Margarida Teixeira no Rotary Club do Barreiro“Não é o Centro de Emprego que cria emprego, quem cria é a sociedade e as empresas"
Na passada segunda-feira, dia 6 de Abril, realizou-se na reunião do Rotary Club do Barreiro uma palestra proferida por Margarida Teixeira, directora do Centro de Emprego e Formação Profissional do Barreiro, com o tema: “Medidas activas de Emprego”, uma iniciativa conjunta com o Rotary Club da Moita. Uma palestra bastante interventiva, em que perante a apresentação dos programas do Governo criados no início do ano, os presentes solicitaram esclarecimentos e não deixaram de manifestar algumas preocupações com a actual situação das pequenas e médias empresas.
Margarida Teixeira referiu que o concelho do Barreiro foi, dos concelhos da Delegação Regional de Lisboa e Vale do Tejo, o que teve um crescimento mais elevando ao nível do desemprego, com um acréscimo de 12,5 por cento, no primeiro trimestre de 2009. E disse estarem inscritos no Centro do Barreiro cerca de 5.900 desempregados, dos quais 80 por cento recebem subsídio de desemprego ou subsídio social de desemprego.

Por Jornal Rostos
Acréscimo de 12,5 por cento de desempregados no Barreiro no primeiro trimestre de 2009
Margarida Teixeira é a actual directora do Centro de Emprego e Formação Profissional do Barreiro e na palestra nos Rotary falou de “Medidas activas de Emprego”, um tema que disse ser pertinente: “face à crise que atravessamos, numa altura em que o trabalho escasseia”. Quanto ao concelho do Barreiro, referiu que, ao nível dos concelhos da Delegação Regional de Lisboa e Vale do Tejo, foi o que teve um crescimento mais elevando ao nível do desemprego, falando de um acréscimo de 12,5 por cento, no primeiro trimestre de 2009, que começou “logo em Dezembro”. No Centro de Emprego do Barreiro diz estarem inscritos cerca de 5.900 desempregados, dos quais 80 por cento recebem subsídio de desemprego ou subsídio social de desemprego. Referiu ainda que houve um acréscimo de solicitações para o rendimento mínimo de inserção, o que diz traduzir a existência de “um conjunto de famílias que estão com problemas muito graves para fazer face aos seus créditos”.
“Não é o Centro de Emprego que cria emprego, quem cria é a sociedade e as empresas”
Sublinhando que “não é o Centro de Emprego que cria emprego, quem cria é a sociedade e as empresas que vão criando novos postos de trabalho”, na sua intervenção, falou em alguns dos programas para as empresas, criados pelo Governo no início do ano, que diz surgirem “para fazer face à crise do emprego” e que visam “criar condições para reduzir o desemprego”. E sublinhou que as suas candidaturas têm de ser feitas pela Internet, através do endereço: http://www.emprego2009.gov.pt/.
O “programa por excelência para as empresas usufruírem para poderem fazer novas contratações”
Na medida de apoio à contratação de jovens desempregados de longa duração e de públicos específicos, diz ser o “programa por excelência para as empresas usufruírem para poderem fazer novas contratações” e que passa por apoios às empresas que celebrem contratos sem termo com desempregados de longa duração, através da isenção do pagamento das contribuições para a segurança social, a cargo da entidade empregadora.
Outros programas
Falou ainda no apoio à contratação a termo de trabalhadores mais velhos e de públicos específicos; do apoio ao emprego em micro e pequenas empresas, que permite a redução de três por cento da taxa contributiva aos trabalhadores com 45 ou mais anos e do apoio à redução da precariedade do emprego nos jovens, através da isenção do pagamento das contribuições para a segurança social a empresas que celebrem contratos sem termo com jovens até aos 35 anos. Falou ainda de estágios. Os Estágios Profissionais, que diz existirem desde 1998, e por isso são designados de “tradicionais”. Dos Estágios InoveJovem para empresas em áreas inovadoras ou de tecnologia, assim como os Estágios de Qualificação-Emprego, que têm em vista a inserção ou reconversão de desempregados. E falou também do Programa de Apoio ao empreendedorismo e à criação do próprio emprego, cujos projectos diz que vão ser analisados pela banca.
Criação dos seis Gabinetes de Inserção Profissional no Barreiro e Moita - “postos avançados do Centro de Emprego”
A directora do Centro de Emprego do Barreiro, sublinhando que em relação aos programas apresentados, “a última palavra na escolha dos trabalhadores é do empregador”, não deixou de realçar: “Mas não pensem que ir buscar uma pessoa ao rendimento social de inserção é ir buscar alguém sem competências”. Falou nos seis Gabinetes de Inserção Profissional que vão ser criados, três no Barreiro e três na Moita, que vão ser instalados nas Juntas de Freguesia e que serão “postos avançados do Centro de Emprego”, sublinha. Espaços que considera pertinentes por estarem mais próximos da população e das empresas e por, de alguma forma, permitirem libertar alguma parte do atendimento no Centro, ao que referiu que no primeiro trimestre de 2009 “o Centro de Emprego atendia 380 pessoas por dia”. O que diz ser excessivo, para um serviço que diz ter perdido quatro funcionários há cerca de um ano.
Palestras com empresas para “garantir que todo o tecido social económico tenha as ferramentas e os meios para poder e minimizar os impactos do desemprego”
Margarida Teixeira sublinhou ainda que a palestra se assemelhava às sessões com empresas, uma medida levada a cabo pelos Centros de Emprego, com o objectivo de “garantir que todo o tecido social económico tenha as ferramentas e os meios para poder decidir e apoiar o país num momento difícil e minimizar os impactos do desemprego”. E adiantou ainda que decorrente de um protocolo assinado entre as autarquias e as IPSS, permitiu para os concelhos da Moita e do Barreiro, a criação de 200 postos de trabalho, não deixando de referir que 120 são programas operacionais.
Tratou-se de uma iniciativa bastante interventiva, em que muitas questões surgiram. Em que os presentes solicitaram esclarecimentos e não deixaram de manifestar algumas preocupações com a actual situação das pequenas e médias empresas e do comércio local, em que se alguns ponderam encerrar a sua actividade e têm alguma dificuldade em aceitar desafios e em apostar na formação de mais profissionais e expressavam que essa preocupação deveria ter vindo há mais anos atrás. Falou-se ainda das diferenças entre emprego e ocupação e na importância da formação dos trabalhadores, assim como de os cursos serem mais adaptados à realidade do trabalho. E numa conversa em que se falava de medidas para combater o desemprego, falou-se de áreas em que parece haver falta de profissionais, como na metalomecânica, na qual a aposta na formação é essencial.
Andreia Catarina Lopes













