Autoeuropa garante postos de trabalho até 2010“Estamos confiantes de que a Autoeuropa será a fábrica mais atraente no mundo Volkswagen”
Aposta na formação e “perícia” no fabrico de automóveis, a par da flexibilidade técnica e laborar são consideradas as mais-valias da empresa

Por Jornal Rostos
Contabilizando um crescimento na produção de 0,5 por cento, passando das 93.609 unidades fabricadas em 2007 para as 94.100 em 2008, a Autoeuropa não conseguiu ainda assim produzir as 100 mil unidades, objectivo que o director-geral da Autoeuropa, Andreas Hinrichs, diz ter estado “perto” de atingir em Setembro de 2008, não ficando imune à crise que atingiu também os principais mercados de exportação da empresa, a Alemanha e a América do Norte, enquanto o mercado português representa 1,4 por cento, “sem melhorias desde 2007”, sublinhou a directora Financeira, Dinah Julia Kamiske. Por modelos, as 94.100 viaturas repartem-se em: 46 por cento de VW Eos; seguido do Scirocco, que representa 22 por cento; o Sharan, 21 por cento e o Alhambra, 11.
Volkswagen pára a produção na semana de Carnaval
Com a quebra em quatro valores percentuais do volume de vendas e a queda do índice de confiança, quer dos consumidores, quer do lado das indústrias, o director-geral da Autoeuropa reconhece: “nunca tivemos uma situação semelhante”. Mas face às dificuldades refere que a empresa dispõe de “ferramentas”, ao que fala da flexibilidade. Tal como a condução em nevoeiro, que obriga à redução da velocidade, Andreas Hinrichs, em jeito de analogia, diz que o mesmo “serve à indústria automóvel”. Nesse âmbito, a Autoeuropa, como acontece com 90 por cento das restantes fábricas da Volkswagen, vai parar a produção na semana de Carnaval. O responsável máximo da Autoeuropa indicou ainda que haverá outra paragem de quatro semanas em Abril, motivada pelas obras da transformação da linha de montagem multiusos, que estava prevista no Verão mas que a crise antecipou.
Autoeuropa garante postos de trabalho até 2010
Apesar das paragens, o director-geral frisa que, ao contrário da Alemanha, onde está previsto o recurso aos despedimentos, na Autoeuropa “utilizaremos 77% da nossa flexibilidade laboral e não haverá despedimentos", garantindo que os postos de trabalhos na Autoeuropa se vão manter pelo menos até 2010 e adiantou ainda que a empresa registou um aumento no número de empregados de 2990, em 2007, para 3028, em 2008. Números sobre os quais o director de Recursos Humanos, Julius von Ingelheim, comenta: “queremos crescer e superar, queremos cada vez mais empregados”.
2008 - Realizadas 133 mil horas de formação e 123 workshops
A motivação dos trabalhadores, a aposta na formação, a “perícia” no fabrico de automóveis, a par da flexibilidade técnica e laborar são consideradas as mais-valias da empresa. Sobre a aposta na formação, o director de Recursos Humanos conta que em 2008 foram realizadas 133 mil horas de formação e 123 workshops, o que permitiu à empresa uma redução de custos de 4,64 milhões de euros. Por sua vez, referiu que a taxa de absentismo também diminuiu para 1,4 por cento, o que significa um aumento de motivação de 98,6 por cento, que entende ser “inédito em Portugal.”
Do investimento de 541 milhões de euros, 80 % das verbas já foram gastas
Ainda que o director-geral não faça previsões para o segundo semestre de 2009, ao que sublinhou: “uma coisa é lidar com uma crise como temos, outra é olhar para o futuro e preparar a Autoeuropa para esse futuro”, Andreas Hinrichs garante que os objectivos da empresa “não mudaram” e, desse modo, refere que os investimentos previstos para o período de 2008-2010 continuam a ter em conta o conceito de uma só linha, a capacidade de construção de quatro modelos diferentes e preparar o sucessor dos monovolumes. E do investimento de 541 milhões de euros revelou que 80 por cento das verbas até 2010 já foram gastas.
Permanência da empresa em Palmela - pelo menos “cinco anos são claros”
Garantindo que “a Autoeuropa vai produzir carros até ao ano que vem”, sobre a permanência da empresa em Palmela acrescenta que pelo menos “cinco anos são claros”, ao que comenta: “Estamos confiantes de que a Autoeuropa será no futuro próximo a fábrica mais atraente no mundo Volkswagen”. E nesse futuro, expressa como meta “ser mais forte do que antes da crise”. E quanto ao sucessor do Sharan continuou sem adiantar datas, ainda que admita: “acho que não vai demorar muito.”
Andreia Catarina Lopes
BREVES REGISTO DE REPORTAGEM













