para o futuro”. E refere ser nesse sentido que defende para a Quimiparque um espaço que seja “um local de trabalho, de vida, de habitação, de lazer e de recordação e convívio, com o que foi o passado e com o rio” e adianta: “É preciso abrir o espaço da Quimiparque, fazer a ligação entre o Barreiro velho e o Lavradio, deitar abaixo os muros que ainda aqui estão, para que a Quimiparque seja mais o Barreiro e o Barreiro mais a Quimiparque”. E defende: “A Margem Esquerda do Tejo não pode ser a margem esquecida, ambas são importantes.”
Filmes inéditos da época
De sublinhar que a mostra pode ser visitada até ao dia 20 de Dezembro, de terça a domingo, das 10h00 às 18h00. E destacam-se ainda os filmes inéditos da época que estarão em exibição na exposição, que incluem um filme publicitário inédito sobre a C.U.F, no qual participa o actor Vasco Santana, num dos seus primeiros trabalhos de representação.
Andreia Catarina Lopes













