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Heloisa Apolónia em protestoConsideramos negativa esta desligação directa entre o Barreiro e o Algarve

A deputada Heloisa Apolónia, do Partido Ecologista “Os Verdes”, critica a suspensão da ligação regional entre Barreiro e Faro e considera que esta “podia ser potenciada”.

“Isto significa menos conforto para os utentes” – salientou, referindo, igualmente que esta situação vai dar origem a um aumento do tempo de viagem, acrescida de 40 a 50 minutos, e acrescida de um aumento do título de transporte.

Heloisa Apolónia defende “um novo paradigma de mobilidade” que aposte na componente ferroviária e que “a componente rodoviária seja menos intensificada”.

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Heloisa Apolónia em protesto Consideramos negativa esta desligação directa entre o Barreiro e o Algarve

Por Jornal Rostos

A deputada Heloisa Apolónia, do Partido Ecologista “Os Verdes”, militantes e simpatizantes daquele partido, entre eles, Rui Lopo, vereador da Câmara Municipal do Barreiro, marcaram presença na Gare dos Comboios, na Estação do Barreiro, para assistir à partida do último comboio do Barreiro rumo a Faro, expressando desta forma o protesto pela suspensão desta ligação ao Algarve.

Isto significa menos conforto para os utentes

“Há uma ligação regional que podia ser potenciada, directamente entre o Barreiro e Faro, e, neste momento, essa ligação regional ferroviária vai deixar de existir. Essa ligação directa passa a ser feita entre Setúbal e Tunes” – referiu a deputada de “Os Verdes”, contestando o facto de um cidadão que queira ir do Barreiro ao Algarve, ser obrigado a fazer transbordos em Setúbal e Tunes.
“Isto significa menos conforto para os utentes” – salientou, referindo, igualmente que esta situação vai dar origem a um aumento do tempo de viagem, acrescida de 40 a 50 minutos, e acrescida de um aumento do título de transporte.

CP está a desvalorizar esta linha

A deputada de “Os Verdes” referiu ainda o facto da linha Barreiro – Praias Sado ter sido recentemente electrificada.
“Houve um investimento nesta linha, houve um investimento de valorização desta linha. Retirando-lhe esta componente regional, nós consideramos que se está a desvalorizar esta linha, e esta ligação directa do Barreiro ao Algarve” – sublinhou Heloisa Apolónia.

Há um maior investimento na vertente rodoviária

A deputada de “Os Verdes” referiu a coincidência que existe entre a decisão da CP, com a suspensão da ligação entre o Barreiro e o Algarve, com o facto de neste momento estar a decorrer a Conferência de Copenhaga, que está a traçar as próximas metas relativamente ao combate às alterações climáticas.
“Aquilo que nós sabemos é que o combate às alterações climáticas só se faz com Estados conscientes que têm que tomar medidas internas necessárias ao combate às alterações climáticas.
O sector que mais tem aumentado os gases com efeito de estufa, tem sido justamente o sector dos transportes.
Isto significa que é preciso intervir no sector dos transportes para inverter, a lógica de crescimento de emissões de gases com efeitos de estufa.
Para intervir nos transportes com eficácia é preciso um novo paradigma de mobilidade, esse novo paradigma de mobilidade implica que a componente ferroviária, seja muito mais intensificada e que a componente rodoviária seja menos intensificada” – salientou Heloisa Apolónia.
A deputada sublinhou que numa análise aos orçamentos de estado verifica-se que, em Portugal, há um maior investimento na vertente rodoviária.
“O que verificamos é que há um desinvestimento na rede ferroviária” – salientou, referindo que durante décadas foram encerrados dezenas e dezenas de quilómetros de linhas ferroviárias – “isto tem degradado a nossa resposta à ferrovia e tem levado à opção pela rodovia. Isto tem que ser alterado”.

Consideramos negativa esta desligação directa

Heloisa Apolónia referiu que a CP tem uma lógica de gestão dos seus recursos, procurando reduzir prejuízos – “esta não pode ser a lógica do serviço público de transportes”.
“O serviço de transportes é um serviço central, de serviço público às populações, e tem que dar respostas em prejuízo da própria empresa, dando respostas às necessidades dos cidadãos.” – sublinhou a deputada.
“Consideramos negativa esta desligação directa, entre o Barreiro e o Algarve. Os utentes teriam a ganhar e a CP teria a ganhar se acaso fizesse a potenciação desta circulação” – referiu.
“Este é mais um ponto onde o sector ferroviário fica a perder, por isso fazemos esta denúncia” – salientou a deputada, divulgando o requerimento que foi apresentado na Assembleia da República, exigindo esclarecimentos sobre a suspensão da ligação do Barreiro ao Algarve.

Divulgamos o texto integral do requerimento apresentado na Assembleia da República pela deputada Heloisa Apolónia do Partido Ecologista “Os Verdes»:

PERGUNTA:

No próximo domingo, daqui a dois dias, a CP cometerá um novo erro de encerramento de uma resposta ferroviária necessária às populações. Refiro-me ao encerramento da ligação regional directa Barreiro / Faro. Actualmente este comboio regional directo faz duas ligações do Barreiro a Faro, uma com partida às 6h,43mn e outra com partida às 18h,07mn, com um tempo de viagem de 4h,20mn e com um custo para o utente de 14,20€.

A partir do dia 13 de Dezembro a CP dificulta esta ligação tornado-a directa apenas de Setúbal a Tunes, o que significa que do Barreiro a Setúbal e de Tunes a Faro, ou a outros pontos do Algarve, como Albufeira, Loulé, Almancil e outros, as ligações são feitas através de comboios urbanos.

Significa, portanto, que um utente que fazia no comboio regional uma viagem directa do Barreiro a Faro, passará a fazer uma viagem com dois transbordos (um em Setúbal e outro em Tunes). Mas significa mais: a viagem tornar-se-à mais longa, passando a aproximadamente cinco horas de duração, será mais cara para o utente em quase dois euros, e neste enquadramento, será um factor de desmobilização dos utentes para a utilização deste transporte. Julgo poder afirmar que um dos interesses da CP parece ser que os utentes desistam da utilização que hoje fazem do comboio regional, para passarem a usar o Intercidades ou o Alfa-pendular, de modo a que a empresa obtenha mais lucro e até um argumento para mais tarde acabar com o comboio regional. Ocorre que, os utentes, por razões de custo, de tempo de viagem e de oferta horária podem tender, até, a preferir o transporte rodoviário, o que inverte as necessidades de paradigma de mobilidade de que o nosso país precisa.

Esta decisão da CP é escandalosa, do nosso ponto de vista:

1º Porque vai contra os interesses dos utentes e da necessidade de reforço da facilidade das ligações ferroviárias regionais, entre as diferentes localidades do país;

2º Porque numa altura em que se realiza a Conferência de Copenhaga, com vista à definição de metas para o combate às alterações climáticas, tudo deveria ser feito para o fomento do transporte ferroviário e não para a fragilização da sua resposta, porque este se trata, de facto, de um dos modos menos poluentes de transporte;

3º Porque se fez um investimento (concretizado ao fim de tantos anos de reivindicação) na linha ferroviária do Sado, com a sua electrificação, e agora, numa penada, desvaloriza-se esta linha com o encerramento da ligação directa do Barreiro ao Algarve.

Assim, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, solicito a S. Exa O Presidente da Assembleia da República que remeta, ao Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território, a presente Pergunta, por forma a que me possam ser prestados os seguintes esclarecimentos:

1. Que motivo leva a CP a decidir encerrar esta ligação regional directa Barreiro /Faro?

2. Tomou o Governo alguma diligência no sentido de alertar a CP para os malefícios decorrentes desse encerramento?

3. Tem o Governo consciência de que esta decisão da CP torna a viagem mais longa, mais desconfortável e mais cara para os utentes?

4. Qual o número de utentes que frequenta estes comboios regionais directos Barreiro /Faro?

5. Numa altura em que o combate às alterações climáticas tem que assumir um papel central nas políticas governativas, como se entende que se fragilize, desta forma, o transporte ferroviário, sabendo que o sector dos transportes é o que mais tem aumentado as emissões de gases com efeito de estufa e que, por isso, requer uma intervenção urgente de alteração do paradigma de mobilidade, com um fomento prioritário para o transporte ferroviário?

6. Quanto custou, no total, a electrificação da linha do Sado?

7. A modernização da linha do Sado, à partida, traria evidentemente condições para a valorização desta linha ferroviária. Mas com decisões como a de encerramento do comboio regional Barreiro / Faro, não de torna óbvio que esta linha ferroviária perde centralidade?

BREVE REGISTO

O ÚLTIMO COMBOIO DO BARREIRO PARA O ALGARVE

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