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Perspectivas

Exposição “Cem Anos da CUF no Barreiro”Para as “pessoas sentirem e viverem uma memória que aqui ficou”

O encontro com o contínuo da C.U.F marca a fronteira para a entrada numa história que faz parte do Barreiro. Os cem anos da C.U.F são contados pelos objectos, pelos rostos de homens e mulheres que lá trabalharam, pela névoa industrial, pela sirene (o compasso de trabalho) pelas máquinas, pela publicidade da época. Pelos sentidos. No Museu Industrial, e até ao dia 20 de Dezembro, a vivência desses cem anos da C.U.F revela-se, aflorando memórias e incutindo saberes. Para deixar a história falar, sem se perder.

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Exposição “Cem Anos da CUF no Barreiro” Para as “pessoas sentirem e viverem uma memória que aqui ficou”

Por Jornal Rostos

Tratando-se de uma exposição alusiva a um centenário, o comissário da Exposição, Rui Trindade, conta que a preocupação seria de corresponder ao desafio de ser algo de inesquecível, e que de forma diferente “chamasse a atenção, tantos dos barreirenses, como das pessoas de fora”. Conta que a ideia da exposição “Cem Anos da CUF no Barreiro” é “trazer o património para o presente”, para uma linguagem estética contemporânea, o que diz ter conduzido a uma descoberta de objectos que são elementos de uma história com cem anos.

Para as “pessoas sentirem e viverem uma memória que aqui ficou”

O chamado “lixo industrial” foi disposto em pequenas narrações, ao que Rui Trindade, chama de “pequenas ilhas”, que contam uma vivência, a do maior complexo industrial da Península Ibérica e sem se “esconder esses 100 anos”, a simbologia fala mais alto, apelando aos sentidos, numa exposição nomeadamente iconográfica que é um desafio para as “pessoas sentirem e viverem uma memória que aqui ficou”, sublinha.

A luz deixa espaço à vivência dos objectos

A sirene. E depois a luz deixa espaço à vivência dos objectos. Primeiro revela-se uma história, antes da chegada da C.U.F ao Barreiro, onde os objectos e fotografias da época falam da pesca rural, dos caminhos-de-ferro e das corticeiras. Depois, a chegada da C.U.F em 1908 é assinalada pela presença de malas e nelas objectos como o sabão, as velas e os óleos da C.U.F, de notícias de contestação social, do regicídio do Rei D. Carlos I e depois por uma mala de Alfredo da Silva, que guarda os seus óculos e o gravador onde registava os relatórios.

A Tecnologia também marca presença na mostra. Máquinas de escrever, telefones e aquela que foi uma das primeiras fotocopiadoras. Tudo objectos da época que respiram vivências. Assim como os adubos, o sulfato de cobre ou o enxofre e a frase emblemática: “O que o país não tem, a C.U.F cria”. E a memória vai desfiando-se e passa também pelos rostos dos homens e mulheres que trabalharam nas fábricas, pelo túnel do nevoeiro, pela marcha que representa a contestação social que se viveu no Barreiro em 1943 e 1944. Pela imponência da antiga central. A exposição passa também pela Nacionalização da C.U.F em 1975 e depois fala do recomeço, fala da Quimigal, da Quimiparque e de uma viagem de barco e de um futuro em aberto.

A projecção de filmes e imagens alusivas à época também marca presença, onde não falta o recente achado de um filme publicitário inédito sobre a C.U.F, no qual participa o actor Vasco Santana. Sardinha Pereira, director do Museu Industrial da Quimiparque, conta que o espaço da exposição dedicado à projecção de pequenos filmes “procura recriar a Casa da Cultura”, o histórico Cinema Ginásio, que lembra que faz parte do património a transferir para a “Fundação Quimiparque”.

Autarquia prepara-se para trazer ao Museu Industrial as crianças do pré-escolar e 1.º ciclo do concelho

Para a vereadora da Cultura da Câmara Municipal do Barreiro (CMB), Regina Janeiro, trata-se de uma exposição de “muita qualidade”, ao que adiantou que, à semelhança do ano passado, a autarquia prepara-se para trazer ao Museu Industrial as crianças do pré-escolar e 1.º ciclo do concelho, para poderem ter também contacto com a exposição. E quando às iniciativas organizadas pela Comissão Organizadora das Comemorações do Centenário da CUF no Barreiro, traça um balanço muito positivo de trabalho que envolveu três entidades: o grupo CUF, a Quimiparque e a CMB.

Clube das Empresas “já teve mais movimento mas continua a ser “muito importante”

E numa manhã em que as memórias se foram revelando, visitou-se o que é hoje o Clube das Empresas, um espaço criado nos anos 40, onde os licenciados, o pessoal do serviço técnico e os administrativos tomavam as suas refeições. Com a constituição da Quimiparque, Sardinha Pereira lembrou que o espaço passou a chamar-se Clube das Empresas, aberto às empresas da Quimiparque. Hoje refere que “o espaço já teve mais movimento mas continua a ser muito importante”. Ou não fosse mais uma marca da história da C.U.F.

Andreia Catarina Lopes

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