Assembleia Municipal do BarreiroReprovada proposta do BE de realização de Sessão Extraordinária comemorativa do 25 de Abril
O presidente da Câmara Municipal do Barreiro, questionou os argumentos do deputado do Bloco de Esquerda, por aquele deputado, considerar que é o órgão Assembleia Municipal quem melhor representa o 25 de Abril.
“Porquê? Nós, não fomos eleitos pela população? Não foi essa uma das conquistas do 25 de Abril? Porque é que há um órgão que tem mais peso que outro? É porque o Bloco de Esquerda está eleito na Assembleia Municipal e não está na Câmara? É essa razão?” – foram várias interrogações colocadas pelo autarca.

Por Jornal Rostos
No ponto antes da ordem do dia na reunião da Assembleia Municipal do Barreiro, realizada na sexta feira à noite, no Auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro, foi marcado com a apresentação de moções e saudações ao 25 de Abril e 1º de Maio, foram todas aprovadas por unanimidade, com excepção de uma proposta do Bloco de Esquerda, sobre a realização de uma Sessão Extraordinária Comemorativa da Assembleia Municipal do Barreiro, no dia 25 de Abril, que foi reprovada pelo PCP/CDU, contou a abstenção do PSD e com os votos favoráveis do PS e BE.
Não gostaríamos de votar contra
Foi, Humberto Candeias, BE, que apresentou a proposta no sentido de se realizar uma Sessão Extraordinária da Assembleia Municipal do Barreiro, no dia 25 de Abril, comemorativa da efeméride.
Rui Ferrugem, PCP/CDU, expressou a sua concordância com a realização de iniciativas autónomas da Assembleia Municipal, tal, como aconteceu nas comemorações do 20º aniversário do 25 de Abril, com a colaboração de Jorge Fagundes/PS e Mendes Costa/PSD.
Sublinhou que estando a favor da realização de uma iniciativa com estas características, este ano, com as acções do programa já agendadas – “o programa já está feito” – seria difícil concretizar a proposta.
“Não gostaríamos de votar contra” – referiu, solicitando ao BE que retirasse a proposta, dado que não se trata de “fazer uma discussão de querer ou não querer fazer”, porque não há “nada que nos divida sobre o 25 de Abril”.
Este órgão é aquele que exprime a pluralidade
Humberto Candeias, BE, referiu que “é compreensível a situação” de não estar preparada a participação da Assembleia Municipal do Barreiro nas comemorações – “o problema é esse não se ter pensado uma sessão”.
“Este órgão é aquele que exprime a pluralidade das posições políticas que mais se identifica com esse evento do 25 de Abril” – sublinhou Humberto Candeias, nesse sentido considerou importante a realização de uma cerimónia que envolvesse a Assembleia Municipal do Barreiro.
“Tínhamos alguma esperança que a CDU pudesse propor um evento do 25 de Abril pela Assembleia Municipal” – salientou, recordando que esse convite já tinha sido feito – “mas não pegou”.
Não será pelo PS que ela não se realizará
João Pintassilgo, PS, referiu que – “entendemos os argumentos defendidos quer pela CDU, quer pelo BE, como não é caso único, pois há várias Assembleias Municipais que reúnem para comemorar o 25 de Abril, naturalmente não será pelo PS que ela não se realizará”.
Joao Raio, presidente da Junta de Freguesia de Santo André comentou – “Eu venho e for de borla”.
João Pintassilgo sublinhou que sobre pagamentos - “O PS abdica já”.
Não temos a opor que seja um acto simbólico
Miguel Amado, PSD, teceu criticas à moção do Bloco de Esquerda, sobre o 25 de Abril, e a proposta, na sua opinião existe contradição, sobre o significado do 25 de Abril, porque refere que “é ter coragem de mudar contra os interesses instalados” e os adjectivos como “não pegou”.
O PSD considera que a proposta do BE de realização da Assembleia “é pertinente”, acrescentando “não temos a opor que seja um acto simbólico”, porque não é caso único no país.
Miguel Amado, comentando o pagamento de senhas de presença aos deputados municipais, expressou a sua concordância e recordou que, sobre esta matéria, que o PSD já apresentou uma proposta de não pagamento das sessões de continuidade – “se há tanta sensibilidade porque não se satisfaz essa proposta.”
É na rua que se fazem as comemorações
Frederico Pereira, PCP/CDU, sublinhou que “estamos a favor de todas as comemorações e sessões solenes do 25 de Abril”, acrescentando que “é na rua que se fazem as comemorações do 25 de Abril”.
Sobre a proposta de realização de uma Sessão Comemorativa do 25 de Abril, pela Assembleia Municipal, referiu que é – “extemporâneo que seja feita a proposta”, quando todo o programa está elaborado ao nível concelhio e nas freguesias.
Não há nenhuma sessão da Assembleia Municipal
Humberto Candeias, BE, referiu que não existia ideia que a sessão a realizar fosse com o pagamento de senhas.
“É um encontro solene da Assembleia que coloque o arco íris das forças politicas a serem também actores do 25 de Abril. Sei que há muitas iniciativas, mas não há nenhuma da Assembleia Municipal” – sublinhou.
Não considero o órgão Câmara Municipal diminuído em relação ao órgão Assembleia
O Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Carlos Humberto, referiu se decorrer uma sessão da Assembleia Municipal no dia 25 de Abril, não podia estar presente dado que já tem a sua agenda completamente preenchida, com as diversas actividades que estão programadas, sublinhando que tal não significava menos respeito pelo órgão Assembleia Municipal.
“Não considero o órgão Câmara Municipal diminuído em relação ao órgão Assembleia Municipal, já que o órgão Câmara Municipal tem o mesmo direito que a Assembleia Municipal de comemorar o 25 de Abril.” – sublinhou.
“Considero que é, até, ofensivo que um deputado da Assembleia Municipal ponha em causa o equilíbrio de poderes que está estabelecido na Lei” – salientou o presidente da Câmara Municipal do Barreiro.
Desagrado pelo tipo de argumentação que foi utilizada pelo Bloco de Esquerda
Na sua intervenção questionou porque razões o deputado do Bloco de Esquerda considera que é o órgão Assembleia Municipal é o que melhor representa o 25 de Abril.
“Porquê? Nós, não fomos eleitos pela população? Não foi essa uma das conquistas do 25 de Abril? Porque é que há um órgão que tem mais peso que outro? É porque o Bloco de Esquerda está eleito na Assembleia Municipal e não está na Câmara? É essa razão?” – foram várias interrogações colocadas pelo autarca.
“Eu quero manifestar o meu desagrado pelo tipo de argumentação que foi utilizada pelo Bloco de Esquerda, que, não considero que seja uma argumentação contra o presidente da Câmara, mas considero que é uma argumentação contra a Câmara.” – disse, referindo que esta era uma “argumentação injusta” para todos os eleitos das Câmaras Municipais deste país.
O presidente não percebeu o que eu disse
Humberto Candeias, BE, referiu que “o presidente não percebeu o que eu disse”, e sublinhou “que todos os órgãos devem estar nas comemorações do 25 de Abril, acrescentando que “a Câmara Municipal do Barreiro tem toda legitimidade”.
No entanto, considerou que a Assembleia tem uma representação “peculiar”, muito própria “onde estão representadas todas forças políticas do concelho”.
Desmoronamento do mito da omnisciência do Mercado
A saudação apresentada por Frederico Pereira, PCP/ CDU, sublinha que comemorar o 25 de Abril “traduz o apego e vitalidade que o ideário democrático mantém, pelo que trouxe de concreto na instauração das liberdades, na soberania nacional, na elevação das condições de vida do povo, na política de amizade e paz entre os povos”.
A saudação sublinha o contexto actual de “crise generalizada” fruto do desmoronamento do “mito da omnisciência do Mercado”.
Salienta-se para que “nada continue na mesma, é necessário manter o espírito aberto à assunção de novos paradigmas comportamentais e políticos”.
A saudação foi aprovada por unanimidade.
Agir contra a corrupção e a injustiça social
Humberto Candeias, BE, apresentou uma saudação sublinha que “não podemos deixar de constatar que se encontram por cumprir muitos dos seus ideias”, acrescentando que a “a actual famosa crise” cerceia condições para o exercício de direitos adquiridos com a revolução e “constitui um argumento perigoso para ávida democrática iniciada há 35 anos”.
Refere o BE que estar à altura do 25 de Abril, “obriga-nos a agir hoje contra a corrupção e a injustiça social”.
Para o BE cumprir o 25 de Abril “é ter a coragem de mudar e agir contra os interesses instalados”.
A saudação foi aprovada por unanimidade.
O trabalho dignifica o homem
Miguel Amado, PSD, apresentou uma saudação ao 25 de Abril e 1º de Maio, sublinhando que comemorar o 25 de Abril é “realçar as mudanças que o novo regime trouxe para Portugal e para os seus cidadãos: a Liberdade, o Poder Local Democrático; o Salário Mínimo Nacional, o Subsídio de Férias, o direito à Segurança Social, à Educação, à Saúde e a possibilidade para a entrada na Comunidade Europeia.
Por outro lado refere que comemorar o 1º de Maio “é lembrar que o trabalho dignifica o homem e integra-o na sociedade”.
A saudação foi aprovada por unanimidade.
Barreiro dê mais ênfase ao D de Desenvolvimento
João Pintassilgo, PS, apresentou uma moção sobre o 25 de Abril, referindo que “35 anos mudaram o ritmo e a ambição do nosso país e dos portugueses”.
Refere a moção que a Lei Constitucional “é garante incontestável do cumprimento das mais elementares regras democráticas”.
Acrescenta que “o aprofundamento da democracia” é “uma responsabilidade ainda da nossa geração para que os valores de uma sociedade humanista se mantenham como primeira referência”.
“Dos três DDD ( Democracia, Desenvolvimento, Descolonização) que foram assumidos como orientações estratégicas para a afirmação da nossa Democracia, é importante hoje que o Barreiro dê mais ênfase ao D de Desenvolvimento” – sublinha a moção, referindo a importância dos “projectos aprovados pelo Governo da República para a nossa região”, assim como a reconversão do Parque Empresarial da Quimiparque.
A moção foi aprovada por unanimidade.
Direitos continuam a não ser reconhecidos
Isidro Heitor, PS, apresentou uma saudação ao 1º de Maio, sublinhando que festejar o 1º de Maio é uma jornada de solidariedade com os trabalhadores de todo o mundo e um forte apoio aos que, “em pleno século XXI ainda lutam pelos mais elementares direitos sociais, políticos e sindicais, em países ou regiões onde continuam a não ser reconhecidos ou garantidos”.
Por outro lado sublinha que festejar o 1º de Maio é “lutar por salários e pensões dignas, contra o desemprego, pelo emprego com qualidade, pela valorização do trabalho, pela qualificação dos trabalhadores, pela justiça social e fiscal e pela solidariedade internacional”.
A moção foi aprovada por unanimidade
S.P.













