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Perspectivas

Cine Clube do Barreiro - 50 º aniversárioCine Clubes estiveram sempre à frente do seu tempo
. Orçamento de Estado para a Cultura é mínimo

Debate «Cultura, Cinema, Cineclubismo»

Manuel Augusto Araújo, Crítico de Arte, sublinhou que sendo o cinema, durante décadas, “uma actividade colectiva e partilhada”, nos tempos de hoje, pelas existência dos DVD’s, “está a tornar-se uma vivência solitária”.

“Para os políticos não interessa uma sociedade civil participativa e com sentido crítico”, por essa razão, sublinhou, João Paulo Macedo, Director do FIKE de Évora, tem existido um “esvaziamento na educação”, na criação de cidadania e de um cidadão com sentido critico.

Pedro Sena Nunes, Realizador de Cinema, sublinhou a importância da partilha, a influência que uma obra de arte tem sobre cada cidadão na sua individualidade.

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Cine Clube do Barreiro - 50 º aniversário Cine Clubes estiveram sempre à frente do seu tempo . Orçamento de Estado para a Cultura é mínimo

Por Jornal Rostos

O Cine Clube do Barreiro, no âmbito das comemorações do seu 50 º aniversário, promoveu no Auditório Municipal Augusto Cabrita, um debate tendo como tema: «Cultura, Cinema, Cineclubismo».
Na abertura Armando Cunha Santos, presidente da direcção do Cine Clube do Barreiro, referiu as actuais dificuldades do cineclubismo e a necessidade de ser desenvolvido um debate interno entre Cineclubes tendo por objectivo permitir “ganhar uma matriz de intervenção” de forma que os Cine Clubes, “voltem a ter o papel cultural” que já assumiram na sociedade.

Cada Cine Clube está voltado para si próprio

Na sua intervenção salientou que vivemos numa época marcada por uma “campanha Neo-liberal que condiciona o papel das artes e da arte cinematográfica”.
Armando Cunha Santos, salientou que os Cine Clubes têm como papel “promover a cultura cinematográfica junto da população portuguesa”, acrescentando, “já tivemos esse papel, hoje não temos”.
Na opinião do presidente da direcção do Cine Clube do Barreiro, “cada Cine Clube está voltado para si próprio”, daí a necessidade de ser “lançada a discussão” na procura de uma nova matriz para a actividade que os Cine Clubes desenvolvem na actualidade.

Orçamento de Estado para a Cultura é mínimo

Manuel Augusto Araújo, Crítico de Arte, começou por referir que 50 anos de vida do Cine Clube do Barreiro significa que “é uma entidade jovem, como o Cinema é jovem”, na história da nossa sociedade.
Recordou, na sua intervenção, que foi a “gravação sonora” e a “gravação de imagem” que introduziram novos valores nas artes, dado que enquanto as gravações foram inexistentes, por exemplo, “cada concerto musical era único e irrepetível”, esta realidade de captar os sons e as imagens – “o captar o momento começa a construir uma forma de arte”.
Manuel Augusto Araújo, referiu a evolução que ao longo dos anos se registaram no mundo da canção e do cinema, estabelecendo a diferença conceptual entre o cinema – “pronto a consumir e a esquecer” e o “cinema que provoca a reflexão e obriga a pensar”, cuja divulgação é efectuada pelos Cine Clubes.
Por outro lado, sublinhou que sendo o cinema, durante décadas, “uma actividade colectiva e partilhada”, nos tempos de hoje, pelas existência dos DVD’s, “está a tornar-se uma vivência solitária” .
Na sua intervenção, Manuel Augusto Araújo, referiu que em Portugal – “pouco se investe na cultura, o Orçamento de Estado para a Cultura é mínimo”, e, por outro lado, sublinhou que no nosso país, “o consumo de livros é baixíssimo”, no entanto, são editados “três jornais diários desportivos”.

Centros Comerciais sujam a vida social e cultural de uma cidade

Por outro lado, na caracterização da sociedade portuguesa salientou a “proliferação de Centros Comerciais” que “sujam a vida social e cultural de uma cidade”, porque são lugares onde “estão pessoas a passear, ali, sem fazer nada”.
Na sua opinião a actual crise económica “vai mudar muito no mundo” salientando que “tudo indica que o olhar eurocêntrico” que tem dominado a cultura mundial “vai ser alterado”.
“Vai surgir uma realidade nova, com outros valores e outra cultura” - sublinhou Manuel Augusto Araújo.

Desinvestimento na educação para a cultura

João Paulo Macedo, Director do FIKE, começou por referir a importância de existir “uma educação para a cultura” e comentou o facto de existir, em Portugal e na Europa “desinvestimento numa educação para a cultura”, situação esta que, sublinhou se tem agravado “a partir dos anos 60”.
Na sua opinião, um exemplo que demonstra o desinvestimento de uma pedagogia cultural, reside no espaço escolar onde há “ausência de participação nas actividades culturais”.
Segundo, João Paulo Macedo, esta realidade é resulta da vontade política – “para os políticos não interessa uma sociedade civil participativa e com sentido critico”, por essa razão, sublinhou, tem existido um “esvaziamento na educação”, na criação de cidadania e de um cidadão com sentido critico.
Na sua intervenção teceu comentários à “subjugação da cultura ao mercado” e considerou que a “chamada democratização de acesso aos meios culturais”, resume-se ao acesso ao que “está na moda”, o que conta no “momento”, tudo o que emerge de uma “produção controlada”.
Neste contexto considerou essencial que a partir dos anos 90, surjam movimentos de acesso a cultura alternativas, formas de agir que não são condicionadas “pela falta de sentido crítico”.

Tempos actuais colocam desafios aos agentes culturais

João Paulo Macedo, salientou que em Portugal, para as políticas culturais, as verbas disponíveis correspondem a 0.46 % do PIB, enquanto na Europa esse valor ronda os 1.3% e no Brasil atinge os 5.3%, são números que, na sua opinião, demonstram como em Portugal, há “ausência de políticas culturais”.
Neste contexto, considerou que os tempos actuais colocam “desafios aos agentes culturais” no sentido de alargarem a sua “intervenção social”.
“Momentos de crise podem se momentos para a mobilização de camadas da sociedade” – salientou, acrescentando que os Agentes Culturais, nos tempos de hoje devem promover “a criação de massa critica” que seja “capas de promover a mudança”, nomeadamente através da “organização dos públicos” que, salientou é mais importante que a “formação de públicos”.

Cine Clubes estiveram sempre à frente do seu tempo

Na sua intervenção, João Paulo Macedo, referiu que “os Cine Clubes estiveram sempre à frente do seu tempo, naquilo que era a organização do público”, fazendo-o com base na “intervenção cultural”.
Recordou, por outro lado, que Portugal é “um dos países com maior taxa de associativismo”, mas, “não existe a prática, o hábito, de funcionamento em rede, de partilha”.
A finalizar, considerou essencial a ligação dos Cine Clubes às escolas e à produção artística, para além, da dinamização de “partilha de experiências entre Cine Clubes”.

Alguém que não tem vontade de partilhar ideias tem tudo menos cultura

Pedro Sena Nunes, Realizador de Cinema, sublinhou a importância da partilha, a influência que uma obra de arte tem sobre cada cidadão na sua individualidade.
Na sua opinião é essencial sentir “as alterações que podemos trazer uns para os outros”, sublinhando que a partilha de ideias é fundamental na promoção de dinâmicas culturais.
“Alguém que não tem vontade de partilhar ideias tem tudo menos cultura” – salientou Pedro Sena Nunes.
A promoção de acções de âmbito cultural, nas Creches e no Ensino Primário, na sua opinião, são essenciais para formar “o sentido critico” e contribuir para que não estejamos em “grupo de maneira adormecida” e sermos absorvidos pelos actuais “tempos de consumo”.
Sublinhou que em Portugal “existem pessoas com sensibilidade que estão esquecidas”, porque “estamos numa espécie de vazio”.
Estabelecer a ponte entre “escola”, “cultura” e “mercado de trabalho” é, salientou, fundamental para o desenvolvimento de projectos que valorizem a vida social.
Após as intervenções dos prelectores convidados seguiu-se um período de debate entre os participantes neste debate integrado nas comemorações do 50º aniversário do Cine Clube do Barreiro.

Assembleia Geral – Relatório e Contas

No próximo dia 31 de Janeiro, pelas 21,30 horas, realiza-se, na sede do Cine Clube do Barreiro, a reunião da Assembleia Geral tendo como ordem de trabalhos a apreciação do Relatório e Contas de 2008.

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