PLURICOOP - Jornadas Cooperativas / SetúbalO Estado tem de ter mais respeito por nós cooperativas
O primeiro Seminário, realizou-se no Pinhal Novo, tendo como tema : “A Solução Cooperativa e a sua actualidade”, onde Canaveira Campos, ex-Presidente do INSCOOP, salientou que o cooperativismo tem que se afirmar como “uma economia de vanguarda”, e, referiu que - “O Estado tem de ter mais respeito por nós”, os cooperativistas e pelo cooperativismo.

Por Jornal Rostos
A PLURICOOP – Cooperativa de Consumidores vai promover as Jornadas Cooperativas tendo como temática : “ a crise não é de agora…”, no âmbito das quais decorrer um conjunto de Seminários.
O primeiro Seminário, moderado por Natacha Costa, realizou-se no Pinhal Novo, tendo como tema : “A Solução Cooperativa e a sua actualidade”, uma iniciativa integrada nas comemorações destinadas a assinalar o aniversário da COOPINHAL.
A solução para responder à crise já vem de longe
Fernando Parreira, presidente da Direcção da PLURICOOP, na intervenção que abriu o Seminário subordinado ao tema : “A Solução Cooperativa e a sua actualidade” sublinhou que “a crise já vem de longe”, e, “a solução para responder à crise já vem de longe”, recordou, neste contexto, que a fundação da 1ª cooperativa de consumo, no período da revolução industrial, no século XIX, foi uma resposta organizada dos trabalhadores, para encontrarem respostas aos problemas sociais que eram gerados pelo desenvolvimento da exploração capitalista.
Fernando Parreira, recordou que no mundo actualmente as cooperativas contam com mais de 800 milhões de membros e, a nível mundial, proporcionam mais 10% de postos de trabalho que as empresas multinacionais.
Referiu, ainda que, na Europa existem 240 mil cooperativas, que proporcionam trabalho a cerca de 4,7 milhões de pessoas, por outro lado, sublinhou que em Portugal, existem 3.600 cooperativas, que representam mais de 2 milhões de pessoas e emprega 51 mil trabalhadores, com um volume de negócios na ordem dos 5% do PIB.
80 % dos seus trabalhadores têm trabalho efectivo
O presidente da Direcção da PLURICOOP, referiu que esta cooperativa de consumo, com sede no distrito de Setúbal, foi fundada em 1990, tendo iniciado a sua actividade em 1992 – “somos a maior cooperativa do ramo de consumo, resultante de um processo de fusões por incorporação”.
Desenvolver a actividade económica e a associativa
“Somos a maior organização social da região. Somos uma instituição prestigiada e com influência na região” – sublinhou, recordando que a PLURICOOP, desenvolve a sua acção com duas dinâmicas indissociáveis – a empresarial e a associativa.
“Para não descaracterizar a cooperativa deve desenvolver-se a actividade económica e, também, a actividade associativa” – sublinhou.
Referiu Fernando Parreira que a PLURICOOP conta com 27 Lojas COOP, distribuídas por 17 concelhos dos distritos de Setúbal, Lisboa, Santarém e Leiria.
“Na Pluricoop 80 % dos seus trabalhadores têm trabalho efectivo e têm todos os direitos” – sublinhou, como sendo um exemplo que marca a diferença de outras empresas.
Movimento Cooperativo é uma porta aberta
Fernando Parreira, referiu que “neste momento que estamos a viver uma crise, há mais condições para desenvolver o Movimento Cooperativo” porque, “o Movimento Cooperativo é uma porta aberta para a construção de um mundo melhor”.
“Estamos uma fase histórica da vida, temos que ter mais atitude de força e verticalidade” - sublinhou o presidente da Direcção da PLURICOOP.
Taxa de pobres atinge 30% da população mundial
Canaveira Campos, ex- Presidente do INSCOOP – Instituto António Sérgio, começou por referir que a taxa de pobres atinge 30% da população mundial, que nos países subdesenvolvidos existe 1 bilião de pessoas que vive com um dólar por dia e a viver em barracas”.
Canaveira Campos, salientou que “a crise é com todos nós” e que estamos a viver no mundo que herdamos dos “anos gloriosos” que se seguiram à Guerra Mundial até aos anos 70.
“O que se pode fazer para mudar esta situação?” – interrogou, acrescentando que, todos nós, temos a responsabilidade cívica de “não deixarmos aos nossos filhos um mundo pior que recebemos”.
Estamos num tempo que é preciso de novo cooperar
Na sua intervenção salientou que o cooperativismo nasceu “num tempo de crise, há 150 anos” para “fazer qualquer coisa de novo e de bom”, com base na “actividade de cooperação”, porque, “a cooperação leva as pessoas a ter força”.
“Estamos num tempo que é preciso de novo cooperar” - alertando para o facto de hoje, existir uma cultura marcada pelo “vivermos individualmente”, contrariamente ao que acontecia, no passado, porque, “antigamente as pessoas se juntavam e associavam”.
Dá impressão que temos vergonha de sermos quem somos
Canaveira Campos, salientou que as cooperativas desenvolvem as suas actividades visando a promoção das pessoas e ao serviço da comunidade.
Recordou que 248 milhões de europeus são membros de cooperativas e a importância da cooperativas no mundo, mas, referiu que apesar da sua importância as cooperativas não se afirmam e - “dá impressão que temos vergonha de sermos quem somos”.
O Estado tem de ter mais respeito por nós
O ex- presidente do INSCOOP, numa intervenção acalorada e emocionada, salientou que “a sociedade em que vivemos hoje não nos dá segurança”, nesse contexto, lançou o repto para a necessidade de construir uma nova forma de viver, numa “comunidade onde as pessoas se sintam felizes e aprendam a viver uns com os outros”.
Canaveira Campos salientou os valores do cooperativismo – o valor da pessoa, a democracia, a participação, a ligação à comunidade.
“O cooperativismo é uma solução de Liberdade, lançando projectos de desenvolvimento, na valorização de recursos, na procura de resposta a 7necessidades. É preciso cooperar, para desenvolver uma economia militante perante o individualismo” – sublinhou, acrescentando que esta tem que ser “uma economia à procura de novos parceiros, Sindicatos, Estado, Colectividades Locais, Universidades, o mundo da Cultura, organizações intermunicipais” .
“O Estado tem de ter mais respeito por nós” – sublinhou Canaveira Campos.
Uma economia de vanguarda
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Na fase final da sua intervenção, Canaveira Campos, considerou que o cooperativismo tem que se afirmar como “uma economia de vanguarda”, perspectivando a necessidade de existir uma aposta em promoção de acções que contribuam para “dar visibilidade ao sector”, porque, disse, - “a riqueza que estamos a partilhar é para todos” .
“Precisamos de dizer aos outros o que estamos a fazer” – referiu, acrescentando que – “temos encontrado, no nosso país, pouco marketing da economia social”.
Canaveira Campos encerrou a sua intervenção, dando relevo ao papel de cidadania e acção cívica que demonstram os cooperativistas, porque, com a actividade que desenvolvem afirmam, no quotidiano um projecto comum, um saber que é – “o saber dar as mãos”.
Autarquia reconhece o papel das cooperativas
Adilia Candeias, vice presidente da Câmara Municipal de Palmela, referiu que a crise que vivemos “tem culpados”, sublinhando que “esta politica de direita faz muitas vitimas, em primeiro lugar ao nível dos trabalhadores”.
A autarca recordou as expectativas de mudança, que foram criadas após o 25 de Abril, que apontava para a construção de uma sociedade diferente, com um importante papel do Estado.
Adilia Candeias, referiu a cooperação que sempre existiu entre a Câmara Municipal de Palmela e as cooperativas, porque a autarquia reconhece o papel das cooperativas na economia e a função social e cultural das cooperativas.
Seguiu-se um período de debate, a sessão evocativa do aniversário da COOPINHAL, encerrando a sessão com um espectáculo musical e cultural.
S.P.
BREVE REGISTO













