Conferência sobre os direitos das crianças no Hospital do Barreiro“Enquanto houver uma criança vítima, terá de haver uma voz que se levanta”
Ana Abel, directora Clínica no Hospital do Barreiro, sublinhou a importância de se assinalar o Dia Mundial da Criança, que foi criado em 1950 pela ONU, e comentou: “Enquanto houver uma criança vítima, terá de haver uma voz que se levanta”.

Por Jornal Rostos
Na sua intervenção, a Alta Comissária da Saúde, Maria do Céu Machado, começou por sublinhar que “pensar nos direitos, é também pensar nos deveres”. E sobre os direitos da criança, realça o papel dos pais na sua defesa e implementação. Saúde. Educação. Protecção. O direito ao afecto. Segurança, foram alguns dos direitos a que se referiu. E ao mencioná-los, recordou a Convenção de 1989 sobre os Direitos da Criança e debruçou-se sobre alguns artigos, como o que define a idade da criança (dos 0 anos 18 anos); o direito de não ser separada da família; a proibição de qualquer forma de abuso e o direito a que a sua opinião seja ouvida.
Decréscimo da mortalidade infantil
Referiu ainda que a noção dos direitos das crianças começou a tomar forma no início do século XX, pois até então a criança era tida como “uma miniatura de adulto e propriedade dos pais”. Outra questão de que falou foi no decréscimo da mortalidade infantil que se acentuou também no século XX, o que conduziu ao aumento da esperança média de vida. Uma questão que considera que também se deveu ao surgimento dos antibióticos e melhoria da medicina, assim como do aumento da esperança de vida à nascença. Mas não deixou de alertar para o facto de esse número continuar alto nos países em vias de desenvolvimento, ao que fez menção à elevada taxa de mortalidade infantil em Angola. Pobreza, subnutrição, infecções, ausência de saneamento básico e dificuldade de acesso aos cuidados de saúde, foram factores que apontou como potenciadoras do aumento da mortalidade infantil.
“Um momento único no mundo” - famílias de quatro gerações.
Na sua conferência sobre os direitos da criança, chamou a atenção para os avanços na medicina e referindo “a gravidez não é o que era”, falou da possibilidade de às 15 semanas poder ver-se a mão da criança, de no 3.º trimestre, o seu rosto. “E o álbum de família começa na gravidez”, sublinhou. Referindo que o decréscimo da mortalidade infantil conduziu ao aumento da esperança média de vida, sublinhou que se assiste hoje a “um momento único no mundo” e que dis passar pelas famílias poderem reunir quatro gerações.
Problemas
A Alta Comissária da Saúde, sendo também presidente da Comissão Nacional de Saúde da Criança e Adolescente, não deixou de falar na saúde das crianças e dos adolescentes e alertou para os problemas que se podem desenvolver no âmbito do sono, por maus hábitos. E fez ainda menção ao surgimento de problemas, como a doença oncológica, que diz que tem aumentado nas crianças, a depressão infantil, o excesso de peso e também o que diz ser o baixo peso à nascença, quando abaixo dos 2,5 quilogramas e aponta o tabagismo como uma das principais causas desse problema e comenta: “as crianças que passam fome dentro da mãe têm tendência para desenvolver patologias de adulto”, ao que fala da diabetes, da hipertensão ou da obesidade.
“A doença crónica de todos os profissionais que cuidam das crianças deve ser o optimismo”
Referiu ainda que existe uma percentagem de 9,8 por cento de internamentos no primeiro ano de vida e chamou a atenção para a Carta da Criança Hospitalizada, preparada por várias associações europeias em 1988, em Leiden, e para o facto de uma criança não deixar de ser criança quando hospitalizada, devendo ter junto dela os pais e a terminar, pegando um pouco nas palavras de George Steiner, expressou: “A doença crónica de todos os profissionais que cuidam das crianças deve ser o optimismo”.
“Enquanto houver uma criança vítima, terá de haver uma voz que se levanta”
Ana Abel, directora Clínica no Hospital do Barreiro, sublinhou a importância de se assinalar o Dia Mundial da Criança, que foi criado em 1950 pela ONU, segundo uma proposta da Federação Democrática Internacional das Mulheres. Ana Abel realça a pertinência deste dia dedicado as crianças em todo o mundo, chamando à atenção para a salvaguarda da igualdade de oportunidades, e para a existência de crianças maltratadas, vítimas de abusos e comentou: “Por isso, enquanto houver uma criança vítima, terá de haver uma voz que se levanta”.
Convenção sobre os Direitos da Criança
Elisabete Gonçalves, directora do Serviço de Pediatria do Hospital do Barreiro, fez menção à data de 20 de Novembro de 1959, quando surgiu a "Declaração dos Direitos das Crianças". Um documento que diz ser “simples” e que contempla dez princípios “muito importantes” e que deu lugar à "Convenção sobre os Direitos da Criança", que em 1990 tornou-se lei internacional. “Um documento tão completo e perfeito mas que não é uma utopia”, sublinhou.
Exposição sobre o Dia Mundial da Criança
Inserida nas comemorações do Dia Mundial da Criança, o Hospital do Barreiro organizou uma exposição na entrada principal do Hospital, que vai estar patente até ao dia 15 Junho. Esta mostra tem como objectivo dar a conhecer à comunidade as actividades desenvolvidas na Sala de Actividades da Pediatria pelo corpo docente do Serviço, bem como as parcerias externas que trazem sorrisos às crianças internadas no Hospital. Esta exposição é composta por desenhos e trabalhos realizados pelas crianças no Serviço de Pediatria, bem como por diversas fotografias representativas das actividades desenvolvidas na Sala de Actividades.
No Serviço de Pediatria as crianças tiveram “um dia muito especial”. De manhã, pelas 10 horas, receberam a visita do palhaço do Programa “Saúde Brincando”, do Rotary Club do Barreiro e no período da tarde, realizou-se a Hora do Conto, promovida pela Biblioteca Municipal do Barreiro, e o corpo docente da Pediatria realizou actividades alusivas ao Dia Mundial da Crianças.
Andreia Catarina Lopes













