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Perspectivas

Bloco de Esquerda - Barreiro – MoitaPortugal é na Europa o campeão das desigualdades entre ricos e pobres

“Portugal é de todos os países na Europa o mais desigual, é o campeão das desigualdades entre ricos e pobres” – salientou Francisco Louça.
Na sua intervenção, referiu que “o nosso Primeiro Ministro tornou-se num promotor de negócios extraordinário”, ao promover a venda do computador “Magalhães” numa cimeira internacional.

“A esquerda antiquada sempre foi avessa a esta loucura da privatização da Segurança Social” – sublinhou Miguel Portas, acrescentando que – “as classes média e alta têm que agradecer à esquerda troglodita”.
Por outro lado, referiu que - “a tarefa da democracia não é salvar os banqueiros”.

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Bloco de Esquerda - Barreiro – Moita Portugal é na Europa o campeão das desigualdades entre ricos e pobres

Por Jornal Rostos

No Auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro, decorreu uma iniciativa promovida pelas concelhias do Bloco de Esquerda do Barreiro e Moita, tendo como objectivo analisar a actual crise financeira.
Para além de Francisco Louça, líder nacional do Bloco de Esquerda, marcou presença Miguel Portas, deputado do Parlamento Europeu, eleito pelo BE, Mário Durval, líder do concelho do Barreiro e Joaquim Raminhos, líder do BE no concelho da Moita e vereador da Câmara Municipal da Moita.

Portugal está a perder em todos os indicadores de desenvolvimento

Miguel Portas, numa intervenção que abordou a temática : “A esquerda, a crise e a Europa”, recordou que entre 1995 e 2002, o PIB cresceu moderado e que o desemprego quase triplicou, registando-se desde 2003, “decréscimo do poder de compra dos salários”.
Nesse sentido, referiu que na situação actual “temos uma crise nova, em cima de uma crise velha”.
Divulgando diversos dados de evolução comparada, Miguel Portas, salientou que os números em relação a Portugal, no contexto europeu, são negativos, salientando que, por exemplo, nos países da Europa de leste, regista-se que têm índices mais elevados ao nível da formação.
“Portugal está a perder em todos os indicadores de desenvolvimento” – sublinhou Miguel Portas, acrescentando que “em 20 anos de União Europeia houve quem aproveitasse melhor que nós”.

Desenvolveu-se a “economia do endividamento”

Miguel Portas, na sua intervenção, referiu que o século XX foi marcado por “guerras pavorosas” e também por um processo de “aceleração” fruto de invenções que valorizaram a qualidade de vida.
Recordou que até aos anos 70 os capitalistas utilizavam a “acumulação e lucro para investimentos” nas empresas, recordando o exemplo da CUF.
Por lado, referiu que nos anos 80, “os lucros libertos da acumulação”, em vez de serem aplicados em investimentos, começam a ser aplicados no capital da bolsa.
“Os activos financeiros de capital fictício, aumentam 15 vezes, enquanto a produção aumentou 5 vezes” – sublinha Miguel Portas, acrescentando que, desde os anos 90, desenvolveu-se a “economia do endividamento”, situação esta que é fomentada por governos de direita e de centro esquerda, como estratégia para que exista “aumento de salários moderados” ao mesmo tempo que o “acesso ao crédito é alimentado”.
Miguel Portas, sublinhou que esta estratégia visava “garantir a banca” e “permitir às famílias o acesso ao consumo”.
“O crescimento através do crédito nos últimos 30 anos gerou o endividamento” – sublinhou Miguel Portas.

As classes média e alta têm que agradecer à esquerda troglodita

Na sua intervenção o deputado europeu do Bloco de Esquerda, recordou que existe diferença entre a Europa e Estados Unidos da América, no que diz respeito à Segurança Social, que permite aos trabalhadores europeus alguma estabilidade.
“A esquerda antiquada sempre foi avessa a esta loucura da privatização da Segurança Social” – sublinhou Miguel Portas, acrescentando que – “as classes média e alta têm que agradecer à esquerda troglodita”.
Segundo salientou com a situação actual de crise financeira, “a Banca colocou de joelhos a politica”, e, na sua opinião “os Governos que devem responder por isto”, agora “andam a correr atrás do prejuízo”.

A tarefa da democracia não é salvar os banqueiros

“A tarefa da democracia não é salvar os banqueiros” – sublinhou Miguel Portas, no entanto, referiu – “nós não queremos que os bancos vão à falência, seria uma irresponsabilidade”.
Miguel Portas referiu que o “Governo procura gerir a crise financeira, mas esta é uma crise económica”, nesse sentido, defendeu que – “não saímos da depressão se apenas andarmos atrás das respostas para a crise financeira”.

O combate à pobreza é a prioridade das prioridades

Miguel Portas sublinhou que o essencial, entre outras medidas, é a “urgência de defesa do poder de compra dos salários”, porque a “politica de contracção salarial é a pior coisa que se pode fazer neste momento”.
“O combate à pobreza é a prioridade das prioridades” - referiu
A finalizar o deputado europeu defendeu que a “Europa é precisa pata jogar a força que temos na economia” nesta situação internacional, no entanto, Miguel Portas sublinhou, que é preciso “uma Europa que seja capaz de se refundar para responder à crise económica e social em que os banqueiros nos meteram”.

O Primeiro Ministro não é um agente comercial

Francisco Louça, líder do Bloco de Esquerda, recordando que “a crise financeira não é financeira faz parte da velha crise” e neste contexto criticou o facto do banco Europeu estar a “impor juros torcionários”.
O líder do Bloco de Esquerda sublinhou que o Governo devia intervir nomeadamente na definição de juros, porque “juros tão altos é irresponsável”.
Na sua intervenção, Francisco Louçã, referiu que “o nosso Primeiro Ministro tornou-se num promotor de negócios extraordinário” ao promover a venda do computador “Magalhães” numa cimeira internacional.
“O Primeiro Ministro não é um agente comercial” – sublinhou Francisco Louça, acrescentando que – “a ideia que o negócio conduz a vida é uma forma de desprezar as pessoas”.

Portugal campeão das desigualdades entre ricos e pobres

“Onde a direita falha e mostra a arrogância social de sempre, onde o Governo se mostra governo de negócios, é preciso alternativa, uma politica que combata as desigualdades ” – referiu o líder do Bloco de Esquerda.
“Portugal é de todos os países na Europa o mais desigual, é o campeão das desigualdades entre ricos e pobres” – salientou Francisco Louça.
Na sua intervenção referiu que em Portugal “a exploração é incentivada e favorece alguns” e acrescentou que o Governo deveria aplicar “impostos sobre as fortunas”, como tal não acontece, Francisco Louça, referiu que tal só é possível se “existir alternativa”, uma alternativa que deve ser criada por “todas as pessoas que não suportam as desigualdades” constituindo uma força que defenda a “decência e a justiça”, uma força que possa “acabar com as alternâncias, dos dois gestores da crise, impondo o “respeito pelas pessoas”.
Esta força politica, segundo Francisco Louça, reside na capacidade de “renascimento da esquerda”.

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