3.º Colóquio dos Jovens Filósofos da Escola Secundária de Casquilhos“Mostrar que a filosofia não é uma actividade desenraizada do quotidiano”
Pensar acerca da mortalidade, para encontrar o sentido da vida foi um dos temas debatidos hoje, no 3.º Colóquio dos Jovens Filósofos, que saiu do espaço da escola e encheu o auditório, da Biblioteca Municipal do Barreiro, de jovens, professores e pais.

Por Jornal Rostos
Sobre o projecto: “Colóquio dos Jovens Filósofos”, da Escola Secundária de Casquilhos (ESC), Maria Emília Santos, professora de Filosofia da escola, diz que a ideia surgiu há três anos atrás e que teve como impulsionador “uma certa crise que a filosofia estava a viver”, ao que expressa: “Havia até quem falassem em retirar a filosofia do ensino secundário”. E, nesse âmbito, recorda o surgimento, em 2007, de um movimento que visava alertar a comunidade para a necessidade de preservar o lugar da filosofia, que uniu intelectuais portugueses, professores de filosofia e profissionais das mais variadas áreas do saber, como António Lobo Antunes, Nuno Crato ou Mário Soares. E na ESC os professores de filosofia entenderam que a “melhor forma de mostrar como é que se podia trabalhar no quotidiano, com uma prática activa, a filosofia”, seria desafiar os jovens “a fazer essa experiência”. A tornarem-se filósofos. A reflectirem sobre as coisas. E o projecto tornou-se numa actividade extracurricular, inserida no programa de Filosofia, que envolve actualmente cerca de 30 alunos.
“Ultrapassou as expectativas porque não estávamos à espera que os alunos fossem tão receptivos”
Quanto ao primeiro colóquio que se realiza fora da escola, diz ser “para testar a receptividade das pessoas e ver até que ponto é que nós podemos, quem sabe um dia mais tarde fazer disto um projecto um pouco mais amplo”. E quanto ao balanço, refere que “os dois primeiros anos foram surpreendentes”, ao que realça: “ultrapassou as expectativas, porque não estávamos à espera que os alunos fossem tão receptivos à ideia, até mesmo enquanto audiência. Os auditórios estiveram cheios e o debate foi sempre muito interessante e estimulante.”
“É nos momentos de crise que a reflexão pode traduzir alguma coisa de válido para a cidadania”
Um projecto que diz surgir com o objectivo de “mostrar que a filosofia não é uma actividade desenraizada do quotidiano”, ao que acrescenta: “que tem uma dimensão prática e quotidiana na vida das pessoas e que os jovens podem começar por reflectir sobre questões filosóficas, que aparentemente são questões muito ecléticas e intelectuais, mas que contém uma componente prática”. Um objectivo que diz que nos dias que correm tem um significado mais forte, contribuído para a formação de cidadãos mais esclarecidos e participativos: “contrariamente ao que se possa pensar, é nos momentos de crise que os valores, o pensamento e a reflexão podem traduzir alguma coisa de válido para a cidadania”.
“A vida é um dom, deve ser construída da melhor forma possível”
E no 3.º Colóquio dos Jovens Filósofos, o livro do filósofo espanhol Fernando Savater, “As perguntas da Vida”, foi um dos textos que serviu de base para a apresentação de trabalhos dos alunos e consequente reflexão. E logo se aludiu para o papel da mortalidade, e da sua inevitabilidade, no encontro do sentido da vida e da sua realização. “Vivam a vida. Sejam felizes”, ou “A vida é um dom, deve ser construída da melhor forma possível”, foram algumas das conclusões/ensinamentos dos alunos.
Andreia Catarina Lopes













