Saltar para o conteúdo
Perspectivas

Assembleia Municipal do BarreiroAprovada a fixação em 5% a taxa de participação variável no IRS com a abstenção do PSD

Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal do Barreiro, salientou que a “A opção da Câmara não é pelas taxas máximas, a opção da Câmara é ter receitas suficientes para responder aos problemas. Isso não temos”.

Eduardo Cabrita, PS, referiu que as autarquias devem ter uma “estratégia de modelo de autonomia fiscal” enquadrada num “modelo de desenvolvimento”, referindo que “não é sempre uma fatalidade que seja sempre a taxa máxima”.

Bruno Vitorino, PSD, sublinhou que a Câmara Municipal do Barreiro, quer aplicar a taxa máxima em tudo, “não se olha para a situação das pessoas, nem das empresas”.

Humberto Candeias, BE, salientou que o imposto sobre o IRS não pode ser analisado como um elemento de avaliação na competitividade territorial.

8 min de leitura
Assembleia Municipal do Barreiro Aprovada a fixação em 5% a taxa de participação variável no IRS com a abstenção do PSD

Por Jornal Rostos

Na última reunião da Assembleia Municipal do Barreiro estiveram em debate para além da Taxa do IMI e a Derrama, também a fixação da participação variável do IRS de 2010.

Fixação em 5% a taxa de participação variável no IRS

Carlos Moreira, Vereador responsável pela área das Finanças, apresentou a proposta da Câmara Municipal do Barreiro, tendo sublinhado a necessidade da autarquia em assegurar os recursos financeiros, como fundamento para apresentação da proposta de fixação em 5% a taxa de participação variável no IRS dos sujeitos passivos, relativa aos rendimentos de 2010 a cobrar no ano 2011.
Isidro Heitor, PS, apresentou a proposta do Partido Socialista, sobre esta matéria, referindo a importância de tornar o concelho do Barreiro mais competitivo e mais atractivo para classe média, sublinhando que a Câmara Municipal do Barreiro deve dar sinais para estimular a economia local, nesse sentido o PS propôs a fixação da participação variável no IRS de 2010 no valor de 4.5 %.

Não é sempre uma fatalidade que seja sempre a taxa máxima

Eduardo Cabrita, PS, no decorrer do debate deste ponto, começou por saudar a nova Assembleia, lamentando não o ter feito no dia da Tomada de Posse, referindo que “todas as bancadas no dia da instalação deviam dirigir-se à população”.
“Espero que seja a última vez que acontece no Barreiro” – disse.
O deputado socialista referiu que a fixação de impostos pelos municípios, visa dar-lhes a “capacidade de definição de uma estratégia própria”.
Salientou Eduardo Cabrita que as autarquias devem ter uma “estratégia de modelo de autonomia fiscal” enquadrada num “modelo de desenvolvimento”, referindo que “não é sempre uma fatalidade que seja sempre a taxa máxima”.
“Qual a estratégia da maioria que governa neste mandato?” – perguntou Eduardo Cabrita.
Referiu que em 63 % municípios, a nível nacional, não foram aplicadas as taxas máximas.
O autarca sublinhou que os municípios da Península de Setúbal não têm entendido a importância de reduzir os valores dos impostos, criando incentivos à fixação das populações.
“Na criação de uma imagem apelativa do Barreiro” – referiu a intervenção tem sido nula, neste contexto Eduardo Cabrita, salientou que os socialistas não abdicam de ter “opinião concertada e coerente” e assumir “o estatuto de alternativa à governação”.

CDU nunca aplicou as taxas máximas

Rui Ferrugem, CDU, começou por referir que “estava com saudades de ouvir” Eduardo Cabrita.
E, sublinhou que a CDU – “nunca aplicou as taxas máximas” e discordou que medidas de isenção contribuam para a fixação das populações.
Rui Ferrugem sublinhou que no mandato anterior a CDU definiu uma estratégia que é clara para todos, com várias parcerias, que, essa sim, poderá trazer a requalificação e a fixação das populações.
“Uma análise minimalista e redutora, simbólica , em relação à redução de determinados impostos” – disse, não será esse o caminho para a fixação das populações.
O deputado da CDU, recordou que a Câmara Municipal do Barreiro é uma das poucas que tem Transportes Colectivos próprios, que todos defendem, como elemento importante do concelho – “ todos os anos é 1 milhão e meio de euros que vai para os transportes”.

Barreiro tem vindo a perder população

Eduardo Cabrita, PS, sublinhou a “riqueza da intervenção de Rui Ferrugem”, e, referindo que sobre a estratégia do concelho, ao longo do mandato muito poderá ser reflectido, questionou porque, desde os anos 80, o Barreiro tem vindo a perder população – “foi o único na península de Setúbal”
O autarca sublinhou que as propostas apresentadas pelo PS visavam criar mecanismos de confiança, mesmo simbólicos, permitiam – “uma diferenciação do Barreiro”.
Por fim salientou que as propostas apresentadas pelo PS, reforçavam a competitividade do Barreiro, sem por em causa o equilíbrio financeiro da autarquia.
A finalizar, Eduardo Cabrita, referiu que a Câmara Municipal do Barreiro, foi a autarquia que na Península de Setúbal mais beneficiou do apoio ao pagamento de dívidas a fornecedores, recendo 8 milhões de euros, nos dois últimos anos.

Dinâmica desenvolvida no último mandato

Rui Ferrugem, CDU, salientou que não considera ser através das reduções simbólicas, como o PS definiu, que se pode definir uma estratégia que dê confiança aos cidadãos.
Acredito, disse, na dinâmica desenvolvida no último mandato, na procura de parcerias, que encontrem soluções.
O autarca referiu que o facto da Câmara Municipal do Barreiro ter recebido a verba para pagar a fornecedores, “implica o ónus do pagamento do próprio empréstimo”.

CDU quando pode não pratica

PSD, reconhecendo as dificuldades financeiras da autarquia, sublinhou que há uma recusa, naquilo que é uma competência autárquica, de poder reduzir os impostos, a CDU que critica sempre o Poder Central, quando pode decidir – “também não o pratica”.

“Lógica de desenvolvimento” e “lógica de dormitório”

Humberto Candeias, BE, referiu que em relação ao IMI e Derrama esteve de acordo com algumas posições sustentadas, relativamente à “inibição que a autarquia tem de pontuar situações de natureza social de maneira diferente”, em função dos contextos.
O autarca do BE, neste ponto considerou que “há uma diferença” porque este é um imposto sobre o trabalho.
Humberto Candeias, salientou que este imposto não pode ser analisado como um elemento de avaliação na competitividade territorial.
“Não colhem os argumentos das bancadas do PS e do PSD. Neste caso existe razão para a CDU” – disse o deputado do Bloco de Esquerda.
Segundo Humberto Candeias este imposto não tem uma “lógica de desenvolvimento”, podendo ter sim, “uma lógica de dormitório”.

A culpa é sempre do Poder Central

Bruno Vitorino, PSD, sublinhou que o que “fica da noite de hoje” é que a Câmara Municipal do Barreiro, “deve aplicar a taxa máxima em tudo”, não se olha para a situação das pessoas, nem das empresas, não sendo analisadas as taxas e os impostos no âmbito de uma estratégia global.
Sublinhou que a autarquia, mesmo num contexto de dificuldades económicas não considera relevante baixar os impostos.
“A culpa é sempre do Poder Central” – disse.

Todos propõem o corte de receitas. Nós não

Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal do Barreiro, salientou que a “A opção da Câmara não é pelas taxas máximas, a opção da Câmara é ter receitas suficientes para responder aos problemas. Isso não temos”.
O autarca referiu que percebia as estratégias das diferentes forças politicas, e que ao longo do mandato haveria tempo para aprofundar o debate.
“São desajustadas algumas intervenções” – disse, referindo que as opções de fundo não os pontos de vista expressos pelo PS e PSD, nalguns pontos e noutros pelo BE.
“A questão de fundo é uma opção de gestão. Todos propõem o corte de receitas. Nós não.” – disse.
Recordou que a Câmara Municipal do Barreiro é daquelas que tem receitas mais baixas na Área Metropolitana de Lisboa – “esta é que é a questão”.
Carlos Humberto, referiu a propósito da intervenção de Eduardo Cabrita que 63% dos municípios não aplicaram a Taxa Máxima do IMI – “O Barreiro foi um desses municípios”.
“Não é fatalidade ter estas taxas e ter estas opções, mas também não é fatalidade o inverso. São opções de gestão” – disse.
O autarca salientou que a proposta que a Câmara Municipal do Barreiro apresenta, está de acordo, com os compromissos assumidos por todos os presidentes das Câmaras da área Metropolitana de Lisboa, que concordaram em manter os 5%.

Estivessem no meu lugar faziam o mesmo

Carlos Humberto, referiu ainda que “os problemas da competitividade são problemas sérios”, e, sublinhou, “falar que são estas medidas” de reduções de taxas e impostos aquelas que resolvem os problemas da competitividade territorial – “não é uma medida, nem substancial, nem importante, nem relevante”.
O autarca sublinhou que o Barreiro atravessa momentos difíceis que se arrastam há vários mandatos.
“Estão convencidos que são as propostas que fizeram aqui hoje que resolvem os problemas da perda de população? Esse é um contributo determinante para esta questão? Estão convencidíssimos?” – perguntou.
Carlos Humberto sublinhou – “eu não penso assim, os nossos problemas ultrapassam-se de outra maneira, os senhores sabem”.
“Estou convicto que se fossem os vossos partidos que estivessem no meu lugar faziam o mesmo. Estou convicto disso” – disse o presidente da Câmara Municipal do Barreiro.

Taxa do IRS aprovada com a abstenção do PSD

A proposta de fixação de 5% a taxa de participação variável ao IRS dos sujeitos passivos com domicílio fiscal na respectiva circunscrição territorial, relativa aos rendimentos de 2010 a cobrar em 2011, foi aprovada com os votos favoráveis da CDU e BE e a abstenção do PSD. O PS votou favoravelmente a sua proposta, que foi eliminada, dado que a votação foi em alternativa.

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção