Bloco de Esquerda – BarreiroTem havido um apagamento das referências do Tejo na vida do concelho do Barreiro
José Tribolet, presidente do INESC, na sua intervenção expressou a sua concordância com a ideia de criação do «Centro Cultural e Cientifico do Tejo», uma ideia que deve ser dinamizada com a comunidade, com as escolas, as associações, uma rede que seja capaz de “arquitectar a utopia”, tendo este «centro» uma visão múltipla e apontado “objectivos culturais, sociais” de forma a “gerir valor” que contribua para lhe dar sustentabilidade.
Humberto Candeias, deputado municipal do Bloco de Esquerda, no encerramento dos trabalhos, sublinhou que o Barreiro tem a sua identidade ligada ao Rio Tejo, mas ao longo dos tempos “tem havido um certo desencanto, um apagamento das referências do Tejo” na vida do concelho do Barreiro.

Por Jornal Rostos
No Auditório da Biblioteca a Comissão Concelhia do Barreiro do Bloco de Esquerda promoveu, hoje, um Seminário tendo como tema : “Os caminhos do Tejo”.
O seminário teve como objectivo proporcionar uma reflexão sobre o rio Tejo e efectuar uma abordagem de uma proposta de criação de um «Centro Cultural e Cientifico do Tejo».
Fornos de Biscoito não pertenciam ao concelho do Barreiro
António Ventura, historiador, recordou a importância económica da margem sul do Rio Tejo ao longo da história, referindo que que na época dos descobrimentos e da expansão portuguesa já foram detectados cerca de 37 moinhos de maré entre Mutela e Aldeia Galega, sendo que, só nas margens do rio Coina foram edificadas cerca de 24.
Na sua intervenção salientou que no território no território do antigo concelho de Ribatejo, que se estendia desde a Ribeira das Enguias a Oriente de Alcochete até ao Rio Coina, emergiram o concelho de Sabonha, com sede paroquial em Sabonha, hoje São Francisco, com os lugares de Aldeia Galega e Alcochete, e Alhos Vedros na parte ocidental, com sede paroquial em São Lourenço de Alhos Vedros.
Sublinhou, no entanto que “não se pode confirmar por enquanto que Alhos Vedros já era concelho nesta altura Séculos XIV/XV, mas existem referências ao concelho de Alhos Vedros, razão porque deveria já ser concelho.”
Os Fornos de Biscoito, existentes na Mata da Machada, na época dos Descobrimentos, sublinhou, “não pertenciam ao concelho do Barreiro”, dado que este não existia, estavam integrados no concelho de Alhos Vedros.
António Ventura deu relevo à ideia da importância económica e social da faixa ribeirinha de Coina a Alcochete, e sublinhou a importância de Coina como entreposto comercial que estabelecia a ponte entre Setúbal e Lisboa.
Recordou o historiador a importância de Coina, salientando que - "o espaço do concelho de Coina, não fazia parte do antigo concelho de Ribatejo, que chegava apenas próximo da Quinta da Ramagem."
Numa abordagem do estuário do Tejo não há Barreiro, há Arco Ribeirinho
José Augusto Batista, Biólogo, sublinhou que o “estuário do Tejo é mais Atlântico que Tejo” e que este “mar” se estende até Muge, sendo um sistema ambiental caracterizado por uma grande qualidade ambiental.
Na sua intervenção deu relevo à diversidade do eco-sistema do Tejo, com os seus esteiros e sapais, referenciando a sua importância na sustentabilidade ambiental, dado que libertam oxigénio e anulam o dióxido de carbono, sendo, igualmente um espaço de fruição natural para mais de 100 mil aves.
“O estuário do Tejo é o maior do ocidente da Europa” – sublinhou José Batista.
O biólogo defendeu a necessidade de mudança de paradigma na abordagem do eco-sistema do Tejo, referindo que deve existir, uma visão sistémica estruturante assente na criatividade, pró-actividade e sustentabilidade.
Na sua opinião uma politica de sustentabilidade não tem só a ver com o presente, mas deve ser encarada “enquanto solidariedade com futuras gerações”.
Na sua intervenção sublinhou a pressão que existe sobre o rio Tejo devido à concentrações urbanas, concentração industrial e recordou que apesar de estar em marcha a construção de uma ETAR intermunicipal que é importante, torna-se necessário que cada cidadão sinta que tem um papel pessoal na preservação da qualidade ambiental, evitando fazer do “Tejo um penico”.
José Batista, salientou que numa abordagem do estuário do Tejo, “não há Barreiro, há Arco Ribeirinho e uma cidade polinucleada”, defendendo que “tem que existir uma estratégia no contexto da Área Metropolitana de Lisboa”.
“As cidades do Arco Ribeirinho podiam dar um exemplo ao mundo. O Tejo podia ser um ícone e servir para damos um exemplo ao mundo” – sublinhou, recordando as vantagens ecológicas do Tejo e a importância de valorizarmos e preservamos a sua diversidade deste eco-sistema, quer ao nível da fauna, quer ao nível da flora.
Apostar num projecto sobre o estuário do Tejo que marque a diferença
José Tribolet, presidente do INESC, salientou a importância do Rio Tejo como um recurso fundamental, sobre o qual tem que existir uma “visão sistémica”, que é encontrada ao longo do eixo do tempo, na excelência da sua actividade económica.
Recordou que o Rio Tejo é a essência de uma “rede logística essencial”, com diversas valências, de transportes, ambiental, económica e social.
Na sua intervenção expressou a sua concordância com a ideia de criação do «Centro Cultural e Cientifico do Tejo», uma ideia que deve ser dinamizada com a comunidade, com as escolas, as associações, uma rede que seja capaz de “arquitectar a utopia”, tendo este «centro» uma visão múltipla e apontado “objectivos culturais, sociais” de forma a “gerir valor” que contribua para lhe dar sustentabilidade.
“Apostar num projecto sobre o estuário do Tejo que marque a diferença e que possa ser um exemplo mundial” – sublinhou.
Na sua opinião é possível desenvolver um “projecto bem feito, sério com ética”, quer aposte no turismo, num conceito multimodal de transportes, de desportos radicais, de educação activa, na valorização de uma rede de experiências.
Este projecto, salientou pode ser um contributo para que se cumpra o desígnio do Barreiro, partindo da sua realidade, na sua relação com o Tejo, “transformando o Barreiro numa plataforma de valorização do seu rio”.
“É importante a partir desta utopia criar redes e promover a criação de valor” – sublinhou.
José Tribolet salientou que o “Barreiro é uma comunidade histórica que quer, neste presente, tirar partido da sua história, das suas valências, para criar valor e para viver melhor”.
A importância do estuário do Tejo, como património ambiental
Na segunda parte do Seminário, José Caro Proença, referiu a importância do Tejo nas vivências do concelho do Barreiro, recordando que “o Barreiro nas céu do mar” e que a sua história esteve ao longo de séculos ligada ao mar, recordando a figura de Álvaro Velho do Barreiro.
José Caro Proença referiu a importância da cultura árabe e romana no desenvolvimento do território do Barreiro e o importante papel de Coina como interface entre o porto de Lisboa e o porto de Setúbal.
Lino Costa, biólogo, sublinhou a importância do estuário do Tejo, como património ambiental, e deu relevo à necessidade de serem potenciadas as sua condições naturais, numa época, onde, a resolução dos problemas climáticos são a prioridade da humanidade.
O Barreiro tem a sua identidade ligada ao Rio Tejo
Humberto Candeias, deputado municipal do Bloco de Esquerda, no encerramento dos trabalhos, sublinhou que o Barreiro tem a sua identidade ligada ao Rio Tejo, mas ao longo dos tempos “tem havido um certo desencanto, um apagamento das referências do Tejo” na vida do concelho do Barreiro.
O autarca sublinhou que o projecto do Arco Ribeirinho Sul que está a ser implementado pelo Governo “é um projecto positivo”, recordando que este projecto está sendo desenvolvido em articulação com as entidades dos diferentes concelhos.
Rosário Vaz, anunciou que no próximo dia 23 de Maio, na sede do Bloco de Esquerda do Barreiro, serão anunciados os candidatos aos órgãos autárquicos do concelho do Barreiro.
No final dos trabalhos o projecto de conclusões do Seminário foi apresentado por Sousa Pereira, Director do jornal “Rostos”.













