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Perspectivas

Debate Frater – “A Saúde no Barreiro: Situação e Perspectivas Futuras”“Se há assunto que merece debate e preocupação dos cidadãos do Barreiro é a saúde”

Hospital do Barreiro “em termos geo-estratégicos também tem todas as condições para poder crescer e evoluir”

É necessário “sobretudo garantir que o hospital não perde importância estratégica na Península de Setúbal”

23 por cento de utentes sem médico de família no Barreiro

Na passada sexta-feira, dia 31 de Outubro, realizou-se no auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro a quarta sessão/debate promovida pela Frater, sob o tema: “A Saúde no Barreiro: Situação e Perspectivas Futuras”. Traçado um diagnóstico de envelhecimento dos profissionais da saúde, da falta de médicos de família e de uso excessivo das urgências do hospital foi defendida uma maior aproximação do hospital com o Serviço de Cuidados Primários, assim como se falou da importância das USF. E tendo em conta os projectos que assolam ao distrito e ao Barreiro, falou-se na necessidade de o Hospital do Barreiro se diferenciar em relação aos outros hospitais.

A directora Clínica do Hospital Nossa Senhora do Rosário considera ser o Serviço de Oncologia “que diferencia o Hospital” e acrescenta: “O hospital não se pode diferenciar em tudo, tem de caminhar para uma diferenciação em excelência”.

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Debate Frater – “A Saúde no Barreiro: Situação e Perspectivas Futuras” “Se há assunto que merece debate e preocupação dos cidadãos do Barreiro é a saúde”

Por Jornal Rostos

O debate contou com a presença da directora Clínica do Hospital Nossa Senhora do Rosário, Ana Abel; do delegado de Saúde do Barreiro, Mário Durval; do director do Centro de Saúde do Barreiro, Francisco Gouveia; do deputado da Assembleia Municipal do Barreiro, Jorge Espírito Santo e do vice-presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Joaquim Matias.

Hospital do Barreiro “em termos geo-estratégicos também tem todas as condições para poder crescer e evoluir”

Numa sessão que se prolongou, afloraram-se inúmeras questões da área da saúde, entre as quais as preocupações que se prendem com o envelhecimento dos profissionais da saúde e a consequente redução, assim como a eventual extinção das carreiras médicas e também do papel que o Hospital do Barreiro deverá assumir, tendo em conta os projectos previstos para a margem sul. O médico Fernando Fonseca, da Frater, moderador do debate, disse não “ter dúvidas de que o Hospital do Barreiro tem todas as condições para ser o Hospital mais diferencial da zona”, ao que acrescentou: “em termos geo-estratégicos também tem todas as condições para poder crescer e evoluir”, ao que considerou que o que tem faltado é o investimento em meios técnicos e humanos.

“O hospital não se pode diferenciar em tudo, tem de caminhar para uma diferenciação em excelência”

A directora Clínica do Hospital Nossa Senhora do Rosário, Ana Abel, considera ser o Serviço de Oncologia “que diferencia o Hospital” e acrescenta: “O hospital não se pode diferenciar em tudo, tem de caminhar para uma diferenciação em excelência”, ao que conta que este serviço está organizado em consultas multidisciplinares. Ainda sobre esta questão da diferenciação, expressou: “algumas coisas vamos conseguindo, outras são-nos negadas”, ao que contou que depois de “múltiplas reuniões” e entendendo que o hospital “merecia ter uma cardiologia de intervenção como deve ser, não conseguimos”. Refere ainda que o hospital espera “há meses pela autorização da obra para aumentar a unidade de cuidados intensivos”.

Verba atribuída ao Hospital Garcia da Orta “que neste momento parece não ter ninguém a fazer Medicina da Reprodução ”

Relativamente à Medicina da Reprodução, conta que “foi com muita tristeza que o Hospital do Barreiro viu que não lhe foi atribuído”, referindo que o hospital estava preparado para o fazer, existindo profissionais especializadas em inseminação artificial mas acrescenta: “no entanto, a verba foi atribuída ao Hospital Garcia da Orta, que neste momento parece não ter ninguém a fazer Medicina da Reprodução ”.

Cirurgia do Ambulatório - o “futuro”

Face às melhorias no Serviço de Obstetrícia, considera que pode ser o “cartão de visita” do hospital. Dos serviços de Cirurgia Plástica e Urologia fala da falta de profissionais. E quanto à Cirurgia do Ambulatório, entende ser esse o “futuro” e que tende a diminuir muito a necessidade de camas, ao que sublinha que neste momento o hospital não dispõe de uma instalação que sirva o serviço “como deve ser”. Falou no Centro Hospitalar Barreiro/Montijo, referido que no Hospital do Montijo será feita uma Unidade de Ambulatório e outra de Cuidados Continuados e refere que terá de haver uma “reorganização dos recursos humanos” entre os hospitais.

Urgências no Hospital do Barreiro tendem a “sistematicamente aumentar”

Sobre a urgência geral, a directora Clínica do Hospital Nossa Senhora do Rosário considerando que as urgências no hospital tendem a “sistematicamente aumentar”, revelou que, numa análise feita entre os meses de Janeiro a Julho, 49 por cento dos utentes a dirigirem-se ao serviço “são doentes de consulta urgente, mas não de consulta hospitalar”. Nesse âmbito, fez menção à escassez de campanhas de informação para a correcta utilização das urgências e ainda dentro das urgências falou no que diz ser a “falta de hierarquização da rede nacional de urgências”, das dificuldades do transporte inter-hospitalar, do envelhecimento da população médica e consequente falta de médicos; assim como a falta de uma política que funcione em rede com os cuidados primários. A informatização, através da criação do processo clínico electrónico, uma maior relação entre o Hospital do Montijo e o do Barreiro, através da implementação da Telemedicina e o aumento da infra-estrutura de emergência, que diz estar previsto, para o Hospital do Barreiro, a médio prazo, são algumas soluções que aponta para a melhoria deste serviço. Fora do Hospital, entende que os maiores problemas resultam na dificuldade na reorientação dos utentes do serviço de urgência do Hospital para os Centro de Saúde e no facto da resposta de pré-urgência “não ser tão boa quanto necessária”.

“Não existem maus hospitais, existem é boas equipas ou não para os receber”

Perante a inquietação e desapontamento de uma cidadã barreirense em relação ao Hospital do Barreiro, pela sua experiência enquanto familiar de um paciente, ao que se queixou da existência de proliferação de infecções, a directora Clínica do Hospital Nossa Senhora do Rosário, reconheceu: “Há pessoas que de facto têm razões de queixa e isso é tomado em conta pelo Conselho de Administração”, mas alertou para o facto de as situações não “se poderem generalizar a todo o Hospital” e comentou: “Não existem maus hospitais, existem é boas equipas ou não para os receber” e lembrou que existem processos de investigação que são postos em prática sempre que necessário.

“Se há assunto que merece debate e preocupação dos cidadãos do Barreiro é a saúde”

Em representação da Assembleia Municipal do Barreiro (AMB), o deputado Jorge Espírito Santo começou por lamentar a “fraca adesão da sala” ao debate, ao que expressou: “se há assunto que merece debate e preocupação dos cidadãos do Barreiro é a saúde”. Considera que existem “ainda muitas insuficiências” nessa área e sublinha que a AMB tem vindo a tomar posições que diz que “se têm vindo a revelar sólidas”. Nesse âmbito, recorda o facto de há dois anos atrás o Hospital do Barreiro ter passado por um período de gestão corrente e que a AMB alertou para o facto de essa situação prejudicar o hospital. A respeito à reorganização do Serviço de Urgência, lembra que a AMB defendia para a Península de Setúbal um serviço de urgência polivalente em três pólos, semelhante ao que foi feito em Coimbra, e em relação ao Barreiro considera que “era espectável que a curto/médio prazo se criasse um conjunto de condições que justificavam que o Barreiro pudesse ser uma urgência polivalente, partilhando alguns recursos com os restantes hospitais da Península”.

É necessário “sobretudo garantir que o Hospital não perde importância estratégica na Península de Setúbal”

E para a melhoria dos serviços entende que, para além da “racionalização da procura do serviço de urgência” é necessário “sobretudo garantir que o Hospital não perde importância estratégica na Península de Setúbal”, ao que defende: “O Barreiro tem uma estratégia de desenvolvimento e para essa estratégia é preciso que os Serviços de Saúde da região do Barreiro sejam serviços que tenham uma claríssimo ‘up-grade´ ”. Considera que o Hospital do Barreiro “tem perdido influência” e que a “redistribuição dos meios disponíveis tem desfavorecido esta área”. Sublinha ainda a importância de o hospital encontrar “caminhos de diferenciação” e chama a atenção para o envelhecimento dos profissionais da saúde, referindo que no Hospital do Barreiro dois terços dos médicos têm mais de 40 anos, o que considera ser “extremamente preocupante”.

“Seremos o concelho que maior articulação tem entre os serviços de saúde e as escolas”

O delegado de Saúde do Barreiro, Mário Durval, falou de quatro condicionantes da saúde: as questões biológicas, que só podem ser controladas através da prevenção; os estilos de vida, em que diz que é onde “há muito trabalho a fazer”, verificando-se uma grande relação entre a esperança média de vida e a qualidade de vida; o ambiente e os serviços de saúde, sobre o qual comentou: “é o que menos importância tem e é onde se gasta mais dinheiro em saúde”. Sobre a condicionante estilos de vida, referiu que a solução para uma melhoria na saúde passa por investir nas gerações mais jovens, o que diz que se tem feito no Barreiro, ao que comenta: “seremos o concelho que maior articulação tem entre os serviços de saúde e as escolas”, ao que fez menção ao Projecto “Educação para a Saúde”, que envolve os dez agrupamentos das escolas do Barreiro e intervém na área da alimentação e actividade física; consumo de substâncias psicoactivas; sexualidade e violência em meio escolar. Resultante desse projecto, considera que: “a alimentação nas escolas é hoje mais equilibrada e os jovens estão mais informados do ponto de vista da sexualidade responsável”. Entende ser este um “bom investimento”, ao que acrescenta: “se conseguirmos manter este tipo de intervenção iremos ter uma população mais esclarecida e estilos de vida mais saudáveis”.

“Temos de estar muito atentos com os desenvolvimentos que aí vêm”

Sobre o ambiente no Barreiro, o delegado de Saúde refere que a ETAR Barreiro/Moita “vai permitir melhorar o ambiente do concelho”. Sobre a água de abastecimento público diz ser “de boa qualidade, quer do ponto de vista químico, quer bacteriológico”. Sobre a poluição ambiental, sublinha que segundo o Plano Municipal Ambiental actualmente é o automóvel que origina maior poluição no concelho e, nesse sentido, expressa: “temos de estar muito atentos com os desenvolvimentos que aí vêm”, ao que refere que a maior preocupação se prende mais com o possível aumento de tráfego para o centro da cidade, com a construção do Forum Barreiro e mostrou ainda preocupações com as possíveis alterações urbanísticas na Quimiparque. Fez menção à importância dos espaços verdes no conceito de urbanismos e lembrou que ”os níveis de ozono de alerta no concelho do Barreiro são ultrapassados com alguma frequência”. Decorrente das obras que vão decorrer no concelho, fala na necessidade de se ter em conta a permeabilização dos solos e a “prevenção de catástrofes”.

Estudo de Mobilidade para o Centro do Barreiro garante “a solução de um estado de saturação, quer das vias, quer ambientais”

O vice-presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Joaquim Matias, ainda que sublinhando que “as questões da saúde não são uma competência dos órgãos autárquicos”, considera que “a importância que representam na qualidade de vida da população” leva a que não se possam “alhear” dessas questões. A respeito de saúde pública e em relação ao meio ambiente, refere que o Estudo de Mobilidade para o Centro do Barreiro garante “a solução de um estado de saturação, quer das vias, quer ambientais”, ao que sublinha que o futuro está na aposta do transporte público. Relativamente ao território da Quimiparque, sublinha que “não é uma urbanização”, estando mais virada para actividades económicas. Quanto à futura Ponte Barreiro/Chelas comenta: “não é feita para trazer mais carros”, ao que sublinha que essa infra-estrutura está integrada na estratégia de construção da “cidade de duas margens”, que permita diminuir as deslocações pendulares.

23 por cento de utentes sem médico de família no Barreiro

Francisco Gouveia, director do Centro de Saúde do Barreiro, falou da Reforma dos Cuidados de Saúde Primários no Barreiro, que passa pela reconfiguração dos Centros de Saúde, em que está previsto a criação até ao final do ano da portaria do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) dos Concelhos de Barreiro, Alcochete, Montijo e Moita, que diz que terá “maior qualidade de saúde” e pela criação das Unidades de Saúde Familiares (USF), estimando que a USF do Lavradio arranque em Janeiro de 2009. Relativamente às USF lembra que a criação é de carácter voluntário e considera que representam uma das soluções para a melhoria dos Cuidados de Saúde Primários. No Barreiro, sublinha que um dos maiores problemas nesta área é o número de utentes sem médico de família que atinge uma percentagem de 23 por cento e que se prende com a falta de médicos de família; a falta de uma Unidade de Saúde em Santo António da Charneca e a falta de condições da Extensão de Saúde da Avenida do Bocage,

Andreia Catarina Lopes

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