Manifestação dos Professores no Barreiro“Os professores querem ser avaliados, não querem é este modelo, que não tem aplicação possível”
Os professores das escolas do Barreiro aderiram hoje à Greve Nacional dos Professores e Educadores. Junto à rotunda do Forum Barreiro diferentes gerações de professores contestaram a política educativa do Governo, nomeadamente o modelo de avaliação e a estratificação dos professores em duas categorias, professores e professores titulares. Lenços brancos e palavras de ordem contra a ministra da Educação e contra a política educativa fizeram-se ouvir, ao mesmo tempo que se defendia um novo modelo de avaliação.
Ainda sem números certos, os sindicatos falam de uma “adesão história” acima dos 90 por cento.

Por Jornal Rostos
No âmbito da Greve Nacional dos Professores e Educadores, que segundo o porta-voz da Plataforma Sindical de Professores, Mário Nogueira, “é a maior dos últimos 20 anos”, os professores das escolas do Barreiro manifestaram-se pelas ruas do centro da cidade e distribuíram pela população um comunicado com o título: “Porque é que os professores estão em luta?”. A luta contra o actual modelo de avaliação docente, considerado “inaplicável, injusto e perverso”, pelos professores da Plataforma Sindical, e a estratificação da carreira em duas categorias são os grandes motes da contestação.
“Os professores querem ser avaliados, não querem é este modelo, que não tem aplicação possível”
José Costa, coordenador sindical de Direcção de Zona do Barreiro do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa e membro da FENPROF, justifica a distribuição do comunicado, que visa essencialmente explicar aos encarregados de educação as razões do protesto dos professores, por a manifestação se realizar no período de aulas: “Pela primeira vez, pelo menos este ano, tivemos uma forma de luta que tem implicações nas escolas, porque é uma greve, porque temos tentado manter esta luta fora das escolas”, sublinhou. Não deixou de frisar que “os professores querem ser avaliados, não querem é este modelo, que não tem aplicação possível” e que diz ser “injusto, burocrático e complexo”, defende por isso a sua suspensão e a construção de um modelo em conjunto com os sindicatos e com todos os professores “e o Ministério da Educação não está a querer fazer isso”, criticou. Defende ainda um modelo que seja universal mas que permita a cada escola fazer as adaptações “porque as escolas têm especificidades, até pelo meio onde estão inseridas”, fundamenta. Adianta ainda que no Barreiro, Moita, Montijo e Alcochete “a maior parte das escolas, arrisco-me a dizer que mais de 90 por cento têm os procedimentos parados”.
“Com tantos professores a manifestarem o seu descontentamento, alguma razão existe”
Ainda sem números certos, os sindicatos falam de uma “adesão história” acima dos 90 por cento, enquanto o secretário de Estado Adjunto e da Educação, Jorge Pedreira refere que “apesar dos elevados níveis de adesão, a maioria das escolas está aberta”. António José Ferreira é professor na Escola Secundária de Santo André e dizia: “Eu fui à minha escola às 8 horas e em cerca de 160 professores, seis estavam a trabalhar”, ao que adianta: “com tantos professores a manifestarem o seu descontentamento, alguma razão existe” e acrescenta: “neste momento o Governo conseguiu unir os professores”.
“Este Governo relativamente à educação e eventualmente a outros sectores, não tem sabido decidir sem agredir”
Lenços brancos e palavras de ordem contra a ministra da Educação e contra a política educativa do Governo fizeram-se ouvir pelos professores durante a manifestação. Luís Campos Braga é professor há 30 anos e diz ser pela primeira vez que faz greve. Professor titular, para além de criticar o modelo de avaliação que considera ser “ burocrático, administrativo e diletante”, não deixa de falar na progressão da carreira, ao que comenta: “a forma como foi organizado o concurso para professores titulares criou imensas injustiças, foi um concurso apenas burocrático, que só contou os últimos sete anos da carreira das pessoas, deixando de fora pessoas que teriam todas as condições para serem professores titulares”. São esses os principais motivos de descontentamento que o levam a dizer: “Este Governo relativamente à educação e eventualmente a outros sectores, não tem sabido decidir sem agredir e conseguiu juntar a classe profissional dos professores numa onda de descontentamento e desmotivação que naturalmente acaba por prejudicar o funcionamento da Escola Pública”.
“Continuem a vossa luta e terão o apoio da Câmara Municipal do Barreiro”
A manifestação terminou em frente da Câmara Municipal do Barreiro (CMB), mas face à realização de uma Reunião de Câmara, o presidente da CMB, Carlos Humberto, não pode estar presente. José Caetano, do Gabinete do presidente da CMB, deixou a mensagem: “Continuem a vossa luta e terão o apoio da CMB e de toda a comunidade educativa do Barreiro”, ao que recordou que na última sessão de Câmara foi aprovada uma saudação à luta dos professores “pela dignificação do ensino público”.
Plataforma Sindical dos Professores adianta que “a manter-se a intransigência do ME e do Governo, os professores levarão por diante outras acções”
A manifestação foi organizada pela Direcção de Zona do Barreiro do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa, que visou distribuir um comunicado à população, dirigido essencialmente aos Encarregados de Educação, explicando as razões do protesto dos professores que dizem estar em “ luta pela dignificação da sua profissão e em defesa da escola pública”. Defendendo a revisão do Estatuto da Carreira Docente, a suspensão do modelo de avaliação e a sua substituição por “um modelo que seja cientificamente capaz, pedagogicamente adequado e promotor de melhorias nas práticas docentes”, a Plataforma Sindical dos Professores adianta, em comunicado, que “a manter-se a intransigência do ME e do Governo, os professores levarão por diante outras acções que já se encontram previstas, como a vigília junto ao ME nos dias 4 e 5 de Dezembro e a realização de novas greves, por regiões, entre 9 e 12 de Dezembro.”
Andreia Catarina Lopes













