Jerónimo de Sousa visita EMEF no Barreiro“Que a EMEF continue a ter capacidade para dar resposta técnica e qualificada”“
Hoje, pela manhã, o secretário-geral do Partido Comunista Português, Jerónimo de Sousa, esteve na EMEF no Barreiro, uma visita que se insere na campanha do PCP: "Sim é possível uma vida melhor!". Passados sete anos de uma primeira visita, em que se falava do possível fecho da empresa, Jerónimo de Sousa realçou a “persistência dos trabalhadores e das suas organizações” que impediram esse desfecho. E sobre a futura passagem do TGV no Barreiro, uma infra-estrutura que entende ser “ importante”, não deixa de defender a convivência dos dois tipos de linhas e acrescenta: “Que a EMEF continue a ter capacidade para dar resposta técnica e qualificada a locomotivas, algumas delas ainda a diesel e com o material eléctrico, que possa vir, que tenha a perspectiva de continuidade”.
E face aos números do desemprego, Jerónimo de Sousa defende: “maior investimento na defesa do nosso aparelho produtivo e produção nacional e com medidas sociais que atendam este estado”

Por Jornal Rostos
De passagem pela Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário (EMEF) no Barreiro, o secretário-geral do Partido Comunista Português (PCP), Jerónimo de Sousa, disse tratar-se de uma visita que surge no seguimento de uma outra realizada em 2002, em que se questionava o futuro da empresa “a perspectiva na altura era mesmo o encerramento”, recorda. Passados sete anos, sublinha a “persistência dos trabalhadores e das suas organizações”, que em conjunto “com a alteração de concepção da direcção”, impediram esse desfecho: “esta unidade não só é rentável, voltou a dar lucro e recentemente foram até admitidos alguns trabalhadores”, ao que sublinha: “Creio que é importante, numa perspectiva de defesa do nosso aparelho produtivo e da nossa produção nacional”.
Desenvolvimento ferroviário “sem esquecer esta unidade no Barreiro e toda a sua história”
Sobre o TGV que entende ser uma “infra-estrutura importante”, realça a relevância dos projectos estimados que apontam para o Barreiro a criação de “um pólo ferroviário”, mas chama a atenção: “sem esquecer a nossa linha tradicional, a nossa linha nacional e esta unidade no Barreiro e toda a sua história”, ao que acrescenta: “Que a EMEF continue a ter capacidade para dar resposta técnica e qualificada a locomotivas, algumas delas ainda a diesel e com o material eléctrico, que possa vir, que tenha a perspectiva de continuidade”.
"Maior investimento na defesa do nosso aparelho produtivo e produção nacional e com medidas sociais que atendam este estado”
Para amanhã, dia de debate quinzenal no Parlamento, defende que “as questões do desemprego têm de ser as questões centrais”. Entende ainda que o “Governo está a subestimar a situação”, o que o leva a falar de “falta de políticas e medidas”, defendendo “maior investimento na defesa do nosso aparelho produtivo e produção nacional e com medidas sociais que atendam este estado”
Autoeuropa “acho que não se justifica qualquer medida de despedimento e redução de postos de trabalho”
Sobre a visita à Autoeuropa, uma empresa que em 2007 representou 1 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) português, e na qual há pouco tempo foram afastados trabalhadores temporários, refere: “acho que não se justifica qualquer medida de despedimento e redução de postos de trabalho” , ao que acrescenta: “ainda que reconhecendo algum refluxo no sector, acho que há de facto aqui um claro exagero, tendo em conta que foram produzidas mais de mil unidades no ano passado e que se perspectiva mais mil unidades para este ano”.
Sindicato defende que EMEF seja preparada para a recuperação dos comboios eléctricos
“O abandono do diesel e a reestruturação dos serviços levou à perda de postos de trabalho”, referia Júlio Fulgêncio, dirigente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector Ferroviário, durante a visita, ao que acrescentava que dos perto de dois mil trabalhadores que existiam em 1981, hoje restam 274. Uma “perda muito grande de postos de trabalho e de conhecimento de dezenas e dezenas de anos”, frisou. E sublinhando que a electrificação da linha do Sado “era uma necessidade já de há muitos anos”, não deixa de defender que a oficina da EMEF seja reestruturada e preparada para a recuperação dos comboios eléctricos, ao que garante: “nós temos essa capacidade técnica e temos o ‘know how’”, ao que acrescenta ”porque temos aqui uma reserva de conhecimento”.
“Com a vinda do TGV, a linha tradicional vai continuar a existir, terá é de ser melhorada como foi a do Barreiro/Praias do Sado”
Quanto à vinda do Parque de Manutenção de Oficinas (PMO) para o Barreiro, entende ser positivo “em termos de postos de trabalho, de desenvolvimento, e de tudo o que se cria à volta, como se criou o pólo do Barreiro”, contribuindo inclusivamente para a preservação da história da cidade e realça: “isso também não significa o fim do pólo ferroviário tradicional no Barreiro, que defendemos”. “Com a vinda do TGV, os comboios tradicionais e a linha ferroviária tradicional vão continuar a existir, terá é de ser melhorada como foi a do Barreiro/Praias do Sado”, defende.
Antiga estação do terminal ferroviário - “a Câmara não vai permitir a sua adulteração”
E a respeito do futuro a ser dado à antiga estação do terminal ferroviário do Barreiro, refere: “em termos sociais a ideia é criar-se um museu com aquele edifício, defendemos essa ideia desde o princípio, porque podia ser uma boa forma de integrar a requalificação daquela área, até porque tem características muito específicas”. Ainda sobre esta questão, o vice-presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Joaquim Matias, ainda que não adiante qual a opinião da Câmara relativamente ao uso a dar ao edifício, refere que o plano para o território da Quimiparque engloba também todo o sector ferroviário e, nesse âmbito, entende que será “certamente definida a melhor utilização para o edifício” ao que sustenta que se trata de um “edifício que também tem história” e por isso deve “manter-se tal como está”. Sendo a Refer proprietária do edifício diz aguardar por algumas propostas que a Câmara irá considerar e frisa: “sendo certo que a Câmara não vai permitir a sua adulteração”, ao que acrescenta “penso também que a Refer terá consciência disso”.
Andreia Catarina Lopes













