Saltar para o conteúdo
Perspectivas

Cooperativa Cultural Popular BarreirenseA “noite de Fernando Pessoa”

Na passada sexta-feira, dia 13 de Março, a Cooperativa Cultural Popular Barreirense foi palco de uma noite literária dedicada a Fernando Pessoa. Uma noite em que as palavras tornaram presente a memória viva de um dos maiores vultos da literatura portuguesa.

E na “noite de Fernando Pessoa” evocou-se essencialmente a sua voz. A voz do poeta que se sentia “estrangeiro aqui, como em toda a parte". Do boémio. “Do homem de extrema sensibilidade”. Do “metafísico”. A voz do poeta enigmático. O centro irradiador da heteronímia. E ouviu-se a sua poesia. Do ortónimo. Dos heterónimos. Do poeta “fingidor” “que chega a fingir que é dor. A dor que deveras sente.” Uma noite dos sentidos.

4 min de leitura
Cooperativa Cultural Popular Barreirense A “noite de Fernando Pessoa”

Por Jornal Rostos

A “noite de Fernando Pessoa” no Barreiro começou com a projecção do filme: “Fernando Pessoa no Barreiro”. Um filme realizado em 1988, pelo Gabinete de Informação e Relações Públicas da Câmara Municipal do Barreiro, que assinala o centenário do nascimento do poeta. Um trabalho realizado por Anselmo Costa, baseado numa ideia de António Sousa Pereira e em que Carlos Ramos vestia a pele de Fernando Pessoa. A película trouxe o poeta de viagem, de Lisboa, até ao Barreiro, onde se cruzava com o rio e observava: “O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia” e recordava as naus, numa viagem pelo Tejo, por onde se “vai para o Mundo”.

"De menino de sua mãe, tornou-se menino de si próprio”

“Na noite de Fernando Pessoa” no Barreiro, Rosário Vaz singrou pelas palavras para dar conta do percurso do escritor. Recordando o seu nascimento. No quarto andar esquerdo do n.º 4 do Largo de São Carlos, em frente ao Teatro de São Carlos, às três horas e vinte minutos de 13 de Junho de 1888, tarde de Santo António. Depois a sua infância em Lisboa. A morte dos pais. O papel da “criada velha”, que lhe contava contos de fadas. A sua primeira personagem criada aos seis anos. “Um certo Chevalier de Pas”. E o seu percurso que “de menino de sua mãe, se tornou menino de si próprio”. Que frequenta o curso superior de Letras. Que lança uma tipografia. Que mostra “especial apreço por Cesário Verde”. Das suas actividades no jornalismo, na publicidade, no comércio. Enquanto dactilografo. E na poesia.

De uma “só assentada chegou a produzir mais de 30 poemas”

Rosário Vaz dividiu a sua literatura em três fases, a primeira Sebastianista, pela “Mensagem”, a segunda sob a influência maçónica e a terceira, trágica. E depois falou do ano de 1914, início da Primeira Guerra Mundial, o “período mais fecundo da sua vida literária”, em que “escreve de pé, como de costume” e de uma “só assentada chegou a produzir mais de 30 poemas”. O criador.

Numa noite em que se falou do “Poeta, ele próprio e dos outros”

E na “noite de Fernando Pessoa” evocou-se essencialmente a sua voz. A voz do poeta que se sentia “estrangeiro aqui como em toda a parte". Do boémio. “Do homem de extrema sensibilidade”. Do “metafísico”. A voz do poeta enigmático. O centro irradiador da heteronímia. E ouviu-se a sua poesia. Do ortónimo. Dos heterónimos. De Alberto Caeiro. De Ricardo Reis. De Álvaro Campos. E na noite do poeta a poesia fez-se ouvir. A voz das palavras que são mãos que tocam e despertam a pele que sente no interior. E a voz do poeta tomou a voz de Jorge Cardoso, Manuel Alpalhão e Dário Valente. E as vozes de cinco alunos da Escola Secundária de Santo António: Liliana Cruz, Danila Rosário, Sílvia Xavier, Diogo Figueiredo e Carlos Fernandes, que lembraram também a escrita das cartas de amor a Ofélia Queirós. Numa noite em que se falou do “Poeta, ele próprio e dos outros”.

Andreia Catarina Lopes

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção