Rotary Club do BarreiroFernanda Afonso fala sobre África, o “berço da humanidade”
Uma paixão sua
Na passada segunda-feira, dia 9 de Fevereiro, realizou-se na reunião do Rotary Club do Barreiro uma palestra de Fernanda Afonso, sob o título: “África – construir nações entre preconceitos, estereótipos e generalizações.” Foi imbuída da sua paixão pelo continente africano, que a prelectora Fernanda Afonso teceu uma conversa que teve como pano de fundo o chamado “berço da humanidade”. E como mulher ligada às letras, muitas foram as vezes em que a poesia despontou. Quer para falar da ligação entre os portugueses e África, ao que recordou a criação do Gigante Adamastor, que simbolizava os perigos do mar e a valentia dos navegadores portugueses, quer para falar do povo africano, através das palavras de José Craveirinho que fala no movimento dos mineiros.
Trilhando o caminho do continente ao longo dos tempos “África sofreu com a escravatura, com as guerras, sangrou continuamente”, olha para o seu futuro e nele vê desenvolvimento, ainda que advirta que a forma de vida seja diferente: “O desenvolvimento de África não será igual ao do mundo ocidental e não podemos querer que seja igual.”
Trilhando o caminho do continente ao longo dos tempos “África sofreu com a escravatura, com as guerras, sangrou continuamente”, olha para o seu futuro e nele vê desenvolvimento, ainda que advirta que a forma de vida seja diferente: “O desenvolvimento de África não será igual ao do mundo ocidental e não podemos querer que seja igual.”

Por Jornal Rostos
Coube ao “rotário” Álvaro Gaspar falar um pouco do currículo da professora e investigadora literária Maria Fernanda Afonso que “nasceu e cresceu no Barreiro”. Licenciada em filologia românica e doutorada em Literaturas Africanas lusófonas, é professora aposentada do ensino secundário e foi leitora do Instituto Camões durante 12 anos. Especialista em literatura africana pós-colonial, foi autora da obra: “O conto Moçambicano. Escritas pós-coloniais” em 2004 e em 2002 integrou a equipa de investigação que trabalha sobre a obra do escritor Lobo Antunes. “Melhor do que qualquer currículo será poder ouvi-la”, sublinhou Álvaro Gaspar que na apresentação fez uso de algumas palavras de Fernanda Afonso: “Foi esta terra que me deu vontade de conhecer outras culturas e confrontá-las com a nossa. África é uma paixão. A Europa culta tem muito a aprender com os povos do sul”.
A poesia e os “heróis africanos e afro-americanos”
E foi imbuída da sua paixão, que a professora Fernanda Afonso teceu uma palestra que teve como pano de fundo o continente africano, o chamado “berço da humanidade”. E como mulher ligada às letras muitas foram as vezes em que a poesia despontou. Ao longo da sua palestra foi convocando as letras de Sophia de Mello Breyner, Fernando Pessoa, Luís Vaz de Camões e a sua criação do Gigante Adamastor também para falar da ligação entre África e os portugueses, os primeiros a chegar ao continente africano. Mas também falou de escritores e poetas africanos, como José Craveirinho que fala no movimento dos mineiros que vão de comboio para as minas. Falou ainda de nomes que fizeram e fazem a história, a que chamou de “heróis africanos e afro-americanos”, destacando Nelson Mandela, Martin Luther King ou Barack Obama.
As doenças, a vida dura, a emigração e a dependência
“São 900 milhões de habitantes, distribuídos por cinco dezenas de países, onde o fosso entre os ricos e pobres é muito grande”, assim caracterizou o continente e sublinhou ser constituído por cidades populosas, ao que deu o exemplo de Angola que tem 4,5 milhões de habitantes. A vida dura e as doenças são fenómenos que diz que “impedem o bem-estar da população”, ao que junta o fenómeno da emigração: “quando manda a sua gente para a Europa, perde as suas forças vitais e cimentam uma quase certeza de que não é possível o sucesso em África”, considerou, ao que acrescentou outro aspecto que entende ser prejudicial: “as elites governamentais vivem de instituições financeiras internacionais, como o Banco Mundial, o FMI e a União Europeia.”
“A Europa dominou o mundo, dominou e explorou África e chegou a mitos, estereótipos e generalizações”
Na sua palestra acompanhou o continente ao longo dos tempos, assim como as suas transformações e divisões. Passou pela II Guerra Mundial, pela Guerra-fria e pelas guerras civis no território: “África sofreu com a escravatura, com as guerras, com a independência, sangrou continuamente”. Falou na escravidão que caracterizou os séculos XVI, XVII e XVIII; do colonialismo no século XIX, que repartiu o continente fundamentalmente em três partes, e no século XX abordou a descolonização. Tempos que deixaram marcas: “A Europa dominou o mundo, dominou e explorou África e chegou a mitos, estereótipos e generalizações.”
“O desenvolvimento de África não será igual ao do mundo ocidental e não podemos querer que seja igual”
Quanto à sua visão para o futuro do continente, entende que “vai acabar por se desenvolver, ainda que de forma desigual”. De África Austral, falou de Angola, Moçambique, Zâmbia e Zimbabué que considera serem nações com possibilidade de, a médio prazo, se tornarem “economias emergentes de grande dimensão”, realçando que “o clima favorece a agricultura e os solos são mais ricos.” E realçando que a concepção da vida em África é diferente da Europa e que prima pela simplicidade, expressa: “O desenvolvimento de África não será igual ao do mundo ocidental e não podemos querer que seja igual.”
E depois de a eloquência de Fernanda Afonso ter suscitado tamanha atenção dos presentes, outro sentido foi despertado, pela visualização de imagens do continente africano e as palavras ficaram contidas em emoções, que às vezes despertavam.
Andreia Catarina Lopes
A poesia e os “heróis africanos e afro-americanos”
E foi imbuída da sua paixão, que a professora Fernanda Afonso teceu uma palestra que teve como pano de fundo o continente africano, o chamado “berço da humanidade”. E como mulher ligada às letras muitas foram as vezes em que a poesia despontou. Ao longo da sua palestra foi convocando as letras de Sophia de Mello Breyner, Fernando Pessoa, Luís Vaz de Camões e a sua criação do Gigante Adamastor também para falar da ligação entre África e os portugueses, os primeiros a chegar ao continente africano. Mas também falou de escritores e poetas africanos, como José Craveirinho que fala no movimento dos mineiros que vão de comboio para as minas. Falou ainda de nomes que fizeram e fazem a história, a que chamou de “heróis africanos e afro-americanos”, destacando Nelson Mandela, Martin Luther King ou Barack Obama.
As doenças, a vida dura, a emigração e a dependência
“São 900 milhões de habitantes, distribuídos por cinco dezenas de países, onde o fosso entre os ricos e pobres é muito grande”, assim caracterizou o continente e sublinhou ser constituído por cidades populosas, ao que deu o exemplo de Angola que tem 4,5 milhões de habitantes. A vida dura e as doenças são fenómenos que diz que “impedem o bem-estar da população”, ao que junta o fenómeno da emigração: “quando manda a sua gente para a Europa, perde as suas forças vitais e cimentam uma quase certeza de que não é possível o sucesso em África”, considerou, ao que acrescentou outro aspecto que entende ser prejudicial: “as elites governamentais vivem de instituições financeiras internacionais, como o Banco Mundial, o FMI e a União Europeia.”
“A Europa dominou o mundo, dominou e explorou África e chegou a mitos, estereótipos e generalizações”
Na sua palestra acompanhou o continente ao longo dos tempos, assim como as suas transformações e divisões. Passou pela II Guerra Mundial, pela Guerra-fria e pelas guerras civis no território: “África sofreu com a escravatura, com as guerras, com a independência, sangrou continuamente”. Falou na escravidão que caracterizou os séculos XVI, XVII e XVIII; do colonialismo no século XIX, que repartiu o continente fundamentalmente em três partes, e no século XX abordou a descolonização. Tempos que deixaram marcas: “A Europa dominou o mundo, dominou e explorou África e chegou a mitos, estereótipos e generalizações.”
“O desenvolvimento de África não será igual ao do mundo ocidental e não podemos querer que seja igual”
Quanto à sua visão para o futuro do continente, entende que “vai acabar por se desenvolver, ainda que de forma desigual”. De África Austral, falou de Angola, Moçambique, Zâmbia e Zimbabué que considera serem nações com possibilidade de, a médio prazo, se tornarem “economias emergentes de grande dimensão”, realçando que “o clima favorece a agricultura e os solos são mais ricos.” E realçando que a concepção da vida em África é diferente da Europa e que prima pela simplicidade, expressa: “O desenvolvimento de África não será igual ao do mundo ocidental e não podemos querer que seja igual.”
E depois de a eloquência de Fernanda Afonso ter suscitado tamanha atenção dos presentes, outro sentido foi despertado, pela visualização de imagens do continente africano e as palavras ficaram contidas em emoções, que às vezes despertavam.
Andreia Catarina Lopes



















