Governadora Civil de Setúbal“O papel do Governador Civil é fundamental, enquanto representante do Governo nos distritos”
Sobre o aumento de 3,2 por cento da criminalidade no distrito, “sem querer minimizar a questão da segurança”, chama a atenção para factores que o podem suscitar, como a globalização. E não deixa de criticar a expressão utilizada pelo líder do PP, ao referir que a criminalidade está a transformar: “Setúbal numa cidade quase fora da lei”. “Fico indignada porque acho que é injusto e prejudica a região”, reage e acrescenta: “o distrito não pode servir de arremesso político partidário”.
Uma mulher frontal que diz que “sorri quando tem vontade de sorrir”, que diz ser “organizada” e saber “vestir” os diferentes papéis que os cargos e a vida enquanto mulher assim o exigem.

Por Jornal Rostos
Considerando que “o papel do Governador Civil é fundamental, enquanto representante do Governo nos distritos”, e “agente mediador entre o cidadão, as entidades e o poder local”, Eurídice Pereira defende que perante um possível fim desse organismo, no quadro da reforma da Administração Pública, deve “existir sempre um patamar intermédio de representação”, ao que acrescenta: “independentemente do nome que se lhe venha a dar”, entendendo que ”os Governos devem ter sempre representantes de proximidade com as pessoas”. Assumindo-se como “adepta da regionalização”, entende que não será este processo que irá colocar em causa a existência do Governo Civil: “não me parece que as regiões venham tirar protagonismo à administração local ou prejudicar a administração central”.
“Pela primeira vez foi introduzido no Governo Civil um plano de actividades por objectivos”
Tendo assumido o cargo de Governadora Civil em Setembro de 2007, uma “casa” que diz que não lhe era “desconhecida”, até porque na sua primeira actividade profissional passou pelo Gabinete de Apoio, diz que na aceitação do convite se mostrou “indisponível para estar numa peça arquitectónica”. Defende, em vez disso, “a seriedade e o debate das questões” e o empreendedorismo e pró-actividade. Sobre o ano de 2008 diz que “pela primeira vez foi introduzido no Governo Civil um plano de actividades por objectivos”. Objectivos que foram traçados tendo assente que os Governos Civis “têm voz nas dinâmicas distritais”. Representação do Governo. Reforço da aproximação entre o cidadão e a administração. Assegurar a manutenção ou reposição da ordem, da segurança e tranquilidade públicas, através do recurso às entidades competentes. Prevenir a ocorrência de catástrofes e minimizar consequências. Induzir a Segurança Rodoviária e Cooperar na projecção da imagem do distrito, são os seis objectivos estratégicos que foram implementados em 2008.
Os “bastidores exigem muito mais do que a mediatização faz crer”
Fala ainda na aposta em iniciativas próprias “sem abandonar a lógica das parcerias” e que foi o “empenhamento e tenacidade dos recursos humanos” que serviu de “trunfo para a concretização dos objectivos”. Diz ainda que os “bastidores exigem muito mais do que a mediatização faz crer” e do orçamento anual que diz ser de 2.300 milhões de euros, entende que “para um distrito não é nada”. Para 2009, fala no “aprofundar dos seis objectivos de 2008” e acrescenta outro, que passa pelos Processos Eleitorais, ao que anuncia que está previsto a realização de uma Campanha contra a abstenção, em conjunto com o Parlamento Europeu, que conta, entre 4 e 9 de Maio, com a realização de dois seminários sobre a temática europeia e de acções nas escolas.
Segurança rodoviária – “excesso de confiança gera grandes incapacidades de serem preventivos e auto defensivos”
Uma das grandes apostas do Governo Civil em 2008 diz ter sido na segurança rodoviária e comenta: “penso que tem vindo a ser uma questão que passou a ser conversa do quotidiano”. Mas não deixa de referir que no âmbito dessa campanha tem sentido “excessiva à-vontade por parte das pessoas” e esse “excesso de confiança” diz “gerar grandes incapacidades de serem preventivos e auto defensivos”.
“O distrito não pode servir de arremesso político partidário”
Sobre o distrito de Setúbal, diz olhar de “forma realista” e referiu: “temos as vantagens e desvantagens da proximidade com a capital do país”. Sobre os números do Relatório Anual de Segurança Interna, no qual Setúbal ocupa o terceiro lugar, a seguir a Lisboa e Porto, com um aumento de 3,2 por cento da criminalidade, não nega esses números mas chama a atenção para factores que o podem suscitar, como a globalização, ao que comenta: “transaccionam-se coisas boas mas também ameaças e crimes” e, nesse âmbito, fala do surgimento de novas formas de criminalidade vindas do exterior do país, como o “carjacking”. Entende “que os números valem, se formos capazes de olhar para eles e vermos o que lá está”, e acrescenta: “não estou a minimizar nada, senão não estavam a ser tomadas medidas para continuar a combater este fenómeno”. Defende, no entanto, que “não é desejável que se fale em extremos”, ao que comenta “isto não é um oásis, mas também nem tudo é negativo”. E não deixa de criticar a expressão utilizada pelo líder do Partido Popular, Paulo Portas, ao referir que a criminalidade está a transformar: “Setúbal numa cidade quase fora da lei”. “Fico indignada porque acho que é injusto e prejudica a região”, reage e acrescenta: “o distrito não pode servir de arremesso político partidário”.
Emprego – “Aqui meto a palavra optimismo, é importante olhar para as soluções”
E quanto ao aumento do desemprego que sublinha ser “um problema internacional”, defende que nos sectores de produção que estão dependentes de Portugal “tem de se ver os que têm futuro de mercado e têm de ser agarrados com unhas e dentes” e comenta: “aqui meto a palavra optimismo, é importante olhar para as soluções”. E dos sectores que dependem de contextos internacionais, defende: “a Europa tem de encontrar estratégias de conversação conjuntas”.
“Vão surgir mais pequenas e médias empresas que resultam em mais postos de trabalho”
Considerando que Setúbal é “talvez o distrito com mais investimento”, comenta: “o Governo quando canaliza todo este investimento é porque sabe as potencialidades que o distrito de Setúbal tem”, o que entende ser um sinal de reconhecimento da região. E para o futuro do distrito considera que pelo surgimento de algumas infra-estruturas, como a Terceira Travessia do Tejo ou o novo aeroporto de Lisboa, entende que ”vão permitir o desenvolvimento em redor” e comenta: “vão surgir mais pequenas e médias empresas que resultam em mais postos de trabalho” e comenta: “desse ponto de vista temos luz ao fundo do túnel.”
“A minha relação tem sido institucionalmente normal e de respeito com os municípios”
Quanto ao relacionamento com os 13 municípios do distrito, com diferentes forças políticas, a maioria distinta da do governo, diz: “a minha relação tem sido institucionalmente normal e de respeito com os municípios”. E no concelho da Moita, onde foi candidata pelo Partido Socialista à Câmara Municipal nas últimas eleições autarquias, refere: “tive o maior cuidado em não confundir papéis, o povo fez a sua escolha e tem toda a legitimidade” e acrescenta: “sempre soube representar os diferentes papéis sem esforço”.
Explosão de gás no prédio em Setúbal - “um teste duro, no qual o Governo Civil saiu vencedor, porque as pessoas, saíram vencedoras”
E quando lhe foi perguntado qual o episódio mais difícil pelo qual passou, enquanto Governadora Civil, não hesita: “foi indiscutivelmente o da explosão de gás no prédio número 13 da Praceta Afonso Paiva, em Setúbal”. O que entende ter sido “um teste duro”, mas no qual o Governo Civil “saiu vencedor”, ao que adianta: “porque as pessoas, saíram vencedoras, têm as suas casas”. E recordando as memórias que esse momento trouxe e que levou a “muitos meses de acompanhamento”, recorda a sua primeira preocupação “tem de ser avaliado o perímetro de segurança” e a “forte relação de afinidade” que diz que se acabou por estabelecer com as mais de 40 famílias envolvidas. “É de tudo o que fiz, o que mais sinto que o dever foi absolutamente cumprido”. Falando de um investimento na ordem dos 800 mil euros pelo Governo Civil, comenta: “neste caso concreto não havia dinheiro que tivesse valor, era o futuro e a vida das pessoas que ali estava”. E porque nem só de momentos bons a vida é feita, comenta: “Quem anda nesta vida e só está nos momentos bons e nos maus, passa no intervalo da chuva, que o faça, eu tenho gabardina”.
Andreia Catarina Lopes













