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Perspectivas

Proposta do Plano Municipal do Ambiente do BarreiroPMA “terá a importância que a sociedade e a classe política souberem retirar"

“Estamos bastante atrasados mas apresentamos um documento adequado aos dias de hoje”

População pode enviar contributos para PMA até ao final do ano

“Se não conseguirmos requalificar em termos ambientais e urbanísticos, dificilmente conseguimos dar o salto que pretendemos”

Hoje, foi apresentado, no auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro, a proposta do Plano Municipal do Ambiente (PMA) do concelho do Barreiro. Um instrumento de política e de gestão municipal que visa promover o desenvolvimento ambiental sustentável. Na sexta e última sessão subordinada ao PMA foi sublinhada a importância do envolvimento da sociedade civil na sua elaboração, ao que foi referido que os cidadãos têm a possibilidade de enviar contributos até ao final do ano de 2008.

Sobre o PMA, o vereador Bruno Vitorino diz tratar-se de um instrumento complementar “que vem na lógica do pensar globalmente, agir localmente” e comentou: “terá a importância que a sociedade e a classe política dela souberem retirar”. Já o presidente da Câmara Municipal do Barreiro referiu que o PMA é um instrumento importante para a “concepção do Barreiro de desenvolvimento sustentável e integrado, que só pode ser conseguido através da participação das pessoas”.

8 min de leitura
Proposta do Plano Municipal do Ambiente do Barreiro PMA “terá a importância que a sociedade e a classe política souberem retirar"

Por Jornal Rostos

O Plano Municipal do Ambiente (PMA) é um instrumento de política e de gestão municipal no âmbito do Desenvolvimento Ambientalmente Sustentável, que tem sido elaborado pela Câmara Municipal do Barreiro (CMB), em colaboração com o Centro de Estudos sobre Cidades e Vilas Sustentáveis da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT), da Universidade Nova de Lisboa (UNL). O vereador responsável pela Divisão de Sustentabilidade Ambiental, Bruno Vitorino, recordou que o documento insere-se no movimento Agenda 21 Local e enquadra-se na adesão do Barreiro à Rede CIVITAS em 2001, sendo que em 2003 saiu o protocolo que estabeleceu um prazo de 18 meses para a sua execução. Prazo que foi excedido, ao que o vereador comenta: “estamos bastante atrasados mas apresentamos um documento adequado aos dias de hoje”.

PMA “terá a importância que a sociedade e a classe política dela souberem retirar”

Sobre o PMA “algo que herdámos no início do seu projecto e concretizamos até ao final do mandato”, Bruno Vitorino diz tratar-se de um instrumento complementar “que vem na lógica do pensar globalmente, agir localmente” e comentou: “terá a importância que a sociedade e a classe política dela souberem retirar”. De diferentes trabalhos da Divisão de Sustentabilidade Ambiental entende ser o “menos falado, menos visível, mas o que deu mais trabalho”.

Até ao final do ano os munícipes podem enviar os seus contributos para a CMB

O professor João Farinha, da UNL, coordenador do Núcleo da Agenda 21 Local, na apresentação da proposta do PMA disse tratar-se de um documento “para melhorar a qualidade de vida da população” e chamou a atenção para o facto de “ainda não estar terminado”, ao que informou que até ao final do ano os munícipes podem enviar os seus contributos para a CMB, realçando a importância do envolvimento da sociedade civil na sua elaboração.

“Se não conseguirmos requalificar em termos ambientais e urbanísticos, dificilmente conseguimos dar o salto que pretendemos”

Apesar de referir que se tratou de um processo “relativamente longo”, o professor diz que o tempo de interregno que existiu permitiu “acomodar algumas das principais visões ao tempo de transformação que vive o Barreiro” e que representa, no seu entender, “um contexto muito favorável ao desenvolvimento do Barreiro”, mas adverte: “se não conseguirmos requalificar em termos ambientais e urbanísticos, dificilmente conseguimos dar o salto que pretendemos”, considerando que a qualificação ambiental e urbanística é essencial na captação de actividades económicas, geradoras de emprego.

Metodologia envolveu mais de 500 participantes

Sobre a metodologia adoptada no PMA disse assentar na realização de inquéritos e entrevistas à população e de workshops, onde intervieram mais de 500 participantes, da administração pública local, de associações, empresas e cidadãos, tratando-se de um processo contínuo, interactivo, integrador e participado. João Farinha sublinhou que o documento partiu de uma caracterização do estado do ambiente no concelho, evoluindo para a elaboração de propostas concretas para a resolução de problemas considerados prioritários, o que deu origem à definição de cinco principais desafios ambientais que foram: os Corredores Verdes e a estrutura ecológica; poluição e riscos ambientais; crescimento urbano, mobilidade e a qualidade em novas áreas urbanas a planear; Quimiparque e futuro do Barreiro e a requalificação do espaço público.

80 Propostas de intervenção estratégica

Ao todo foram apresentadas 80 propostas de intervenção estratégica presentes no PMA que foram sujeitas à apreciação dos presentes, na sexta e última sessão do PMA, aberta a toda a população. A limpeza e a classificação do Sapal e Várzea de Coina como área protegida de âmbito local ou regional; a dinamização de Alburrica; a construção da via ciclável do Tejo que atravessa desde o passeio ribeirinho Augusto Cabrita à Rua Miguel Pais; a criação de um Museu Ferroviário do Barreiro; a implementação de uma rede de hortas no concelho, foram algumas das propostas mais votadas. Contributos que o professor João Farinha diz que “enriquecem muitíssimo as propostas do plano”. Os participantes tiveram ainda oportunidade de acrescentar outras sugestões.

Corredores Verdes “poderá dar grande distinção positiva ao Barreiro”

O professor José Carlos Ferreira, da Universidade Nova de Lisboa, falou sobre o tema dos Corredores Verdes e a estrutura ecológica, entendendo ser um aspecto que “poderá dar grande distinção positiva ao Barreiro”. Este tema integra um conjunto de propostas para seis áreas fundamentais: o Sapal e a Várzea de Coina; a Mata da Machada; a Quinta dos Moinhos e Vale Romão; a Quinta da Azinheira; a Ponta do Mexilhoeiro, Quinta do Braamcamp e Alburrica e a Ponta da Passadeira. São incluídos ainda quatro áreas de ligação: a rede de áreas cicláveis; a criação de uma nova alameda urbana no corredor ferroviário, no espaço que se estende entre o Terminal Fluvial e a zona Nascente do concelho; a inclusão de hortas urbanas, através de espaços qualificados de pequena agricultura urbana e a Cidade Desportiva do Barreiro, que visa requalificar a Bacia Hidrográfica da Vala das Ratas. O Plano fala ainda da criação de três rotas, a Rota Industrial, a Rota dos Descobrimentos e a Rota Azul, tendo em conta o meio aquático.

Assegurar a compatibilização ambiental das actividades económicas

Sobre o tema da poluição e riscos ambientais, o professor João Farinha disse tratar-se do “lado menos apelativo do Barreiro” e que tem como objectivo central assegurar a compatibilização ambiental das actividades económicas, com a requalificação do Barreiro. O professor conta que foram registados mais de 100 pontos que merecem atenção e para os quais utiliza a palavra de ordem: “requalificação”, como uma necessidade. Sucatas ao ar livre, oficinas, unidades desactivadas e indústria transformadora são alguns dos exemplos que dá. A criação de uma estrutura de apoio para o desenvolvimento sustentado das empresas, o encerramento de depósitos de sucata ilegais e a recuperação ambiental e paisagística desses locais, assim como a fiscalização foram algumas das propostas faladas.

SIDS-Barreiro - permite monitorizar e avaliar a implementação das medidas propostas no PMA

O professor falou ainda do Sistema de Indicadores de Desenvolvimento Sustentável (SIDS-Barreiro) que permite monitorizar e avaliar a implementação das medidas propostas no PMA, ao que falou de dois indicadores, o Nível Geral, que diz respeito a variáveis comparáveis com outros concelhos, como o território, a população e a qualidade de vida, ou pressões ambientais e o Nível Estratégico, adaptado a analisar a evolução dos desafios específicos do município do Barreiro.

PMA - instrumento importante para a “concepção do Barreiro de desenvolvimento sustentável e integrado, através da participação das pessoas”

Na sessão de encerramento, o presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Carlos Humberto, referiu que o PMA é um instrumento importante para a “concepção do Barreiro de desenvolvimento sustentável e integrado, que só pode ser conseguido através da participação das pessoas”. Considera-o um “contributo” também para o Plano Director Municipal (PDM), tendo em conta os desafios que se colocam ao Barreiro e na concretização do “Barreiro do futuro”. E para esse futuro, para além das questões ambientais e de desenvolvimento económico, fala também nas áreas da educação, saúde, protecção civil e cultura.

PMA insere-se no movimento Agenda 21 Local

O Plano Municipal de Ambiente do Barreiro é um instrumento voluntário de política e de gestão municipal no âmbito do Desenvolvimento Ambientalmente Sustentável, procurando envolver os principais actores locais na prevenção e na resolução dos principais desafios ambientais. A nível local, o documento pretende dotar a autarquia de meios de apoio à decisão, através de um conjunto de estratégias integradas e intervenções articuladas que visam a curto e médio prazo responder aos principais desafios de melhoria da qualidade de vida dos barreirenses. Já a nível internacional, o instrumento insere-se no movimento Agenda 21 Local e enquadra-se na Campanha Europeia das Cidades e Vilas sustentáveis.

Nota: A Proposta do Plano Municipal do Ambiente do Barreiro, na íntegra, está disponível para consulta no site da CMB, em www.cm-barreiro.pt.

Andreia Catarina Lopes

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