Lançamento do 2.º Caderno do Arquivo dos Sindicatos Ferroviários no Barreiro“Um trabalho com reflexos muito positivos para a história do concelho”
Autarquia “defende que se localize no Barreiro um núcleo museológico ferroviário”
Ontem, foi apresentado, no espaço do Arquivo Municipal, o 2.º Caderno do Arquivo dos Sindicatos Ferroviários no Barreiro, que resulta de um protocolo assinado entre o município do Barreiro e o Sindicato dos Ferroviários. Um número que fala da história do Sindicato e do seu papel no concelho do Barreiro e que não esquece o jornal “Sul e Sueste”, o órgão de divulgação do movimento sindical dos ferroviários no Barreiro. Na iniciativa foram ainda projectadas fotografias históricas que percorreram o espólio ferroviário do Barreiro e que retratam épocas, como a Greve Geral de 11 de Maio de 1982. Histórias que se contaram pelas imagens.
Sobre a obra, o presidente da Câmara do Barreiro considerou ser “um trabalho muito interessante com reflexos muito positivos para a história do concelho.” E entendendo que o maior desafio que se coloca ao município passa: “Que continue a ser uma terra de desenvolvimento, de produção de riqueza e de emprego”, nessa visão estratégica defende “o aumento do peso do sector ferroviário.” E defende que “é preciso reforçar e modernizar todo o sector ferroviário”, ao que advoga que as Oficinas de Alta Velocidade se localizem no Barreiro e sobre as antigas oficinas do Barreiro: “que se mantenham no concelho Barreiro, eventualmente na Quimiparque.” Quanto ao espólio ferroviário, defende “que se localize no Barreiro um núcleo museológico ferroviário”

Por Jornal Rostos
Na abertura da apresentação, Isabel Soares, coordenadora do Gabinete do Arquivo Municipal, sublinhou que o livro lançado resulta de um protocolo assinado entre o município do Barreiro e o Sindicato dos Ferroviários, que há cerca de um ano atrás contactaram a autarquia para que fosse recuperado o material de arquivo histórico que estava na Casa dos Ferroviários. O protocolo foi assinado pela Câmara do Barreiro, através do Gabinete de Arquivo e Gestão Documental, que organizou, limpou e classificou a documentação. Sobre essa documentação, Isabel Soares refere que alguma foi digitalizada e acrescenta que foi feito um inventário com todo o tipo de documentos encontrados, o que permite que esteja disponível para consulta. Sobre a obra, diz basear-se no espólio de um munícipe e que traça o enquadramento da história do sindicato e o seu papel no concelho. A terminar, revelou o objectivo do Gabinete de “continuar a edição de vários cadernos.”
“Data bem escolhido para lançar este livro sobre a história do sindicato no concelho do Barreiro”
José de Almeida, responsável pelo Sindicato dos Ferroviários do Sul, realçou o simbolismo da data de lançamento do caderno, no ano em que assinala os 150 anos de caminhos-de-ferro no Barreiro, e por isso entende ser “bem escolhido para lançar este livro sobre a história do sindicato no concelho do Barreiro.” Sobre o sindicato, expressou: “houve sempre um hábito de luta do sindicato dos ferroviários, não só no passado mas também no presente” e terminou, agradecendo o “empenhamento e trabalho” desenvolvido pela autarquia “que leva ao lançamento deste livro de extrema importância.”
História “inapagável” “ligada à produção, à construção de riqueza, à reivindicação e à luta dos trabalhadores”
O presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Carlos Humberto, fez menção ao que entende ser o “empenho, carinho e profissionalismo” dos trabalhadores do Arquivo Municipal para a elaboração da obra, que diz ser “um trabalho muito interessante com reflexos muito positivos para a história do concelho de todo o sector ferroviário, que ao longo dos 150 anos foram construindo na nossas terra”. Uma terra cuja história diz estar “ligada à produção, à construção de riqueza, à reivindicação e à luta dos trabalhadores, onde os 150 anos do comboio tiveram um papel determinante.” Uma história que realça ser “inapagável.”
Autarca defende “o aumento do peso do sector ferroviário”
“Há 150 anos que somos uma terra ferroviária”, expressou, ao que acrescentou: “já tivemos mais importância do que temos hoje, mas queremos continuar a ser uma terra ferroviária.” Entende que o maior desafio que se coloca ao município passa: “Que o Barreiro continue a ser uma terra de desenvolvimento, de produção de riqueza e de emprego”. E nessa visão estratégica defende “o aumento do peso do sector ferroviário.” Para isso, sublinha que a Terceira Travessia do Tejo, com as suas três valências seja concretizada; que a Gare do Sul “seja uma referência não só do ponto de vista arquitectónico e de funcionalidade”. E acrescentou: “pretendemos que o Metro Sul do Tejo chegue ao Barreiro em 2013 e que as Oficinas de Alta Velocidade se localizem no Barreiro.”
“É preciso reforçar e modernizar todo o sector ferroviário”
“É preciso reforçar e modernizar todo o sector ferroviário”, expressou o autarca barreirense, que entende que o Barreiro deve “ter ligações nacionais, como tinha no passado, através da linha do sul, mas também agora com a linha do norte”. E sobre as antigas oficinas do Barreiro defendeu: “ que se mantenham no concelho do Barreiro, eventualmente na Quimiparque.” “É nessa perspectiva de futuro que comemoramos estes 150 anos de história,” realçou.
Autarquia “defende que se localize no Barreiro um núcleo museológico ferroviário”
Em relação ao espólio ferroviário existente no concelho do Barreiro, defende: “tem de ser defendido como património histórico e edificado” e acrescentou: “as Oficinas têm de ser defendidas, a rotunda tem de ser defendida”, sublinhando que a autarquia do Barreiro “defende que se localize no Barreiro um núcleo museológico ferroviário.”
“Portugal não tem futuro se não se intensificar a produção nacional”
Na sua intervenção, o presidente da Câmara do Barreiro não deixou de fazer referência ao encerramento das secções produtivas de amoníaco e ureia no Lavradio da AP – Amoníaco de Portugal, manifestando a sua solidariedade para com os 152 trabalhadores afectados e expressou: “é com angústia, tristeza e preocupação e revolta que vejo apoiarem-se entidades não produtivas e não se apoiarem entidades produtivas, que levam a que o desemprego cresça.” Sobre o encerramento da empresa que era a única no país a produzir adubo para a agricultura, considerou: “a economia e o país ficou mais pobre” e acrescentou: “Portugal não tem futuro se não se intensificar a produção nacional.”
De sublinhar que apesar de o início do caminho-de-ferro no Barreiro datar de 1861, foi há cem anos atrás que foi criada a primeira associação de classe de ferroviários, na defesa dos direitos dos trabalhadores ferroviários do Sul e Sueste.
Andreia Catarina Lopes













