Malangatana no Barreiro a produzir uma obra alusiva à paz“Estou muito feliz por fazer esta pequena obra que é grande no significado e coração”
O artista plástico moçambicano Malangatana está no Barreiro a produzir uma escultura para a Praça da Amizade, junto ao Forum Barreiro. “Estou muito feliz por fazer esta pequena obra que é grande no significado e coração”, assim expressou. Da sua obra disse ser uma peça alusiva à paz, em mármore, que, mesmo ainda estando no seu início, já revela elementos marcantes da sua forma de fazer arte. Os rostos. “Bocas escancaradas”. “As tatuagens”. A marca da violência. O erotismo. O Expressionismo. E a paz. “Quando falo na paz, não falo nos elementos figurativos, falo no fazer esta peça e entregar ao Barreiro, que simboliza entregar a Portugal”.
E do Barreiro diz ser uma terra que ficou “enamorado” em 1971. Uma terra que diz ser “um lugar de muita força”, onde gostava de vir a trabalhar num projecto com crianças.
E do Barreiro diz ser uma terra que ficou “enamorado” em 1971. Uma terra que diz ser “um lugar de muita força”, onde gostava de vir a trabalhar num projecto com crianças.

Por Jornal Rostos
“Estou muito feliz por fazer esta pequena obra que é grande no significado e coração”, referiu hoje, num encontro com os jornalistas, o artista plástico moçambicano Malangatana. Da sua obra que vai ser colocada na Praça da Amizade, junto ao Forum Barreiro, diz ser uma peça alusiva à paz. Quanto à data prevista para sua conclusão, fala na obra como se fosse um filho, que não se tem bem a certeza de quando se “vai dar à luz”. É algo que vai sendo construído e vai tomando forma. E forma é o que já se pode ver. Do mármore de onde irrompem rostos e mitos e fábulas que diz guardar da sua infância. É uma oportunidade para as contar, esculpidas na pedra e tomando forma, com a luz depois a revelá-las.
“Foi voluntário fazer uma peça que não se pinta”
Para falar da paz, diz que não podia utilizar as tradicionais pombas, isso não lhe bastava. “Quando falo na paz, não falo nos elementos figurativos, falo no fazer esta peça e entregar ao Barreiro, que simboliza entregar a Portugal”, justifica. E a cor “branco em branco e não a preto e branco” dá-lhe essa força, ao que comenta: “foi voluntário fazer uma peça que não se pinta”. Quando colocada no local espera que a luz, o sol e as sombras também se conjuguem e se unam ao trabalho. E até na disposição das peças diz haver simbolismo, as peças são colocadas costas com costas ”como se fossem pessoas que se zangam e se recusam”, mas que “se ligam, sem se desprenderem”. “Como na amizade”, comenta.
Ficou “enamorado do Barreiro” em 1971
Como artista diz ser “uma honra muito grande” ter sido convidado para fazer um trabalho num local em que diz ter vindo pela primeira vez em 1971 e em que diz ter ficado “enamorado". Uma terra que diz ser “um lugar de muita força”. E nessa sua primeira presença diz que a sensibilidade apurada lhe disse que um dia ainda havia de trabalhar no Barreiro. E assim acontece. E desejou: “Que a obra fique nas mãos dos de hoje e dos futuros dirigentes, que são as nossas crianças” e nesse desejo, expressou ainda a sua vontade de vir a trabalhar no Barreiro num projecto com crianças.
A obra “é trazida por Moçambique e não por Malangatana”
Na conversa, não deixava de falar no seu colega Firmino que o está a ajudar no trabalho, agradecendo a “sua grande companhia” e expressando: “tem tido um trabalho louco com as minhas loucuras” e logo corrigiu” uma loucura bonita para nós.” De raízes moçambicanas, não deixou de sublinhar que a obra “é trazida por Moçambique e não por Malangatana” e acrescentou: “Nós, os moçambicanos, sentimo-nos felizes por isso. Porque Moçambique sabe que estamos aqui a trabalhar para fazermos uma obra no Barreiro”. E fazendo menção ao laço entre os países, disse que é difícil dizer que Portugal é “no estrangeiro”: “oficialmente é estrangeiro, mas em termos de coração é complicado”.
“O Malangatana está no Barreiro e a trabalhar connosco numa obra do outro mundo”
“O Malangatana está no Barreiro e a trabalhar connosco numa obra do outro mundo”, de uma “beleza excepcional”, referia o presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Carlos Humberto, num encontro com o artista plástico e adiantava: “Para a Câmara Municipal do Barreiro (CMB) é uma honra termos cá o mestre a trabalhar e é uma honra para o Barreiro ter um trabalho desta qualidade”. Um elemento que diz que vai “marcar o Barreiro” no presente e no futuro “pela qualidade artística, pelo trabalho e pela dimensão”. Sublinhou ainda que a obra se integra num protocolo de cooperação assinado com a Multi Mall, empresa que gere o Forum Barreiro “que assume uma parte muito significativa dos custos desta escultura”, sublinhou. Por sua vez, a vereadora Regina Janeiro, responsável pelo Departamento de Acção Sócio-Cultural (DASC) da CMB, referiu que “O Barreiro vai ficar culturalmente mais rico” pela obra de “um artista de projecção mundial como o mestre” e pela própria presença do artista nas ruas do Barreiro.
12 Painéis de várias dimensões compõem a obra
Depois de projectado e desenhado o esboço, Malangatana encontra-se agora a desenhar sobre a pedra, que está a ser esculpida. A obra é composta por 12 painéis de várias dimensões, integrando 98 peças, tendo a maior nove metros.
Artista que na arte revela o vigor das suas raízes africanas
Pintor moçambicano, Valente Malangatana Ngwenya nasceu a 6 de Junho de 1936, em Matalana, no sul de Moçambique.
Autodidacta. Criador multifacetado. É um dos artistas africanos mais conhecidos internacionalmente. E na arte encontrou diversas formas de expressão. Quer na dança ou na música, no teatro, na tapeçaria, na cerâmica e na escultura e claro está na poesia e na pintura, onde revela o vigor das suas raízes africanas. ”Sim às marrabentas/às danças rituais /que nas madrugadas /criam o frenesi /quando os tambores e as flautas entram a fanfarrar //fanfarrando até o vermelho da madrugada fazer o solo sangrar/em contraste com o verdurar das canções dos pássaros /sobre o já verduzido manto das mangueiras /dos cajueiros prenhes /para em Dezembro seus rebentos/dançarem como mulheres sensualíssimas/em cada ramo do cajual da minha terra (…). Letras do próprio que revelam a presença da arte na sua vida. Uma poesia que é também pintura.
Andreia Catarina Lopes
“Foi voluntário fazer uma peça que não se pinta”
Para falar da paz, diz que não podia utilizar as tradicionais pombas, isso não lhe bastava. “Quando falo na paz, não falo nos elementos figurativos, falo no fazer esta peça e entregar ao Barreiro, que simboliza entregar a Portugal”, justifica. E a cor “branco em branco e não a preto e branco” dá-lhe essa força, ao que comenta: “foi voluntário fazer uma peça que não se pinta”. Quando colocada no local espera que a luz, o sol e as sombras também se conjuguem e se unam ao trabalho. E até na disposição das peças diz haver simbolismo, as peças são colocadas costas com costas ”como se fossem pessoas que se zangam e se recusam”, mas que “se ligam, sem se desprenderem”. “Como na amizade”, comenta.
Ficou “enamorado do Barreiro” em 1971
Como artista diz ser “uma honra muito grande” ter sido convidado para fazer um trabalho num local em que diz ter vindo pela primeira vez em 1971 e em que diz ter ficado “enamorado". Uma terra que diz ser “um lugar de muita força”. E nessa sua primeira presença diz que a sensibilidade apurada lhe disse que um dia ainda havia de trabalhar no Barreiro. E assim acontece. E desejou: “Que a obra fique nas mãos dos de hoje e dos futuros dirigentes, que são as nossas crianças” e nesse desejo, expressou ainda a sua vontade de vir a trabalhar no Barreiro num projecto com crianças.
A obra “é trazida por Moçambique e não por Malangatana”
Na conversa, não deixava de falar no seu colega Firmino que o está a ajudar no trabalho, agradecendo a “sua grande companhia” e expressando: “tem tido um trabalho louco com as minhas loucuras” e logo corrigiu” uma loucura bonita para nós.” De raízes moçambicanas, não deixou de sublinhar que a obra “é trazida por Moçambique e não por Malangatana” e acrescentou: “Nós, os moçambicanos, sentimo-nos felizes por isso. Porque Moçambique sabe que estamos aqui a trabalhar para fazermos uma obra no Barreiro”. E fazendo menção ao laço entre os países, disse que é difícil dizer que Portugal é “no estrangeiro”: “oficialmente é estrangeiro, mas em termos de coração é complicado”.
“O Malangatana está no Barreiro e a trabalhar connosco numa obra do outro mundo”
“O Malangatana está no Barreiro e a trabalhar connosco numa obra do outro mundo”, de uma “beleza excepcional”, referia o presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Carlos Humberto, num encontro com o artista plástico e adiantava: “Para a Câmara Municipal do Barreiro (CMB) é uma honra termos cá o mestre a trabalhar e é uma honra para o Barreiro ter um trabalho desta qualidade”. Um elemento que diz que vai “marcar o Barreiro” no presente e no futuro “pela qualidade artística, pelo trabalho e pela dimensão”. Sublinhou ainda que a obra se integra num protocolo de cooperação assinado com a Multi Mall, empresa que gere o Forum Barreiro “que assume uma parte muito significativa dos custos desta escultura”, sublinhou. Por sua vez, a vereadora Regina Janeiro, responsável pelo Departamento de Acção Sócio-Cultural (DASC) da CMB, referiu que “O Barreiro vai ficar culturalmente mais rico” pela obra de “um artista de projecção mundial como o mestre” e pela própria presença do artista nas ruas do Barreiro.
12 Painéis de várias dimensões compõem a obra
Depois de projectado e desenhado o esboço, Malangatana encontra-se agora a desenhar sobre a pedra, que está a ser esculpida. A obra é composta por 12 painéis de várias dimensões, integrando 98 peças, tendo a maior nove metros.
Artista que na arte revela o vigor das suas raízes africanas
Pintor moçambicano, Valente Malangatana Ngwenya nasceu a 6 de Junho de 1936, em Matalana, no sul de Moçambique.
Autodidacta. Criador multifacetado. É um dos artistas africanos mais conhecidos internacionalmente. E na arte encontrou diversas formas de expressão. Quer na dança ou na música, no teatro, na tapeçaria, na cerâmica e na escultura e claro está na poesia e na pintura, onde revela o vigor das suas raízes africanas. ”Sim às marrabentas/às danças rituais /que nas madrugadas /criam o frenesi /quando os tambores e as flautas entram a fanfarrar //fanfarrando até o vermelho da madrugada fazer o solo sangrar/em contraste com o verdurar das canções dos pássaros /sobre o já verduzido manto das mangueiras /dos cajueiros prenhes /para em Dezembro seus rebentos/dançarem como mulheres sensualíssimas/em cada ramo do cajual da minha terra (…). Letras do próprio que revelam a presença da arte na sua vida. Uma poesia que é também pintura.
Andreia Catarina Lopes

















