“O Fim da Indústria Tradicional no Barreiro: e agora, que futuro?”Território da Quimiparque tem que ser uma nova “Cidade Empresarial”
A nova travessia do Tejo “deve contribuir para trazer para o Barreiro equipamentos âncora”, defendeu, assim como, considerou “indispensável ligar o Barreiro ao Seixal, através de uma ponte rodoviária”.
Na sua intervenção; Carlos Humberto, sublinhou que, as Oficinas Ferroviárias devem ser relocalizadas no interior do território da Quimiparque.
Jorge Pires defendeu que o Barreiro precisa, no futuro, recuperar os postos de trabalho que foram perdidos, tendo em vista inverter as tendências actuais – “os piores movimentos pendulares estão nos concelhos do Barreiro e Moita” onde, sublinhou, as cerca de 48% ou 49% das pessoas “vão trabalhar para fora do concelho” e não têm vida social.
“A CUF não é a construção individual de um só homem” – sublinhou Ercília Talhadas, acrescentando que – “o Barreiro democrático tem uma divida de gratidão com a memória do trabalho”, nesse sentido defendeu que deveria ser construído um monumento não trabalho e aos trabalhadores do Barreiro.

Por Jornal Rostos
“O Barreiro e a CUF não nasceram há 100 anos: e agora, que futuro?” – foi o tema que enquadrou um conjunto de iniciativas promovidas pela Cooperativa Cultural Popular Barreirense e o Movimento Barreiro, Património, Memória e Futuro.
Nos debates que decorreram na Cooperativa Cultural Popular Barreirense, foram abordados diferentes temas.
O ciclo encerrou com a abordagem do tema : “O Fim da Indústria Tradicional no Barreiro: e agora, que futuro?”, que contou com a participação de Carlos Humberto Carvalho, Ercília Talhadas e Jorge Pires.
Um monumento não trabalho e aos trabalhadores
Ercília Talhadas, na sua intervenção referiu que nestes 100 anos da CUF, é importante que “não sejam apenas consagrados os construtores do império” e sublinhou que “os heróis obreiros desse império chamado CUF” foram milhares de trabalhadores, homens e mulheres, “que morreram ou ficaram inválidos por acidente”.
“A CUF não é a construção individual de um só homem” – sublinhou Ercília Talhadas.
“O Barreiro democrático tem uma divida de gratidão com a memória do trabalho” – referiu acrescentando que deveria ser construído um monumento não trabalho e aos trabalhadores do Barreiro.
Nacionalização da CUF uma história muito mal contada
Ercília Talhadas recordou a importância da CUF e a sua acção na vida local antes de 25 de Abril, evocando a poluição, referiu que a nacionalização da CUF – “uma história que está muito mal contada”.
Na sua intervenção recusou aceitar a tese que foram “os trabalhadores os responsáveis pela derrota das nacionalizações”, nesse sentido, questionou: “Quem foi o responsável pelos investimentos na Quimigal?”.
Ercília Talhadas salientou que temos “olhado” com “demasiada ideologia para as nacionalizações” e defendeu que estas foram um “contributo para o crescimento económico e para a estabilidade económica”.
Ter em consideração as pessoas e o ambiente
No que diz respeito à actualidade, Ercília Talhadas, defende que os investimentos a efectuar no território da Quimiparque devem “ “São bem vindas ao Barreiro empresas que respeitem o direito ao trabalho e o ambiente e que apostem em novas tecnologias” – referiu, acrescentando ser essencial “valorizar o trabalho como conceito de cidadania”.
“O fim da indústria no Barreiro não é o fim da história” – salientou Ercília Talhadas.
Uma empresa chave na economia nacional
Jorge Pires, começou por sublinhar que “as opções não são neutras” e que “os modelos de desenvolvimento são enquadrados num conceito ideológico”.
Nesse sentido, recordou que em relação ao desenvolvimento do Barreiro e ao território da Quimiparque, “não é possível falar do que queremos no futuro, sem termos em conta o que ali existiu”.
Jorge Pires recordou que nos anos 80 foram desenvolvidas politicas que contribuíram para a “destruição do aparelho produtivo”, ao mesmo tempo salientou que entre 1977 e 1983, os níveis de produtividade da Quimigal cresceram, sendo “uma empresa chave na economia nacional”.
“A desarticulação da Quimigal enfraqueceu a solidadariedade dos trabalhadores da empresa” – salientou Jorge Pires.
Investimentos votados ao fracasso
Na sua intervenção recordou que na Quimigal foram efectuados investimentos, apoiados pelo Banco Europeu de Investimentos, para os quais não foram tomadas medidas – “estavam votados ao fracasso”.
Jorge Pires, referiu que com o desaparecimento de milhares de postos de trabalho no complexo da antiga CUF e Quimigal, contribui para que o Barreiro perdesse a sua identidade.
Os piores movimentos pendulares estão nos concelhos do Barreiro e Moita
Neste contexto, Jorge Pires defendeu que o Barreiro precisa, no futuro, recuperar os postos de trabalho que foram perdidos, tendo em vista inverter as tendências actuais – “os piores movimentos pendulares estão nos concelhos do Barreiro e Moita” onde, sublinhou, as cerca de 48 ou 49% das pessoas “vão trabalhar para fora do concelho” e não têm vida social.
Jorge Pires sublinhou que é preciso “retomar um ciclo de vida no Barreiro que as pessoas tenham aqui as suas raízes, para trabalhar e viver” e que o Barreiro não seja um dormitório de Lisboa.
Na sua intervenção, defendeu que o novo Barreiro tem que ter indústrias que proporcionem “emprego qualificado”.
“O modelo que seja construído tem que afirmar a atractividade do Barreiro” – sublinhou Jorge Pires.
Vive-se uma crise social, crise económica e crise emocional
Carlos Humberto, começou por sublinhar que os 100 anos de presença da CUF no Barreiro torna a história do Barreiro “indissociável” da CUF.
Recordou que nas duas últimas décadas o Barreiro perdeu 18 mil habitantes, regista-se o envelhecimento da população, existe um sentimento de “depressão” e de perca de emprego.
“Há problemas de carácter social e vive-se uma crise social, crise económica e crise emocional” – referiu Carlos Humberto.
Na sua intervenção referiu que “é impossível desligar o desenvolvimento do Barreiro do desenvolvimento da região”, uma região que, na sua opinião, nas últimas décadas – “foi marginalizada”.
Carlos Humberto, defendeu que Lisboa deve crescer para sul, de forma a que sejam combatidos os estigmas que marcam a região, defendeu a requalificação do Arco Ribeirinho Sul, até Alcochete.
Oficinas Ferroviárias relocalizadas no interior do território da Quimiparque
“O Barreiro tem que se assumir como uma centralidade diferenciada” – referiu Carlos Humberto, e, neste contexto, referiu que as parcerias que foram estabelecidas para encontrar soluções para o território da Quimiparque, que contribuam para “o desenvolvimento e para a criação de emprego”.
“O território da Quimiparque tem que ser uma nova cidade empresarial” – referiu Carlos Humberto, acrescentando que “o desenho urbano tem que dar suporte a esta ideia”.
Por outro lado, referiu que a nova travessia do Tejo “deve contribuir para trazer para o Barreiro equipamentos âncora”, assim como defendeu ser “indispensável ligar o Barreiro ao Seixal, através de uma ponte rodoviária”.
Na sua intervenção sublinhou que, as Oficinas Ferroviárias devem ser relocalizadas no interior do território da Quimiparque.













