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Perspectivas

Sessão pública no Barreiro sobre Serviço Nacional de SaúdeA importância na aposta nos cuidados primários

Criação das Unidades de Saúde Familiar (USF) é um “passo positivo”

Na saúde “politizar é importante, partidarizar é péssimo”

No passado dia 7 de Abril, Dia Mundial da Saúde, realizou-se na Cooperativa Cultural Popular Barreirense, uma sessão pública relativa ao tema: “Serviço Nacional de Saúde –o pretendido e as propostas”, uma iniciativa da Frater e da Cooperativa. Com a opinião unânime dos quatro partidos presentes na iniciativa, de que o Serviço Nacional de Saúde foi uma medida importante trazida no pós 25 de Abril, defendeu-se para a sua melhoria a aposta nos cuidados primários, através da criação de Unidades de Saúde Familiar, assim como numa melhor articulação entre os hospitais e cuidados primários e da criação de enfermeiros de família.

O moderador da sessão referiu ainda que a iniciativa não contava com a participação do público, o que acabou por causar algumas contestações nos presentes que se mostravam interessados em colocar questões e em participar.

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Sessão pública no Barreiro sobre Serviço Nacional de Saúde A importância na aposta nos cuidados primários

Por Jornal Rostos

O moderador da sessão, João Nunes Feijão, sublinhou no início da sessão que se tratava de uma iniciativa diferente das que têm sido promovidas pela Associação Clínica Frater, uma vez que foram convidados elementos de cada força partidária com representação autárquica no Barreiro. Assim, estiveram na mesa: Mário Durval, do Bloco de Esquerda (BE); Ana Teresa Xavier, do Partido Social Democrata (PSD); Carlos Moreira, do Partido Comunista Português (PCP) e António Viegas, do Partido Socialista (PS).

Criação das Unidades de Saúde Familiar (USF) é um “passo positivo”

Mário Durval, do BE, começou por reforçar a importância do Serviço Nacional de Saúde (SNS), referindo que a sua evolução “é uma questão decisiva para o desenvolvimento do país”. Recordou o seu surgimento em Portugal, depois do 25 de Abril e referiu que a criação dos Centros de Saúde e de hospitais concelhios “colocou Portugal numa posição positiva em relação ao serviço de saúde”. Mas quando olha para o presente, manifesta-se crítico quanto ao facto de ser “um serviço agora ‘tendencialmente gratuito’” e fala de “promiscuidade entre o SNS e os serviços privados”, considerando ainda que “teoricamente fala-se da prioridade dos cuidados primários, mas em termos práticos a prioridade sempre foi em torno das questões secundárias”. Considera que a criação das Unidades de Saúde Familiar (USF) são um “passo positivo” do Governo e entende que se se conseguir “distribuir por todo o território, será uma resposta bastante razoável”.

Na saúde “politizar é importante, partidarizar é péssimo”

Ana Teresa Xavier, do PSD, referindo que a saúde é “algo de transversal às sociedades e que traduz o grau de desenvolvimento de uma população”, entende que a criação do SNS foi “um dos passos mais importantes no pós 25 de Abril”. Quanto ao presente, entende que “não existe uma carta hospitalar adequada às populações”, nomeadamente no interior do país, nos equipamentos diz também haver falhas e considerou: “temos uma política do medicamento que ninguém percebe muito bem e é de qualidade duvidosa”. E lança a critica: “não temos recursos suficientes no público porque está a ser esvaziado de forma selvática para o sector privado” e considera que é preciso “uniformizar-se o SNS como se fez no início”, através de uma cobertura universal, na aposta na prevenção e reabilitação e realçou ainda a importância de se aproveitar a tecnologia da informação, dando o exemplo da telemedicina. E entende que na saúde “politizar é importante, partidarizar é péssimo”.

Melhoria do serviço de saúde passa por uma melhor articulação entre os hospitais e cuidados primários

Do PS, António Viegas considera que: “temos melhores hospitais, bons equipamentos e bons profissionais” e que a melhoria do serviço de saúde passa essencialmente por uma melhor articulação entre os hospitais e centros de saúde e pela aposta nos cuidados de saúde primários, através da criação de USF e Centros de Saúde, um caminho que entende que tem vindo a ser feito ao longo dos 30 anos. Considera ainda que “os hospitais não devem ser o primeiro recurso que a população tem para cuidar das suas necessidades mais importantes”. Defende a aposta na promoção da saúde, através da dinamização de estilos de vida saudáveis junto das populações; na prevenção da doença, ao que expressou: “muito foi feito” e dá como exemplo a redução da taxa de mortalidade infantil; e no tratamento e na reabilitação.

Defesa do SNS “universal, gratuito, com gestão eficiente, participada e descentralizada”

Do PCP, Carlos Moreira referiu que as peças chaves para o funcionamento do SNS passam por ser “universal, gratuito, com gestão eficiente, participada e descentralizada”. Criticou o facto de o serviço ter passado a “tendencialmente gratuito”, entendendo que “as taxas moderadoras, só têm o nome de moderadoras”. Considera que o serviço continua a ser deficitário na prevenção da doença e na reabilitação e que as “carreiras dos médicos têm vindo a ser desvirtuadas, o que não leva à progressão justa”. E não deixou de criticar o facto de ainda não ter sido construído um Centro de Saúde do Alto do Seixalinho e do “facto de o Seixal não ter um hospital”.

“Não faz sentido criar-se em dez minutos de caminho, outro hospital”

Quanto ao futuro do sistema de saúde na península de Setúbal, tendo como contexto a construção de novas infra-estruturas e do projecto do Arco Ribeirinho e as transformações previstas, Mário Durval entende que a melhor opção não passa pela construção de novos hospitais, ao que sublinha “quando ainda temos as potencialidades dos hospitais existentes que podem ser rentabilizadas” e acrescenta: “o nosso próprio hospital do Barreiro não tem aproveitado todas as suas instalações”, ao que refere que das 502 camas, apenas 300 estão a funcionar. Entende também que a construção da Ponte Barreiro/Seixal vem reforçar essa ideia: “não faz sentido criar-se em dez minutos de caminho outro hospital”. Opinião que partilha António Viegas, que referiu que o Hospital do Barreiro tem capacidade para dar “uma resposta mais alargada quer dentro da localidade, quer a outras localidades”, o que entende que com a nova ligação ao Seixal é reforçado e que a sua capacidade possa ser desenvolvida e aproveitada. Por sua vez, Mário Durval, entende, que a criação do Centro Hospitalar Barreiro/Montijo e que o desenvolvimento de instalações de cuidados primários vão permitir libertar as urgências dos hospitais e trazer melhoria à prestação dos cuidados de saúde.

Análise “swot” ao Hospital do Barreiro

Ana Teresa Xavier entende que com a deslocalização do centro do país para o Barreiro, a cidade passa “de uma terra terminal, a central” e nesse âmbito, traçou uma breve análise “swot” ao Hospital do Barreiro, que diz ser “ a maior empresa do concelho”. Falou dos pontos fortes do hospital, que diz passarem pela sua localização geográfica; dos pontos fracos, referindo que existe “um grupo fidelizado à casa mas não por muito tempo”. Quanto a oportunidades, fala na complementariedade com outros hospitais, que permita a criação de pontos de excelência e especialização. Referiu ainda que o hospital dispõe de “um equipamento único de radioterapia” e como ameaça diz ter sido o facto de ter estado dois anos em gestão corrente. Quanto ao Centro Hospitalar Montijo/Barreiro, queixa-se de falta de informação.

PCP defende construção do Hospital do Seixal

Carlos Moreira considera que a construção de novas acessibilidades, como a ponte Barreiro/Seixal, não condiciona a construção de um hospital no Seixal, o que diz defender o PCP. Referindo que o “Hospital Garcia da Orta está esgotado” e que a “assinatura de 60 mil assinaturas” a reivindicar essa valência deverá ser escutada, defendeu: “necessitamos de mais profissionais de saúde com uma melhor distribuição para distribuir para esse hospital”, que diz que também irá servir a população de Sesimbra. E quanto ao Centro Hospitalar Montijo/Barreiro, defende que ao ser feito “tem de ser pensado e gerido pelo Estado”.

Futuro do SNS “não passa pelas grandes unidades hospitalares”

Quanto ao futuro do SNS, Mário Durval diz não passar “pelas grandes unidades hospitalares” e defendeu a aposta nos cuidados primários e a sua personalização, através do reforço da cumplicidade na relação terapêutica, assim como o desenvolvimento da cidadania no contacto com os serviços, o que entende ser um passo muito importante, promovendo o sentimento de esclarecimento, de modo a que o “cidadão possa participar nas decisões que lhe dizem respeito”. E não deixou de falar na criação de enfermeiros de família.

A sustentabilidade do sistema

Em relação à sua sustentabilidade, Mário Durval defende a estrutura empresarial EPE e Ana Teresa Xavier entende que face aos problemas de custos do SNS, a parceria público-privada é também o caminho mais indicado. Por sua vez, António Viegas defendeu uma gestão empresarial moderna para as unidades de saúde “desde que os ganhos de eficiência equivalham aos ganhos de saúde e que a tutela seja do Estado”. E Carlos Moreira considerou que “as parcerias público-privadas no momento podem ajudar o SNS” mas adverte “o essencial é que o Estado invista e cria as suas próprias unidades de saúde”, entendendo que “compete ao Estado a promoção da saúde e a criação de melhores condições de saúde.”

Numa sessão em que se falava de uma questão tão importante, como a saúde e perante o facto de não haver a participação do público, algumas pessoas da plateia não deixaram de manifestar o seu descontentamento.

Andreia Catarina Lopes

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