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Perspectivas

Jantar com Rostos – Regina Janeiro, vereadora da Cultura da Câmara do BarreiroA cultura existirá “independentemente de que executivo houver”

No Barreiro - uma “oferta cultural muito vasta, que tem crescido e aumentado a sua abrangência”

“A política da CMB não deve funcionar só com os serviços do Barreiro”

A cultura “é um direito de todos mas também um dever de todos”

Escola de Artes e Ofícios “está em discussão e é um objectivo”

A política cultural do Barreiro serviu de mote de conversa no “Jantar com Rostos”, que se realizou ontem, no Restaurante Palácio Alfredo da Silva, com Regina Janeiro, vereadora da Cultura da Câmara do Barreiro. No jantar as memórias afloraram e a importância do Movimento Associativo na promoção cultural e enquanto marca do concelho do Barreiro foi evocada. Nesse sentido, foi defendida uma cultura, que tenha em conta as raízes do concelho e dos nomes que fizeram história, mas que se saiba alargar e constituir uma referência no panorama nacional.

A vereadora Regina Janeiro defendendo que “as cidades são feitas de pessoas” e que a política cultural é das pessoas, advoga que essa cultura existirá “independentemente de que executivo ou direcção de colectividade houver”. E quanto à política actual do Barreiro, entende que passa por uma “oferta cultural muito vasta, que tem crescido e aumentado a sua abrangência”. Não deixa, no entanto de sublinhar que a cultura “é um direito de todos mas também um dever de todos”.

10 min de leitura
Jantar com Rostos – Regina Janeiro, vereadora da Cultura da Câmara do Barreiro A cultura existirá “independentemente de que executivo houver”

Por Jornal Rostos

Regina Janeiro, vereadora da Cultura da Câmara Municipal do Barreiro (CMB), começou por sublinhar que uma política cultural global se constrói tendo em conta um conjunto de diferentes áreas, entre elas: os assuntos sociais, a educação, o património histórico ou o desporto. Quanto ao papel dos municípios na área da cultural, e entendendo que tem havido “algum desinvestimento por parte do poder central” nessa área, fala de um amplo leque de intervenções “onde é preciso muita energia na resposta”, que passam desde pelo possibilitar o acesso da população a actividades culturais, como pela sua produção, exibição e promoção de iniciativas também de terceiros, assim como na própria formação de públicos. Considera ainda que intervir culturalmente não passa “apenas por trabalhar para encher salas”, entende que é algo mais profundo, relacionado com a “promoção da cidadania, participação e liberdade”, ao que expressou: “através da arte e da cultura deixamos de ser meros espectadores”.

No Barreiro – uma “oferta cultural muito vasta, que tem crescido e aumentado a sua abrangência”

No Barreiro entende que existe uma “oferta cultural muito vasta, que tem crescido e aumentado a sua abrangência”, considerando que existem “eventos que marcam o calendário cultural nacional” e expressou: “Levámos mais longe a afirmação de que a intervenção cultural, enquanto factor de cidadania, incumbe não só a todos, como é um direito de todos.” Da intervenção cultural no Barreiro, deu o exemplo do Auditório Municipal Augusto Cabrita (A.M.A.C), onde refere que nos meses de Setembro e Outubro houve cerca de 30 eventos e uma adesão de cinco mil espectadores.

“Não quisemos perder nenhuma energia do que se tinha feito em termos de intervenção cultural”

E sublinhando que “não quisemos perder nenhuma energia do que se tinha feito em termos de intervenção cultural”, referiu: “o que procurámos foi reunir todos os esforços, renová-los, reforçá-los”, com o objectivo que diz ser de “que fizessem parte integrante da vida das populações.”
Sobre a Ilustrarte, considerando que se trata de um projecto que é muito conhecido em termos nacionais, mas que o mesmo não se passa no Barreiro, refere que a autarquia pretendeu “através das crianças, divulgá-la para a família”, levando as crianças do pré-escolar e 1.º ciclo em visita às exposições e a participar em workshops. Sobre “A Cidade e a Música”, que existe desde 1987, refere que procuraram “ir para além de um ciclo de concertos” e alargar as iniciativas pelas freguesias e espaços culturais. Do Mês do Teatro, uma actividade que diz ter também muita tradição no concelho, referiu que o objectivo é que seja trabalhado em “estreita parceria com os grupos de teatro do concelho” e que se descentralize pelas freguesias, aproveitando também esse período para reflectir e discutir com quem faz teatro.

Importância de “aproveitar as vontades, disponibilidades, conhecimento e experiência dos barreirenses”

De novidades na programação cultural no Barreiro falou na introdução do cinema no A.M.A.C, resultante de um protocolo com o CineClube do Barreiro, sobre o qual comenta: “não procurou colmatar nenhuma lacuna, é um cinema diferente, alternativo”. E sobre o A.M.A.C Júnior diz que surge no sentido de aproximar as crianças do mundo da cultura e da arte, através da aposta na formação de públicos. Fala ainda na importância de “aproveitar as vontades, disponibilidades, conhecimento e experiência dos barreirenses”, dando o exemplo das iniciativas: “Barreiro Rocks”, o “BOM – Barreiro e Outras Músicas”, iniciativas “feitas por jovens do nosso concelho”, sublinhou. Falou ainda do Espaço J, sobre o qual comenta: “onde damos rostos aos impulsos de criação”.

Necessidade de uma maior divulgação dos acontecimentos e de um Museu de Artes e Ofícios

No período de debate, Carlos Alberto Correia falou no quão ampla é a definição do conceito de cultura e logo fez uso de uma definição antropológica, referindo-se a um “cimento que une diferentes pessoas numa identidade semelhante”. E nesse elemento de união, entende que a uma autarquia compete “criar um projecto que envolva os produtores culturais”, “que tenham a capacidade de se puderem exprimir”. No Barreiro chamou a atenção para a necessidade de uma maior divulgação dos acontecimentos e de um Museu de Artes e Ofícios “onde estejam todas as coisas importantes feitas por todos os artistas, artesãos e trabalhadores”.

Necessidade de revalorização do património das colectividades

Durante a noite foi focada a importância e tradição que detém o Movimento Associativo no concelho do Barreiro. Nuno Banza considerou que o movimento “representa uma diversidade cultural muito interessante e que corporiza uma resistência e forma de luta”, mas que hoje “atravessa dias muito complicados”. Por isso chamou a atenção para a necessidade de uma estratégia para esta área, que passe pela revalorização do património das colectividades, incluindo o infra-estrutural, ao que justificou: “o que não quer dizer que a resposta se encontre na CMB”.

“O Barreiro tem uma cultura e tem gente que vive para além das Câmaras”

Por sua vez, José Francisco, fez uso das memórias e evocou alguns momentos vividos no Movimento Associativo e considerou: “O Barreiro tem uma cultura e tem gente que vive para além das Câmaras”, considerando que existe uma cultura que é da população e que assenta na “união”, o que diz ser a “grande riqueza do Barreiro”, ao que acrescentou: “A malta do Barreiro tem sentir, mexe-se” e considerou: “O Barreiro tem de andar para a frentes, sem estarmos presos demasiado ao passado, mas sem esquecer que o Barreiro existe independentemente de quem dirige os destinos do concelho” e rematou: “O Barreiro continua a ser uma terra progressista e de gente que sabe o que quer”.

Conselho dos Jubilados

Caro Proença chamou a atenção para a importância de a cultura do Barreiro não deixar esquecer os elementos que a fizeram, assim como os nomes que a compuseram, como o poeta Joaquim Pessoa ou o pintor Américo Marinho. E na sua intervenção, em que focou o papel dos mais velhos na transmissão de saberes, não deixou de falar na necessidade de um Conselho dos Jubilados.

Necessidade de uma estratégia cultural que se torne “referência em termos nacionais”

Considerando que nas iniciativas culturais “é preciso envolver mais pessoas”, António Sousa Pereira falou na necessidade de o Barreiro começar a potenciar uma estratégia cultural que se torne “referência em termos nacionais” e nessa estratégia defende que tenha em conta as raízes do concelho. Considerou ainda que não deve ser esquecido que é a “Liberdade e a Democracia” que caracterizam o Barreiro Cultural. E sobre o Movimento Associativo considera que “deve descobrir a sua auto-dependência e subsistência”.

Movimento Associativo “não vive exclusivamente da Câmara”

Sobre as colectividades, a vereadora comenta: “a cultura vive-se e respira-se dentro do Movimento Associativo” e reconhecendo que o movimento “atravessa uma fase difícil do ponto de vista financeiro”, acredita que “não vive exclusivamente da Câmara” e acrescenta que os critérios de apoio ao movimento associativo “são muito claros e objectivos” relativamente a isso. Uma das questões em que considera que o movimento tem tido “maior dificuldade em ouvir mais alta a sua voz” é em relação aos impostos, ao que diz não estar de acordo que os “impostos do movimento sejam iguais aos de uma empresa ou aos dos cidadãos”. E chamando ainda a atenção para o facto de o Conselho Municipal do Associativismo ir tomar posse no mês de Novembro, expressa: “temos de ter coragem para traçar caminhos”.

“A política da CMB não deve funcionar só com os serviços do Barreiro”

Entendendo que a “política cultural do Barreiro não é a política cultural da CMB”, a vereadora Regina Janeiro considera que a actividade cultural da CMB é complementar à actividade cultural do Barreiro, defendendo que deve ser diferente, ao que expressa: “A política da CMB não deve funcionar só com os serviços do Barreiro”. Quanto à divulgação das iniciativas reconhece que um dos maiores desafios é chegar “aos 60 por cento da população que trabalham fora do Barreiro, que saem de madrugada e chegam à noite”.

Escola de Artes e Ofícios “está em discussão e é um objectivo”

A vereadora não deixou de focar a importância da existência da oferta de ensino artístico no concelho, como a Escola de Jazz, a Escola de Música da Banda Municipal do Barreiro e da Escola de Teatro do ArteViva. Instituições que considera que “devemos continuar a incentivar e não devemos perder”. Anunciou ainda que a Escola de Artes e Ofícios “está em discussão e é um objectivo”, e que ainda não havendo certezas quanto ao seu local de funcionamento a Escola Conde Ferreira poderá ser uma opção, mas acrescenta: “existem vários projectos para a Escola Adães Bermudas”, no Lavradio.

A cultura existirá “independentemente de que executivo ou direcção de colectividade houver”

Defendendo que “as cidades são feitas de pessoas” e que a “política cultural é das pessoas”, advoga que essa cultura existirá “independentemente de que executivo ou direcção de colectividade houver”. A diversificação da oferta cultural; o “dar a conhecer coisas novas”, defendendo que “só podemos gostar daquilo que conhecemos”; a aposta na formação e a descentralização da cultura pelos diferentes espaços culturais das freguesias, assim como o respeito pela Cultura Popular são questões para as quais a vereadora chama a atenção, defendendo que a cultura “é um direito de todos mas também um dever de todos”.

Próximo “Jantar com Rostos” com o vereador Bruno Vitorino

O próximo “Jantar com Rostos” será no dia 27 de Novembro, com o convidado Bruno Vitorino, vereador responsável pela Divisão de Sustentabilidade Ambiental da Câmara Municipal do Barreiro, sob o tema: “A Política Ambiental no Barreiro”.

Andreia Catarina Lopes

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