Exposição na CCPB assinala os 150 anos de comboios no BarreiroComemorações prestam “homenagem aos fundadores da Cooperativa”
Exposição no Forum Barreiro inaugura hoje, pelas 16 horas e terá a demonstração ao vivo de um comboio a vapor em miniatura
Ontem foi inaugurada, na Cooperativa Cultural Popular Barreirense (CCPB), uma exposição que assinala os 150 anos de comboios no Barreiro. Foi o primeiro de quatro dias de comemorações que, segundo João Ferreira, presidente da Direcção da CCPB, visa ser também uma “homenagem aos fundadores da Cooperativa”, os dez ferroviários que, a 24 de Maio de 1913, criaram esse organismo com o grande objectivo de satisfazer as suas necessidades alimentares.
Boletins da CP de 1938. Um Quadro Horário de 1935 de uma máquina a vapor. A chapa do 0201. Uma “melentolia” com 120 anos. Comboios em miniatura. Bilhetes antigos e a memória viva da história intimamente ligada ao Barreiro. Os ferroviários. Os comboios que chegavam “voando, voando”.
Ontem foi inaugurada, na Cooperativa Cultural Popular Barreirense (CCPB), uma exposição que assinala os 150 anos de comboios no Barreiro. Foi o primeiro de quatro dias de comemorações que, segundo João Ferreira, presidente da Direcção da CCPB, visa ser também uma “homenagem aos fundadores da Cooperativa”, os dez ferroviários que, a 24 de Maio de 1913, criaram esse organismo com o grande objectivo de satisfazer as suas necessidades alimentares.
Boletins da CP de 1938. Um Quadro Horário de 1935 de uma máquina a vapor. A chapa do 0201. Uma “melentolia” com 120 anos. Comboios em miniatura. Bilhetes antigos e a memória viva da história intimamente ligada ao Barreiro. Os ferroviários. Os comboios que chegavam “voando, voando”.

Por Jornal Rostos
“Agora já posso dizer que sei o que é voar. Agora entendo o voo das aves migratórias.” Dizia Hans Christian Andersen na sua primeira viagem de comboio a Portugal em 1866. Assim conta o filme de Augusto Cabrita de 1978: “Uma História de Comboios - Uma Viagem de Hans-Christian Andersen, escritor dinamarquês”, que pode ser visto na exposição inaugurada ontem, na Cooperativa Cultural Popular Barreirense.
Uma “homenagem aos fundadores da Cooperativa”
A Cooperativa, que está intimamente ligada ao sector ferroviário, lançou-se na organização de uma série de iniciativas que visam assinalar os 150 anos de Caminhos-de-ferro no Barreiro. João Ferreira, presidente da Direcção da CCPB conta que muitos dos sócios da cooperativa estão ligados ou estiveram ao sector ferroviário e a ideia tomou forma e constituiu-se uma Comissão para organizar as comemorações que visam ser também uma “homenagem aos fundadores da Cooperativa”. Para falar sobre o filme de Augusto Cabrita, a emoção revela-se aos olhos e nessa altura as palavras parecem ser pobres: “é rico”, expressa, ao que acrescenta: “com a vantagem de termos um barreirense a realizá-lo. É também uma homenagem ao Augusto Cabrita”.
Cooperativa criada em 1913 por dez ferroviários “com o grande objectivo de satisfazer as suas necessidades alimentares”
E em altura de aniversário assolam as memórias e a história. Da Cooperativa recorda que foi criada em 1913 por dez ferroviários “com o grande objectivo de satisfazer as suas necessidades alimentares”, pois estavam descontentes pelos preços praticados pela Cooperativa dos Caminhos-de-ferro e, também, porque pretendiam melhorar o fabrico e comercialização de pão, “a padaria foi uma das razões que levou à criação da Cooperativa Popular Barreirense”, sublinha. Chegou a ter lojas em Santo André e em Santo António, “tinha uma boa expressão no concelho”. E depois de um período mais difícil, no qual, em 1978 o edifício é alugado à sede ao Tribunal do Trabalho, a Cooperativa renasce em 2001, e como os tempos mudavam, “e como de consumo era difícil, optou-se pela vertente cultural e deixou de ser só Cooperativa Popular Barreirense para passar a integrar a palavra Cultural”, conta.
Espólio - “não sei a quem hei-de deixar, estava à espera que o Barreiro arranjasse um Museu Ferroviário”
E da exposição na cooperativa o elemento que mais destaca diz ser a “miniatura de comboio do meu amigo Caeiro, já desaparecido, que é deslumbrante”. Boletins da CP de 1938. Um Quadro Horário de 1935 de uma máquina a vapor. A chapa do 0201. Uma “melentolia” com 120 anos. Bilhetes antigos. São apenas alguns dos muitos objectos que Francisco José Magro, de 67 anos, mais conhecido por “Magro”, guarda religiosamente. Maquinista da CP, de 1970 a 2001, guarda consigo elementos que fizeram a história dos comboios. Um arquivo escrito, desde Vila Real de Santo António a Trás-os-Montes “onde conta tudo, desde o perfil das linhas, aos ramais”. Centenas de fotografias, tiradas por si, que captaram momentos: “a luta dos ferroviários, o 25 de Abril, o 1.º de Maio, em Lisboa e tudo o que é concentrações de ferroviários, estou sempre lá”. “Tenho lá o primeiro boletim de vencimento que recebi na CP em Agosto de 1966, com 855 escudos e tenho o último em 2001 com 265 mil escudos. Um espólio com muito significado e com o qual já se preocupa com o destino a dar: “não sei a quem hei-de deixar, estava à espera que o Barreiro arranjasse um Museu Ferroviário”.
Exposição no Forum Barreiro inaugura hoje, pelas 16 horas
Até ao dia 2 de Fevereiro a CCPB organiza uma série de iniciativas. São quatro dias de comemorações “todas importantes”, sublinha João Ferreira. Quanto às duas exposições que vão estar patente até 8 de Fevereiro, conta que a que esta na cooperativa comporta objectos emprestados pelos ferroviários e conta com a colaboração da Associação Portuguesa dos Amigos dos Caminhos de Ferro (ACAP) que vai trazer até segunda-feira os comboios miniaturas. Quanto à exposição no Forum Barreiro, que inaugura hoje, pelas 16 horas, conta com dez painéis ilustrativos e terá a demonstração ao vivo de um comboio a vapor em miniatura. “Esse comboio a vapor, com 70 quilos, tem a particularidade de ter umas carruagens, onde as pessoas podem entrar, nomeadamente as crianças”, revela.
Domingo “será um dia diferente” - desfile evocativo da primeira viagem de comboio Barreiro-Vendas Novas
Quanto ao domingo, dia 1 de Fevereiro, conta que “será um dia diferente”, para além das exposições refere que haverá um desfile evocativo da primeira viagem Barreiro-Vendas Novas em 1859, que contou com a presença do Rei D. Pedro V. A visita partirá da CCPB, às 16 horas, em direcção ao Forum, onde será recebido pela Banda do Barreiro. Representação cénica, a cabo pelo ARTEVIVA, e música do séc. XIX, pelo grupo Animae Vox, serão alguns dos elementos que vão compor um quadro vivo, o retrato da história. A iniciativa contará com as “presenças ilustres”, para além do Rei D. Pedro V, da sua esposa D. Estefânia, assim como o Fontes Pereira de Melo e a esposa, do conselheiro António Augusto Aguiar que vivia no Barreiro, ao que o presidente da Direcção da CCPB realça: “uma figura a quem se deve muito o caminho-de-ferro aqui no Barreiro, porque era conselheiro do rei e como adorava aquela zona da Paiva, fez pressão e conseguiu desviar o objectivo da linha, que era para ir para a zona do Montijo, e que acabou por vir para o Barreiro”. Quanto ao último dia de comemorações, a 2 de Fevereiro, fala da conferência de Gilberto Gomes subordinada ao tema “Os antecedentes do caminho-de-ferro no Barreiro”. “Um homem que vive muito a história do movimento dos ferroviários”, sublinhou.
Andreia Catarina Lopes
Uma “homenagem aos fundadores da Cooperativa”
A Cooperativa, que está intimamente ligada ao sector ferroviário, lançou-se na organização de uma série de iniciativas que visam assinalar os 150 anos de Caminhos-de-ferro no Barreiro. João Ferreira, presidente da Direcção da CCPB conta que muitos dos sócios da cooperativa estão ligados ou estiveram ao sector ferroviário e a ideia tomou forma e constituiu-se uma Comissão para organizar as comemorações que visam ser também uma “homenagem aos fundadores da Cooperativa”. Para falar sobre o filme de Augusto Cabrita, a emoção revela-se aos olhos e nessa altura as palavras parecem ser pobres: “é rico”, expressa, ao que acrescenta: “com a vantagem de termos um barreirense a realizá-lo. É também uma homenagem ao Augusto Cabrita”.
Cooperativa criada em 1913 por dez ferroviários “com o grande objectivo de satisfazer as suas necessidades alimentares”
E em altura de aniversário assolam as memórias e a história. Da Cooperativa recorda que foi criada em 1913 por dez ferroviários “com o grande objectivo de satisfazer as suas necessidades alimentares”, pois estavam descontentes pelos preços praticados pela Cooperativa dos Caminhos-de-ferro e, também, porque pretendiam melhorar o fabrico e comercialização de pão, “a padaria foi uma das razões que levou à criação da Cooperativa Popular Barreirense”, sublinha. Chegou a ter lojas em Santo André e em Santo António, “tinha uma boa expressão no concelho”. E depois de um período mais difícil, no qual, em 1978 o edifício é alugado à sede ao Tribunal do Trabalho, a Cooperativa renasce em 2001, e como os tempos mudavam, “e como de consumo era difícil, optou-se pela vertente cultural e deixou de ser só Cooperativa Popular Barreirense para passar a integrar a palavra Cultural”, conta.
Espólio - “não sei a quem hei-de deixar, estava à espera que o Barreiro arranjasse um Museu Ferroviário”
E da exposição na cooperativa o elemento que mais destaca diz ser a “miniatura de comboio do meu amigo Caeiro, já desaparecido, que é deslumbrante”. Boletins da CP de 1938. Um Quadro Horário de 1935 de uma máquina a vapor. A chapa do 0201. Uma “melentolia” com 120 anos. Bilhetes antigos. São apenas alguns dos muitos objectos que Francisco José Magro, de 67 anos, mais conhecido por “Magro”, guarda religiosamente. Maquinista da CP, de 1970 a 2001, guarda consigo elementos que fizeram a história dos comboios. Um arquivo escrito, desde Vila Real de Santo António a Trás-os-Montes “onde conta tudo, desde o perfil das linhas, aos ramais”. Centenas de fotografias, tiradas por si, que captaram momentos: “a luta dos ferroviários, o 25 de Abril, o 1.º de Maio, em Lisboa e tudo o que é concentrações de ferroviários, estou sempre lá”. “Tenho lá o primeiro boletim de vencimento que recebi na CP em Agosto de 1966, com 855 escudos e tenho o último em 2001 com 265 mil escudos. Um espólio com muito significado e com o qual já se preocupa com o destino a dar: “não sei a quem hei-de deixar, estava à espera que o Barreiro arranjasse um Museu Ferroviário”.
Exposição no Forum Barreiro inaugura hoje, pelas 16 horas
Até ao dia 2 de Fevereiro a CCPB organiza uma série de iniciativas. São quatro dias de comemorações “todas importantes”, sublinha João Ferreira. Quanto às duas exposições que vão estar patente até 8 de Fevereiro, conta que a que esta na cooperativa comporta objectos emprestados pelos ferroviários e conta com a colaboração da Associação Portuguesa dos Amigos dos Caminhos de Ferro (ACAP) que vai trazer até segunda-feira os comboios miniaturas. Quanto à exposição no Forum Barreiro, que inaugura hoje, pelas 16 horas, conta com dez painéis ilustrativos e terá a demonstração ao vivo de um comboio a vapor em miniatura. “Esse comboio a vapor, com 70 quilos, tem a particularidade de ter umas carruagens, onde as pessoas podem entrar, nomeadamente as crianças”, revela.
Domingo “será um dia diferente” - desfile evocativo da primeira viagem de comboio Barreiro-Vendas Novas
Quanto ao domingo, dia 1 de Fevereiro, conta que “será um dia diferente”, para além das exposições refere que haverá um desfile evocativo da primeira viagem Barreiro-Vendas Novas em 1859, que contou com a presença do Rei D. Pedro V. A visita partirá da CCPB, às 16 horas, em direcção ao Forum, onde será recebido pela Banda do Barreiro. Representação cénica, a cabo pelo ARTEVIVA, e música do séc. XIX, pelo grupo Animae Vox, serão alguns dos elementos que vão compor um quadro vivo, o retrato da história. A iniciativa contará com as “presenças ilustres”, para além do Rei D. Pedro V, da sua esposa D. Estefânia, assim como o Fontes Pereira de Melo e a esposa, do conselheiro António Augusto Aguiar que vivia no Barreiro, ao que o presidente da Direcção da CCPB realça: “uma figura a quem se deve muito o caminho-de-ferro aqui no Barreiro, porque era conselheiro do rei e como adorava aquela zona da Paiva, fez pressão e conseguiu desviar o objectivo da linha, que era para ir para a zona do Montijo, e que acabou por vir para o Barreiro”. Quanto ao último dia de comemorações, a 2 de Fevereiro, fala da conferência de Gilberto Gomes subordinada ao tema “Os antecedentes do caminho-de-ferro no Barreiro”. “Um homem que vive muito a história do movimento dos ferroviários”, sublinhou.
Andreia Catarina Lopes



















