16.ª Reunião Plenária do CLASB - BarreiroNecessidade de maior envolvimento e troca de informação
Na sua intervenção, o presidente da Câmara Municipal do Barreiro, disse que o CLASB é um “órgão essencial”, defendendo que “se trabalharmos em conjunto e em rede, vamos mais longe e alcançamos mais objectivos”.

Por Jornal Rostos
Na 16.ª reunião do Conselho Local de Acção Social (CLASB), foi aprovada a adesão do Clube Desportivo “Os Trovões”, que procura dinamizar e sensibilizar a população para o desporto adaptado e também prestar informações aos cidadãos portadores de deficiência. Foi aprovada também a escolha deste clube para representar o CLASB no Conselho Municipal de Mobilidade. O CLASB passou assim a ter 71 instituição e a grande questão que se focou na reunião foi a necessidade de haver maior troca de informação entre si.
Diagnóstico Social do Concelho do Barreiro previsto de estar concluído em Julho
Na reunião foi feito o ponto de situação do Diagnóstico Social do Concelho do Barreiro. Armando Gomes, técnico do Departamento de Acção Sócio-Cultural (DASC) da Câmara Municipal do Barreiro (CMB), referiu que o diagnóstico, que começou a ser feito no segundo semestre de 2008, está “bastante avançado” e que procura fazer um levantamento dos problemas sociais do concelho do Barreiro. Para levar a cabo esse trabalho, referiu que foram criados quatro grupos de trabalho que incidem em diferentes áreas, que vão desde a intervenção social; à integração social de grupos vulneráveis; passando pela formação/qualificação profissional e (des)emprego e pela qualificação e integração escolar. A recolha de dados quantitativos e qualitativos junto das instituições foi a base de trabalho. Refere ainda que o objectivo é que o diagnóstico esteja pronto para debate em Julho e que se pretende que “seja um processo participado”, ao que comentou: “o que depende de todos nós”.
Necessidade de maior envolvimento e troca de informação entre os parceiros do CLASB
Augusto Sousa, da RUMO, fez a apresentação das conclusões do trabalho em parceria do CLASB, um trabalho feito por um grupo de parceiros da Rede Social que teve início em Outubro de 2008. Como dificuldades, apontou a insuficiente informação do trabalho realizado por cada parceiro e a necessidade de maior envolvimento, assim como a insuficiência de uma cultura organizacional e de partilha das entidades e a insuficiente projecção do trabalho realizado para a comunidade. Enquanto vantagens, falou que se verifica maior participação e partilha de ideias, nomeadamente na apresentação de candidaturas; na conjunção e sistematização de actividades; nos diagnósticos mais partilhados e como desafios falou na edição de um Guia de Recursos, que diz estar quase terminado e de incorporar objectivos do CLASB no Plano de Actividades de cada entidade. Falou ainda na importância de a rede dispor de um site na Internet, que poderia estar ligado ao site da CMB, o que entendeu que “seria um ganho em termos de actividade dos diagnósticos”.
“Para que o CLASB possa dar um salto qualitativo é preciso dar um salto tecnológico”
Sobre as conclusões apresentadas, Armando Gomes, entendeu que “o CLABS deve caminhar para elaborar Planos de Acção concretos e definitivos” e falou da possibilidade de se realizarem memorandos de todas as iniciativas realizadas. Por sua vez, Mário Durval, membro do Grupo Executivo do CLASB, defendeu que face ao crescimento da rede, deve “encontrar-se formas mais simples de pôr o nosso Plano de Actividades e encontrar mais pontos em comum”. Margarida Teixeira, directora do Centro de Emprego e Formação Profissional do Barreiro, entendeu que “para que o CLASB possa dar um salto qualitativo, é preciso dar um salto tecnológico” e entendeu que o Pano de Actividades do CLASB é “fundamental” e que constitui o “caminho para o passe seguinte”.
Formação de equipas que trabalhem por territórios
Humberto Candeias, da Nós - Associação de Pais e Técnicos p/ a Integração do Deficiente, chamou a atenção para o facto de que o reforço do sentimento de pertença “não se fazer só com instrumentos mas através de realizações”. Já o presidente da Junta de Freguesia de Santo André, João Raio, chamou a atenção para a importância de se formarem equipas que trabalhem por territórios, estando mais próximos da população e percebendo assim as suas necessidades, à semelhança das Equipas de Cuidados Continuados, ao que Augusto Sousa acrescentou ser “fundamental o trabalho conjunto para se resolver o problema”.
Importante continuar a trabalhar com os meios de informação tradicional
Quanto às sugestões tecnológicas, a vereadora Regina Janeiro, responsável pelo DASC, chamou a atenção para a existência de analfabetos informáticos e que nem todos terem aceso à Internet e que é importante continuar a trabalhar com os meios de informação tradicional.
Grupo Concelhio para as questões dos Idosos
Do Grupo Concelhio para as questões dos Idosos, Paula Franco, referiu que em 2008 surgiram seis situações de risco, que levaram à intervenção deste organismo e referiu “para além destas seis, outras existiram, mas muitas das vezes as instituições dão a resposta de imediato”. Refere que “continua a haver uma lacuna de saber o que fazer e como fazer quando surgem essas situações de risco”, mas que o envolvimento de outros parceiros, como com a Segurança Social, Hospital e PSP são importantes nesse sentido. Para 2009 fala na necessidade de se definir intervenções e responsabilidades “para se perceber o que podemos esperar de cada um dos parceiros, para podermos dar uma resposta necessária a cada pessoa”. Diz estarem previstas várias acções de formação, quer para cuidadores formais, como a da Higienização das Mãos; quer para cuidadores informais, sobre “Como agir na dependência do seu idoso”. Referiu ainda que se vai realizar uma Acção de Formação de Informática para Idosos na Escola Secundária de Santo André (ESSA) que abrange 28 idosos.
Grupo de Trabalho Temático para a área da Deficiência e Saúde Mental
Do Grupo de Trabalho Temático para a área da Deficiência e Saúde Mental, Humberto Candeias falou do protocolo de articulação que está a ser elaborado por este organismo e que diz surgir para “tentar colmatar algumas dificuldades de as entidades se conhecerem e respondermos de forma mais efectiva aos problemas”. Um protocolo que estima que esteja concluído antes do Verão. Falou da candidatura da NÓS, em parceria com a CMB, ao POPH - Programa Operacional do Potencial Humano, para a construção de um Centro de Actividades Ocupacionais (CAO) e uma Estrutura de Residências Autónomas, o que diz ser uma grande necessidade na área, da população adulta com deficiência.
Grupo de Trabalho Temático para a Área da Toxicodependência
Do Grupo de Trabalho Temático para a Área da Toxicodependência, Helena Raposo sublinhou que o trabalho em rede permite a rentabilização de custos e referiu que o “trabalho na área das toxicodependências tem vindo um pouco a mudar”, ao que comenta: “neste momento estamos a ter pedidos de consultas de doentes alcoólicos com mais de 60 anos” e que, nesse âmbito, existe a necessidade de se desenvolverem iniciativas para ocupar os idosos que estão em tratamento e reinserção e que os cursos de informática são uma resposta positiva. Quanto ao balanço de trabalho, refere que se trata de um “grupo bastante participativo”, traçando um “balanço bastante positivo”, constituindo uma “mais valia para interagir na articulação das diversas entidades na área da toxicodependência no concelho”. Quanto a necessidade, falou de uma cantina social, ao que expressou: “como médica, vejo casos de pessoas com fome”, e que diz poder passar por uma unidade móvel equipada, que permita distribuir refeições quentes e apontou a falta de alojamentos temporários e falou no projecto de prevenção de consumo nas escolas, que irá ser feito em dois agrupamentos do concelho. Referiu ainda que a 15 de Maio se realiza um evento sobre “As dependências no contexto familiar”.
Emprego – criação de três Gabinetes de Inserção Profissional
Sobre as questões do emprego, Margarida Teixeira, directora do Centro de Emprego e Formação Profissional do Barreiro, informou que os três Gabinetes de Inserção Profissional no concelho do Barreiro vão ser criados na ESSA, no CATICA e na NÒS.
CLASB é um “órgão essencial”
Na sua intervenção, o presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Carlos Humberto, disse que o CLASB é um “órgão essencial”, que “deve acompanhar os efeitos da situação económica do país e do mundo e analisar em termos locais as consequências e procurar medidas para responder”. Entende que é “fundamental que as instituições não ajam por si só” e defende, por outra “a rentabilização de meios” e “a articulação das entidades”. Referiu que a autarquia do Barreiro está a fazer “um grande esforço para ajudar o Barreiro a sair da actual situação preocupante de perda de dinamismo económico, social e perda da população e de actividade económica e de emprego, e até de confiança”. E desse “esforço” diz começarem a surgir “alguns pequenos resultados”, ao que fala do Estudo Prévio do Plano de Urbanização da Quimiparque e Zona Envolvente ou da Terceira Travessia do Tejo. Questões que diz que vão trazer “profundíssimas modificações ao território” e que entende que “podem dar a nível social, condições para intervirmos”.
“Com a convicção de que se trabalharmos em conjunto e em rede, vamos mais longe e alcançamos mais objectivos”
A nível social referiu que para além da candidatura feita ao PROHABITA para a Quinta da Mina, para intervir ao nível do edificado, a autarquia está a estudar uma terceira candidatura para esse local aos Bairros Críticos. E falou ainda na candidatura entregue, no início de Março, de cerca de 7 milhões de euros ao QREN no âmbito de “Politicas de Cidade “Barreiro Vivo” - Parcerias para a Regeneração Urbana do Núcleo Antigo”, para a reabilitação do espaço público e de algum do edificado no Barreiro Velho. E fala ainda na importância de “apoiar instituições no Barreiro que prestem um serviço público relevante”. E sublinhou: “apesar da admissão da crise, não podemos perder a esperança, a convicção, a combatividade e a procura de soluções para responder aos problemas”, e acrescentou: “com a convicção de que se trabalharmos em conjunto e em rede, vamos mais longe e alcançamos mais objectivos”.
Andreia Catarina Lopes













