Assembleia Municipal do BarreiroPonte Barreiro- Chelas vai permitir que o Barreiro reencontre o seu papel de centralidade na região
O presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Carlos Humberto, sublinhou que a construção da ponte exige que sejam tomadas algumas medidas no território do concelho ao nível de diversas acessibilidades.
António João Sardinha, PS, referiu que a construção da terceira travessia do Tejo vai ser um “motor decisivo para o concelho”, marcando a quarta fase do seu desenvolvimento.
Miguel Amado, PSD, defendeu a necessidade de existir uma espécie de “pacto de regime” que una todas as forças políticas em torno da defesa de objectivos para o concelho do Barreiro.
Humberto Candeias, BE, sublinhou que a nova travessia sobre o Rio Tejo é “uma oportunidade para criar o desenvolvimento sustentável”, dinamizando um modelo “alternativo aos modelos que conduziram o Barreiro a um beco”.
Eduardo Cabrita, PS, salientou que o Barreiro nos últimos perdeu competitividade para os concelhos vizinhos e, acrescentou que, com a construção da nova ponte sobre o Tejo, “uma peça importante para o Barreiro e para o país”, deseja que se “faça justiça ao Barreiro e aos barreirenses”.

Por Jornal Rostos
Na reunião extraordinária da Assembleia Municipal do Barreiro, realizada em 5 de Dezembro, esteve em análise a “Terceira Travessia do Tejo rodo ferroviária – Posição da Assembleia Municipal sobre o Estudo de Impacte Ambiental em discussão até ao dia 9.12.2008”.
Na abertura deste ponto da ordem de trabalhos foi apresentada uma proposta de “Resolução”, um documento subscrito por todas as forças politicas com eleitos na Assembleia Municipal do Barreiro – PCP/CDU, PS, PSD e BE.
Frederico Pereira, PCP/CDU, apresentou a proposta de “Resolução” ( cujo teor integral divulgamos, no final deste texto), tendo sublinhado a “facilidade na elaboração do documento” e que sobre esta matéria existe “unidade de pensamento”.
Relançar o Barreiro num futuro que nós queremos ainda viver
António João Sardinha, PS, referiu os momentos que, na sua opinião, marcaram o desenvolvimento do concelho do Barreiro, o primeiro a construção da Estação do Sul e Sueste; o segundo a implantação da indústria corticeira; o terceiro a CUF e, por fim, considerou que a construção da nova travessia Barreiro-Chelas, vai marcar a 4º fase de desenvolvimento do concelho do Barreiro.
Referiu António João Sardinha que a construção da terceira travessia do Tejo vai ser um “motor decisivo para o concelho” e, neste contexto recordou que sentiu “as lágrimas nos olhos” no dia que foi divulgada a notícia de construção da nova Ponte sobre o Rio Tejo.
O deputado socialista sublinhou que deseja que a construção da nova ponte possa “relançar o Barreiro num futuro que nós queremos ainda viver”.
Necessidade de existir uma espécie de “pacto de regime”
Miguel Amado, PSD, começou por sublinhar “só espero que a noticia se concretize” e acrescentou que a construção da ponte Barreiro-Chelas é “uma oportunidade para o Barreiro”.
O deputado social democrata acrescentou que a construção da terceira travessia sobre o Tejo exige que exista “uma visão estratégica do que queremos para o concelho”, referindo que deve ser “um desenvolvimento sustentado”.
Miguel Amado, salientou a importância de ser dinamizada uma “rede de equipamentos” e a necessidade de se “ordenar o concelho”, alertando para o facto de a pirâmide demográfica do concelho do Barreiro, nos últimos anos, registar “um envelhecimento”.
Miguel Amado, salientou “se não temos estratégia, não temos qualidade”, nesse sentido, o autarca defendeu a necessidade de existir uma espécie de “pacto de regime” que una todas as forças políticas em torno da defesa de objectivos para o concelho do Barreiro.
Prova de maturidade da Assembleia Municipal do Barreiro
Humberto Candeias, BE, na sua intervenção começou por “saudar o consenso” e a “capacidade de acertar posições” entre as forças politicas, facto que considerou ser uma “prova de maturidade da Assembleia Municipal do Barreiro”.
Humberto Candeias, referiu que a construção da nova travessia sobre o Tejo vai acabar com as “três horas perdidas com transportes” que hoje afectam os movimentos pendulares.
“Ainda desconfiamos um bocadinho” – sublinhou Humberto Candeias.
O deputado do Bloco de Esquerda, sublinhou que a nova travessia sobre o Rio Tejo é “uma oportunidade para criar o desenvolvimento sustentável”, sendo dinamizado um modelo “alternativo aos modelos que conduziram o Barreiro a um beco”.
Faça justiça ao Barreiro e aos barreirenses
Eduardo Cabrita, PS, sublinhou que o projecto de construção da Terceira Travessia do Tejo “tem o sentimento de reencontro do Barreiro com a sua história” e vai ser importante para que os barreirenses “ganhem autoestima”.
Recordou que o Barreiro “teve um papel de centralidade na Margem Sul” e no contexto nacional, que perdeu fruto da “desindustrialização".
O deputado municipal do PS, também Secretário de Estado da Administração Local, referiu que a ponte Barreiro-Chelas é um “projecto que valoriza a Área Metropolitana de Lisboa e coloca o Barreiro na rede ferroviária nacional e internacional”.
Eduardo Cabrita salientou que o Barreiro nos últimos perdeu competitividade para os concelhos vizinhos e, acrescentou que com a construção da nova ponte sobre o Tejo, “uma peça importante para o Barreiro e para o país”, deseja que se “faça justiça ao Barreiro e aos barreirenses”.
Ponte deve ter as vertentes rodoviária e ferroviária
Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal do Barreiro, expressou a sua satisfação por existir “uma solução consensual” sobre a Terceira Travessia do Tejo.
O autarca sublinhou que é importante dar relevo à ideia que a ponte deve ter as vertentes rodoviária e ferroviária.
O presidente da Câmara na sua intervenção sublinhou que a construção da ponte exige que sejam tomadas algumas medidas no território do concelho ao nível de diversas acessibilidades, defendeu a construção da ponte Barreiro-Seixal e perspectivou a necessidade da Estação da Gare Sul ser dinamizada como um nova centralidade no concelho do Barreiro.
Resolução aprovada por unanimidade e aclamação
A Resolução apresentada na Assembleia Municipal do Barreiro, subscrita por todas as forças politicas, PCP/CDU, PS, PSD e BE, foi aprovada por unanimidade e aclamação.
Divulgamos o texto integral da Resolução que exprime a posição da Assembleia Municipal do Barreiro sobre a Terceira Travessia do Tejo.
Assembleia Municipal do Barreiro
RESOLUÇÃO
Sobre
O Estudo de lmpacte Ambiental da construção da Terceira Travessia do Tejo — Ponte Barreiro -Chelas
A construção da Ponte Barreiro-Chelas permitindo, no plano imediato, atenuar as diferenças de desenvolvimento entre as duas margens do Rio Tejo, contribui para recentrar a Área Metropolitana de Lisboa, vem dar um impulso decisivo à criação da cidade das duas margens e constitui um imenso contributo na criação de emprego, no desenvolvimento da Região SuI, no retorço da coesão e na aproximação das populações.
O carácter estruturante da Ponte Barreiro-Chelas, com as suas valências rodoviária e ferroviária, esta última incluindo vias ferroviárias de tipo convencional e de alta velocidade, terá um importante impacte positivo a nível local e regional, mas também nacional, melhorando as acessibilidades e mobilidade na Região e no eixo Norte/Sul.
A rede de Alta Velocidade e a sua ligação com a Rede Transeuropeia de Transportes, a melhoria da ligação rodo-ferroviária entre o norte e o sul do país, a melhoria de articulação entre os três portos marítimos existentes na Região e a recente Plataforma Logística do Poceirão, a possibilidade da criação de uma rede multimodal de transportes, que assegure um rápido, confortável e eficaz movimento de pessoas e bens e ainda, a melhoria da mobilidade interna na AML e das ligações entre os vários pólos urbanos existentes na Região, constituem-se como impactes positivos mais imediatos e visíveis da construção da ponte.
Por outro lado essas vantagens induzirão a um desenvolvimento social e económico da Região, onde o Barreiro reforçará a sua centralidade, que por sua vez se transformarão na melhoria das condições de vida dos que no Barreiro habitam e que mais consistentemente permanecerão.
A “nova” centralidade do Concelho do Barreiro permitirá que este possa acolher novas gentes, empresas e equipamentos, contribuindo fortemente para a dinamização da economia local e, por sua vez, da economia de toda a margem sul do Rio Tejo, conduzindo a uma atenuação significativa dos desequilíbrios e assimetrias que desde há muito tempo se verificam na Área Metropolitana de Lisboa.
A criação de emprego, induzido pela construção da ponte, è tanto mais importante, no plano estrito do Concelho, quanto no Barreiro o desemprego se situa a níveis mais elevados do que a referência nacional.
Em resumo:
Porque aproximará ambas as margens e reconfigurará o rio como elemento unificador da Área Metropolitana de Lisboa;
• Porque consolidará o arco ribeirinho sul e dotará a malha urbana com um conjunto de infra-estruturas indispensáveis;
• Porque permitirá uma articulação eficaz de toda a área Metropolitana de Lisboa com o novo aeroporto de Lisboa;
• Porque dinamizará o conjunto portuário Lisboa — Sines - Setúbal;
• Porque criará emprego e será factor de coesão social, de desenvolvimento cultural, de progresso e de futuro;
A construção da Terceira Travessia do Tejo — Ponte Barreiro — Chelas originará um conjunto de impactes positivos que importa sublinhar, pela sua importância no conjunto do projecto.
A construção da ponte, para que concretize todas as possibilidades de desenvolvimento implica que seja complementada com:
• A concretização do plano de acessibilidades e mobilidade internas da Região, já decidido, e nomeadamente no que respeita à construção da CRIPS;
• O prolongamento do Metro Sul do Tejo e a construção da ponte Barreiro-Seixal, esta última, já incluída no projecto da TTT;
• Um sistema local de mobilidade rodoviária em rede, directamente articulado com a construção da ponte, sob pena de alguns dos impactes positivos referenciados não poderem ser totalmente alcançados ou potenciados.
No referente ás duas soluções alternativas propostas para a margem sul, e uma vez que é importante minimizar impactes no que respeita ao descritor da integração na morfologia urbana e mobilidade do aglomerado urbano existente, deverá ser garantido um maior afastamento do mesmo e minimizar a destruição de edifícios hoje existentes o que leva a que se considere a Solução B (Poente) mais viável e vantajosa.
Neste sentido, a Assembleia Municipal do Barreiro, reunida em sessâo extraordinária, no dia 5 de Dezembro de 2008, delibera:
1. Manifestar a concordância geral com as conclusões do Estudo de lmpacte Ambiental, considerando, extremamente positiva a concretização do projecto e a construção da Terceira Travessia do Tejo — Ponte Barreiro - Chelas, com as valências rodoviária e ferroviária;
2. Realçar o cômputo largamente positivo dos impactes previsíveis da implementação do projecto, em particular nas componentes de Ordenamento do Território, Socioeconomia e Património, cujo balanço é muito positivo para o Barreiro, para a Região e para o Pais;
3. Considerar a alternativa da Solução B (Poente), no que respeita à articulação no território da margem sul, como a solução mais adequada e vantajosa no plano ambiental, social, económico e do ordenamento do território, sobretudo, porque menos impactes origina nas populações, nas actividades económicas e nos aglomerados existentes;
4. Sublinhar a importância da construção da Terceira Travessia do Tejo — Ponte Barreiro -Chelas para o desenvolvimento económico do município do Barreiro e para a criação de emprego no Concelho e na Região;
5. Salientar que a construção da Terceira Travessia do Tejo — Ponte Barreiro - Chelas contribuirá para a promoção e criação de um sistema de transportes mais eficiente, que possibilitará uma mobilidade da população com maior rapidez, melhor qualidade e com reforçada segurança, contribuindo para o alcançar duma maior complementaridade e equilíbrio entre os diferentes modos e meios de transporte disponíveis;
6. Assinalar a necessidade de ficar garantida a concretização, no mesmo período de tempo, das infra-estruturas necessárias e já previstas, no que respeita às acessibilidades a nível local e regional, da manutenção do núcleo original ferroviário com a localização no concelho do Barreiro das oficinas de AIta Velocidade, e da implementação da rede rodoviária local integrada, que complementa e articula com a construção da Terceira Travessia do Tejo — Ponte Barreiro-Chelas.
Assembleia Municipal do Barreiro, 5 de Dezembro de 2008
Os proponentes
PCP/CDU
PS
PSD
BE
A Resolução foi aprovada por unanimidade e aclamação
BREVE REGISTO













