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Perspectivas

Escola de Jazz do Barreiro com António BrancoUma lição sobre Jazz em Portugal
- Festival de Cascais vai renascer

António Branco, no decorrer de uma conferência sobre o tema - «Jazz e media em Portugal», realizada pela Escola de Jazz do Barreiro, no âmbito do programa «A Cidade e a Música», sublinhou a importância do Festival de Jazz de Cascais e divulgou que – “O Cascais Jazz vai renascer”.

António Branco, salientou que o jazz tem “pujança em Portugal nos dias de hoje, há diversos festivais”, reconheceu o papel dos municípios que promovem festivais, mas, defendeu - “se, se juntassem podiam fazer um grande festival de jazz.

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Escola de Jazz do Barreiro com António Branco Uma lição sobre Jazz em Portugal - Festival de Cascais vai renascer

Por Jornal Rostos

No âmbito do programa «A Cidade e a Música» realizou-se uma conferência, subordinada ao tema : «Jazz e Media em Portugal», que teve como prelector convidado António Branco.
A iniciativa foi promovida pela Escola de Jazz do Barreiro.

Um delta de várias aculturações

António Branco recordou que o jazz é “uma forma híbrida do século XX”, com origem nos Estados Unidos, como resultado de “um delta de várias aculturações”.
Sublinhou a importância das “misturas culturais”, quer de povos colonizados, quer de povos colonizadores, nomeadamente, a influência da escravatura que transportou dezenas de milhares de seres humanos de África para as Américas.
António Branco, sublinhou que os «escravos» transportaram nas suas «mentes» os ritos, as tradições, músicas e danças –“ agarraram-se aos elementos estruturantes da sua cultura”.

Os negros recusaram gravar

António Branco, recordou que “o jazz nasceu na viragem do século, em Nova Orleães – “uma cidade de confluência e miscigenação de culturas”.
Salientou que “começou a chegar à Europa no período pós- I Guerra Mundial”.
Por outro lado, referiu que o primeiro disco de jazz foi gravado por brancos – “os negros recusaram gravar”.

História do Jazz em Portugal está por fazer

“A história do Jazz em Portugal está por fazer” – sublinhou António Branco.
Referiu que desde o início existiu uma atenção dos órgãos de comunicação social para com o jazz, embora, inicialmente, com alguma ironia e sarcasmo.
Diversos autores denegriam o jazz e ridicularizavam, expressando a surpresa pela “força dos ritmos de origem afro-americana”.
António Ferro, nos anos 20, em conferência que realizou no Brasil, defendeu o jazz, reconhecendo-o como “um novo modelo cultural”, tendo editado um livro – “A Idade do Jazz Band, em 1924.

Estado Novo não morria e amores pelo jazz

No entanto, António Branco sublinhou que o Estado Novo – “não morria e amores pelo jazz”, e nos anos 40, o jazz foi “banido” na Emissora Nacional – porque, segundo o regime, e, o próprio António Ferro, era uma expressão musical de “ambiente de bares”, por esses argumentos foi suspenso o programa «Hot Clube».
António Branco salientou que em Portugal existia uma “imprensa anti.jazz”.
“O jazz band começou a colocar em causa os bons costumes portugueses” - sublinhou.

Primeiro texto sério sobre jazz

No ano de 1946, Luis Vilas Boas, terá sido o autor do primeiro texto sério sobre jazz, editado, em Portugal, na comunicação social.
António Branco sublinhou que a presença da base área americana, nos Açores, influenciou a presença do jazz em Portugal.
Recordou o papel das rádios locais e das rádios universitárias, nos anos 50, na difusão do jazz
No ano 1958, o jazz chegou à RTP - referiu.

O Cascais Jazz vai renascer

António Branco, no percurso sobre a história do jazz em Portugal sublinhou a importância do Festival de Cascais Jazz, cuja 1ª edição decorreu no ano de 1971.
“O Cascais Jazz vai renascer” – divulgou António Branco.

O jazz na rádio está confinado à rádio pública

António Branco, salientou que o jazz tem “pujança em Portugal nos dias de hoje, há diversos festivais”, mas continua a não ter uma presença relevante nos órgãos de comunicação social.
“O jazz na rádio está confinado à rádio pública” - disse.

Um grande festival de jazz

Na sua intervenção defendeu que, há diversos municípios a dinamizar o jazz, e, sublinhou que se juntassem podiam fazer um grande festival de jazz.
Por outro lado, sublinhou o papel e a importância do mundo da blogosfera na difusão do jazz em Portugal.

Fruição jazzística é um acto voluntário

António Branco referiu que “a fruição jazzística é um acto voluntário”, acrescentando que “é uma forma de comunicação” que “cria significados”, e se afirma como – “uma comunicação activa”.

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