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Perspectivas

Moita - Núcleo Museológico João José da SilvaA “sala de visitas” da Baixa da Banheira

Projecto futuro – Um local para “dar vida às profissões”

Um estojo de barba de 1907. Uma cadeira centenária de barbeiro. A “pasteleira” que pertencia ao Cine Parque e um coral criado no lago do Parque Zeca Afonso, são alguns dos objectos que se podem encontrar no Núcleo Museológico João José da Silva. “Relíquias”, como lhe chama João da Silva, o impulsionador do espaço. Objectos que contam histórias, ao mesmo tempo que dão conta da história do tempo que passa.

Mas o núcleo, que é “a sala de visitas” da Baixa da Banheira, já se revela exíguo para o projecto que está estimado para o seu futuro. Um espaço para “dar vida às profissões”, pois já são muitos os objectos ligados a profissões, quer ao barbeiro, à costureira, ao corticeiro, ao serralheiro e a muitas outras.

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Moita - Núcleo Museológico João José da Silva A “sala de visitas” da Baixa da Banheira

Por Jornal Rostos

João José da Silva tem 71 anos, é o presidente da Assembleia de Freguesia da Baixa da Banheira e foi o impulsionador do Núcleo Museológico, ao qual deu o nome. Um espaço que surgiu há um ano atrás e que partiu de uma ideia já com mais de 20 anos, que foi amadurecendo e que resultou na vontade de um dos Grupos de Trabalho da Junta de Freguesia da Baixa da Banheira, que veio ao encontro do “gosto de guardar velharias” e de as mostrar. Foi inaugurado a 26 de Janeiro de 2008 e é um “projecto aberto a todos, com a pretensão de dotar a vila e o concelho de mais um espaço de cultura e salvaguarda do património colectivo”. João José da Silva recorda-se quando se questionava: “Se uma terra nova podia ter um Núcleo Museológico” e que a resposta assim surgiu: “Pode, desde que se envolvesse a população”. E assim foi. A população foi envolvida e os objectos começaram a chegar. Diferentes objectos. Cada um com uma história para contar e a fazer parte da história da civilização.

“Tudo o que está aqui pertence à comunidade”

“Tudo o que está aqui pertence à comunidade”, diz e os olhos tomam um brilho especial, muito vivo, quando fala nas “relíquias”, assim lhe chama, é o gosto pelo coleccionismo que o dita. Já são vários os objectos que ali se podem encontrar e o espaço já parece pequeno para os receber. “Quase todos os dias há uma peça nova”, conta João da Silva. Uma carteira antiga de escola. A exposição do ovo, de diferentes ovos, sob o título: “Do ovo sai a diversidade da vida”. E depois, noutro expositor, a ligação ao rio, bivaldes apanhados na zona ribeirinha, a par de um coral encontrado em 2005 no lago do Parque Zeca Afonso. E dos binóculos que ali se encontram, diz que chegaram ainda na semana passada, com uma história, ou não podia deixar de ser. “A C.U.F tinha uma adraga, que foi ao fundo, assim como estes binóculos e o filho do Capitão do comando da adraga veio aqui entregá-los”.

Projecto futuro – Um local para “dar vida às profissões”

O Núcleo Museológico da Baixa da Banheira, fica perto da Junta de Freguesia, e funciona também como o espaço da Comissão de Festas e armazém da Junta. Contendo assim três serviços diferentes. E já se revela exíguo para o projecto que está estimado para o seu futuro. Um local para “dar vida às profissões”. Pois já são muitos os objectos ligados a profissões, quer ao barbeiro, à costureira, ao corticeiro, ao serralheiro e a muitas outras. Mas para concretizar esse “Museu das profissões” é preciso um espaço maior. “Reivindicamos um espaço para este objectivo e vamos ter esperança”, expressa sobre o que entende ser “a sala de visitas” da Baixa da Banheira.

“O núcleo nunca tem um fim, vai sendo construído”

“O núcleo é como uma planta, uma árvore, ou o nascimento de uma criança, vamos tratando deles, para que se tornem fortes e saudáveis e um dia saberão retribuir”, é assim que fala no espaço, tal é o seu apego e sublinha: “o núcleo nunca tem um fim, vai sendo construído”. Um espaço que tem como símbolo uma balança: “é um espaço justo, em que se procura o equilíbrio entre o passado e o futuro”.

Andreia Catarina Lopes

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