Secretário-geral da CGTP no IV Seminário da Rede Social do BarreiroNecessidade de “cada indivíduo se apresentar como portador dos direitos"

Por Jornal Rostos
Necessidade de “cada indivíduo se apresentar como portador dos direitos e não de os pedir como favor”
Começando por falar do Barreiro, como uma “terra dos trabalhadores e operários”, o secretário-geral da Confederação Geral dos Trabalhadores de Portugal, Carvalho da Silva, falou da perspectiva reformista do Estado, enquanto “garante único de combate às desigualdades”, desempenhando as funções de “garantir a igualdade, a imparcialidade e a equidade quer dos actores colectivos, quer dos indivíduos”, valores que diz serem hoje postos em causa pelo processo de desenvolvimento do “sistema capitalista”. Defende a necessidade de reformas de política sociais, de acordo com a evolução do mercado de trabalho e até pela questão demográfica, sublinha, com o aumento da esperança de vida mas adverte: “não como se esta não fosse uma aquisição de toda a sociedade e que se resolvesse com a alteração da idade da reforma”. E fala também na necessidade de “cada indivíduo se apresentar como portador dos direitos e não de os pedir como favor”.
Uma “espiral regressiva que tenta eliminar os direitos do trabalho, transformando-os em privilégios”
Considera que o grande problema que se coloca à sociedade é mais profundo do que a crise financeira e diz assentar na perspectiva estratégica da “obtenção de resultados a todo o custo”, trazido pelo capitalismo neo-liberal. Entendendo que face à situação presente: “é preciso parar e olhar para as causas desta instabilidade e insegurança”. E dirigindo críticas à revisão do Código do Trabalho, o secretário-geral da CGTP considerou: “não é possível uma regulação e regulamentação dos direitos sociais e do trabalho numa sociedade de velhas catalogações dos indivíduos, ao se dividir entre capazes e incapazes”. Fala de uma “espiral regressiva que tenta eliminar os direitos do trabalho, transformando-os em privilégios”, direitos que diz estarem interligados com os direitos sociais e de cidadania. Crítica o que diz ser “os ataques à contratação colectiva” e chama a atenção para as implicações na participação cívica das pessoas, pelo aumento do número de horas de trabalho: “quando o lugar do tempo do cidadão que é trabalhador fica condenado à sua lógica de trabalho, é a subversão total da lógica da sociedade.”
Andreia Catarina Lopes













